Na conferência de imprensa, Pierre Krähenbühl disse que é importante lembrar que a situação de conflito armado vivida pela Colômbia já acontece há quatro décadas.
“Na Colômbia, não há nenhuma pessoa que não tenha sido afetada de algum modo pela violência vivida pelo país”, disse.
Acrescentou que, em uma das localidades que visitou, os habitantes pararam para lhe explicar que a violência repercute neles de diferentes formas: extorsões, seqüestros, deslocamentos forçados, somados ao medo que vivem dia-a-dia.
Disse também que o país tomou importantes iniciativas internas para responder às necessidades que surgem nos planos humanitário e social devido ao conflito.
Krähenbühl explicou que a Colômbia encontra-se em meio a um período complexo, com a atual desmobilização dos grupos chamados de “auto-defesa” e o processo de diálogo entre o Governo e o grupo armado de oposição ELN (Exército de Libertação Nacional). De acordo com Krähenbühl, as negociações entre as autoridades e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) são menos fluídas.
As pessoas deslocadas
O diretor de Atividades Operacionais do CICV disse que um dos aspectos mais preocupantes da violência na Colômbia continua sendo a quantidade de pessoas que têm que se deslocar devido ao conflito. De acordo com dados oficiais do Governo, na Colômbia há 1,8 milhão de deslocados, ainda que outras fontes calculem um número maior.
Disse que os habitantes, em geral, se vêm obrigados a abandonar os seus lares para morar do melhor modo possível nos cinturões de pobreza que rodeiam as grandes cidades, o que gera importantes dificuldades de integração social.
A prioridade do CICV, em colaboração com as autoridades e com outras organizações humanitárias, como o Programa Mundial de Alimentos, é satisfazer as necessidades das pessoas deslocadas a curto prazo, ou seja, durante os três primeiros meses posteriores ao deslocamento. O que os deslocados mais precisam são alimentos, alojamento e acesso ao atendimento médico. O CICV prevê assistir a cerca de 45.000 deslocados internos durante o presente ano, mas está preparado para beneficiar a um maior número de pessoas, se for necessário.
Krähenbühl também disse que é preocupante que um maior número de pessoas tenha sido obrigado a fugir em janeiro de 2006 em comparação com o ano passado. Recentemente, cerca de 1.600 indígenas foram forçados a abandonar os seus lares no departamento de Cauca, no sudeste do país, após o recrudescimento das hostilidades.
Apesar de que o CICV e os seus aliados estejam em condições de satisfazer as necessidades destas pessoas recentemente deslocadas, continuam existindo problemas significativos com relação às necessidades dos deslocados a médio e longo prazo, acrescentou Krähenbühl. Disse que o CICV apresenta com freqüência esta questão às autoridades e as insta a que a considerem prioritária.
Além disso, indicou que é necessário evitar novos deslocamentos. Em recentes decisões vinculadoras do Tribunal Constitucional do país decidiu-se aumentar o orçamento governamental destinado a esta questão, mas Krähenbühl disse que ainda falta ver como isso se traduzirá em medidas concretas e em uma resposta a longo prazo pelas autoridades.
O diretor de operações do CICV destacou também as atividades da organização em favor da população civil em geral, principalmente as destinadas a facilitar o acesso ao atendimento médico. A Instituição negocia com regularidade o acesso das suas equipes médicas a comunidades isoladas e acompanha as equipes médicas colombianas a estas áreas.
Detenção
O CICV continua visitando as pessoas detidas pelas autoridades colombianas com relação à violência. Paralelamente, continua se esforçando para visitar as pessoas retidas pelos grupos armados de oposição.
Krähenbühl disse que a superlotação nos estabelecimentos penitenciários continua sendo um problema grave.
As pessoas desaparecidas
O CICV procura se aproximar com regularidade aos grupos armados de oposição a fim de obter informações sobre o paradeiro das pessoas dadas como desaparecidas devido ao conflito. Esforça-se para que a questão continue constando como uma das mais importantes na agenda política e nas futuras negociações para acabar com a violência.
Atualmente, a organização está tratando cerca de 3.600 casos documentados de pessoas desaparecidas, com base em testemunhos de familiares.
Krähenbühl disse que o CICV está preparado para agir como facilitador e intermediário nas libertações de reféns e de policiais e soldados em poder dos grupos armados. Entretanto, acrescentou que há poucos indícios de que as negociações tenham avançado.
O CICV conta atualmente com cerca de 280 colaboradores na Colômbia. O orçamento destinado às atividades que realizará na Colômbia ao longo de 2006, a fim de responder às necessidades das pessoas afetadas pela violência, chega a 24,6 milhões de francos suíços (19,2 milhões de dólares norte-americanos / 15,8 milhões de euros).
A Instituição estabeleceu algumas áreas prioritárias onde concentra as suas atividades. Krähenbühl destacou a alta qualidade do diálogo que o CICV mantém com todos os atores que participam no conflito.