O conhecimento teórico do direito aplicável aos conflitos armados é de suma importância, mas não é suficiente para garantir que, em situações de combate reais, oficiais, comandantes e chefes militares optem por comportamentos sujeitos às normas do direito, quando submetidos a maiores pressões.
A complexidade da situação de combate requer que os comandantes sejam treinados para tomar decisões pondo em prática os conhecimentos teóricos adquiridos nas aulas. Porém, realizar um "jogo de guerra", onde estejam representadas todas as situações possíveis ou fazer com que o conflito simulado tenha uma envergadura que afete todo o território de um país, é praticamente impossível.
Foi por isso que o Centro de Treinamento Tático Computadorizado (CETAC, sigla em espanhol) do Exército salvadorenho desenvolveu um software que simula um conflito armado internacional em que os exércitos de dois países imaginários se enfrentam, um com o papel de invasor e o outro defendendo o território.
O programa oferece aos usuários informações sobre recursos e posição de tropas próprias e inimigas, além de requerer indicações sobre o curso das ações, como nos jogos de simulação comerciais. As ações geram incidentes (virtuais) que produzem feridos, prisioneiros, vítimas civis e destruição de bens. Dessa forma, no decorrer do jogo, vão sendo planejadas situações táticas que os participantes devem enfrentar para alcançar o objetivo que lhes foi pedido, ou seja, basicamente, reconquistar o território ocupado pelo inimigo.
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Um dos grupos participantes da Segunda Simulação Computadorizada analisa a situação criada pelo programa.
No ano 2000, o Exército do El Salvador realizou sua primeira experiência na utilização de recursos informáticos para a simulação de situações de guerra. Naquela oportunidade, 48 oficiais participaram de três dias de treinamento, nos quais, depois de se organizarem em grupos conforme uma ordem tática militar e receberem um "relatório de situação de guerra", tinham que alcançar o objetivo militar solicitado, cumprindo, em todo momento, com o estabelecido pelo Direito Internacional Humanitário no que se refere, por exemplo, ao tratamento dos prisioneiros, ao respeito à população civil e aos bens protegidos.
Cada grupo funcionou como o estado-maior de um batalhão e contou com uma cadeia de comando que devia ser respeitada. Um membro de cada equipe foi designado como operador do computador e responsável pela interação do grupo com o sistema. Os grupos estavam comunicados entre sí e as decisões tomadas por cada um afetava o desenvolvimento global do jogo. No fim do exercício, um grupo de avaliação ponderava as decisões tomadas sob o ponto de vista do DIH.
Recentemente, no dia 18 de julho de 2005, o Exército do El Salvador realizou uma nova experiência com o sistema, na qual participaram oficiais das forças armadas da Bolívia, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Peru, República Dominicana e El Salvador.
Durante cinco dias, depois de receber do Coordenador Geral do exercício uma "ordem de batalha", os oficiais participantes, divididos em equipes por países, tiveram que cumprir exitosamente uma missão específica num cenário de conflito armado internacional simulado pelo computador, aplicando as normas do DIH, especialmente as relacionadas com os prisioneiros de guerra, os doentes e feridos, as pessoas e bens civis, os bens culturais, as instalações que contêm forças perigosas, o pessoal sanitário e religioso, os bens sanitários, os transportes sanitários e os campos de prisioneiros de guerra.
Em ambas as oportunidades, o CICV colaborou com as Forças Armadas do El Salvador oferecendo especialistas em Direito Internacional Humanitário. Os Estados têm, de acordo com o artigo 47 da I Convenção de Genebra, a obrigação de difundir o Direito Internacional Humanitário e, especialmente, de incorporá-lo na formação e no treinamento de suas forças armadas, tarefas para as quais o CICV oferece apoio por meio de programas especializados.