1-08-2006 Informe especial Foco no Sofrimento: Imagens das Vítimas da Guerra divulgadas pela mídia Este debate patrocinado pelo CICV foi promovido na 15ª Conferência Anual do Centro de Informação e Comunicação da Mídia Asiática, em julho de 2006. Reuniu jornalistas e acadêmicos para discutir como a mídia da Ásia usa fotos e imagens gravadas para contar a história da guerra. Glenda Gloria, Praveen Swami, Florian Westphal (ICRC), Shyam Tekwani e Kevin Studds na conferência anual AMIC, em Penang, Malaysia, 18 de julho de 2006.
Foco no sofrimento: Imagens das Vítimas da Guerra Veiculadas pela Mídia foi o título de um debate plenário patrocinado pelo CICV na 15ª. Conferência Anual do Centro de Informação e Comunicação da Mídia Asiática (CICMA) em Penang, Malásia, em julho de 2006. A sessão foi acompanhada por cerca de 150 participantes inscritos, principalmente profissionais da mídia e acadêmicos que ensinam estudos de comunicação de massa ou jornalismo. As imagens exibidas pela TV e as fotos dos jornais têm um impacto significativo sobre a forma como o público e os tomadores de decisão percebem a realidade do conflito armado. Algumas imagens da guerra tornaram-se poderosos ícones reconhecidos em todo o mundo, inclusive na região do Pacífico asiático. Uma simples foto pode comunicar os horrores da guerra de maneira mais eficaz que mil palavras. As imagens dos crimes de guerra e de suas vítimas provocam choque e repugnância, aumentando a pressão para que os governos ajam a fim de aliviar o sofrimento. O excesso de imagens da guerra na TV, na internet ou na mídia impressa, torna mais importante que nunca examinar como elas são produzidas e selecionadas. Com que critérios os jornalistas e editores asiáticos decidem quais são as imagens aceitáveis – com base na violência que elas mostram ou na mensagem política que elas transmitem – e quais nunca serão vistas pelo público? O principal corpo de normas aplicáveis aos conflitos armados, o Direito Internacional Humanitário – que o CICV tem um mandato para promover, incluindo junto à mídia – protege não apenas as vidas, mas também a dignidade humana das vítimas da guerra. Examinando as leis e os princípios no qual ele se baseia nos faz perguntar até que ponto aqueles que produzem e escolhem as imagens da guerra levam em consideração a dignidade das pessoas que eles exibem. O CICV pediu para que quatro especialistas refletissem sobre essas questões: Shyam Tekwani da Escola de Comunicação e Informação na Universidade Tecnológica Nanyang, em Cingapura, abriu o debate plenário com um breve panorama histórico sobre o uso de imagens na cobertura da guerra. Começando com as fotografias preto-e-branco da guerra da Criméia, em meados do século 19, a representação visual tornou-se um meio de comunicação ainda mais poderoso, tal como ficou evidente pelo impacto das imagens de abusos cometidos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. Tomando como base seu próprio trabalho como foto-jornalista cobrindo a guerra civil no Sri Lanka, Tekwani explorou as razões éticas e políticas que convencem as revistas noticiosas a publicar determinadas fotos e rejeitar outras. Falando em seguida, Praveen Swami, editor assistente na revista Frontline, na Índia, examinou criticamente como a imprensa indiana toma decisões sobre a cobertura de conflitos armados. Com base na sua experiência de cobrir a violência armada em Jammu, Caxemira e Punjab durante os anos 1990, Swami argumentou que as avaliações jornalísticas e editoriais são freqüentemente prejudicadas por um domínio insuficiente das complexidades da situação. Ele acrescentou que a imprensa indiana tem às vezes cedido com demasiada facilidade às pressões de grupos armados não estatais, o que vem resultando em auto-censura. ‘A mídia usa imagens de conflitos para contar uma história ou para vender uma história?’ foi a pergunta abrupta trazida por Glenda Gloria, editora da revista Newsbreak nas Filipinas. Refletindo na cobertura da mídia sobre a violência na região de Mindanao, no sul, particularmente os incidentes de tomada de reféns, Gloria argumentou que antes de decidir que imagens da guerra serão impressas ou transmitidas, a mídia precisa refletir sobre como elas foram produzidas ou obtidas. Leia em inglês os textos das apresentações:
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