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8-08-2008  Reportagem  
República Centro-Africana: medo e pobreza no caminho para casa
Milhares de pessoas fugiram da República Centro Africana (RCA) em 2002 e 2003, em direção aos campos de refugiados de Yoroungou, no Chade. Agora elas começaram o trajeto de volta para casa em seus povoados no noroeste da RCA.

©ICRC/Barbara Lecq
Moyenne Sido, República Centro-Africana. Trabalhando com a Sociedade da Cruz Vermelha Centro-Africana, o CICV está distribuindo suprimentos básicos (como colchões, utensílios, sabão e redes contra mosquito), e instrumentos agrícolas.

Levas e levas de refugiados chegaram a Moyenne Sido, uma pequena cidade no norte da RCA, a cerca de 170 km de Kaga-Bandoro.

Moyenne Sido deveria ser apenas um ponto de parada no caminho para casa, mas a bandidagem impera na região, e o risco de cair em uma emboscada armada pelos homens que ficam nas estradas torna a viagem de volta perigosa demais.

A vida nesta parte da RCA é difícil. A região é classificada como semi-desértica, e alguns tipos de cultura de subsistência são impossíveis de serem cultivados. Para piorar as coisas, o risco de ataques de bandidos reduz as atividades tradicionais como a caça e a pesca a um raio de 5 km em torno da cidade.

As pessoas deslocadas e as famílias que as abrigam estão dividindo Moyenne Sido. Elas também compartilham a pobreza, exacerbada pela insegurança, a falta de infra-estrutura e a de órgãos governamentais que, pelo menos, possam atender às necessidades mais básicas. Conseqüentemente, os idosos, os órfãos, os deficientes físicos e as mulheres que respondem pelo sustento da família lutam para sobreviver.

Jacob Ndangou, de 80 anos, é só. Não tem família e nenhum tipo de apoio. Vive sempre com medo, e suas noites são terrivelmente longas. Não tem os recursos necessários ou a força física para trabalhar no campo. Construir algum tipo de moradia está fora de questão.

Mbizoa Juldas vive com a mulher e a família em uma pequena cabana em Saramba, um pequeno vilarejo não distante de Moyenne Sido. Aos 30 anos, ele ainda é jovem, mas Mbizoa tem limitações físicas sérias, provavelmente em conseqüência de uma poliomelite. Tinha um triciclo para se locomover, mas o veículo precisa de conserto. Apesar de precisar se locomover de quatro, consegue plantar alguma coisa em um pequeno terreno para alimentar sua família.

Observando o fluxo massivo de refugiados e as dificuldades pelas quais eles passam, um grupo de voluntários das filiais da Cruz Vermelha de vilarejos próximos lançaram um programa de apoio. Eles identificam aqueles com necessidades e constroem abrigos improvisados. A maior parte dos voluntários da Cruz Vermelha foi refugiado nos campos de Yoroungou. "Nosso orgulho fica ferido se não pudermos ajudar os homens e mulheres com quem passamos tantas dificuldades."

A fim de apoiar os esforços das autoridades locais de da Sociedade da Cruz Vermelha Centro-Africana, o CICV lançou uma operação conjunta de socorros, em parceria com a Sociedade Nacional, distribuindo suprimentos básicos (tais como colchões, utensílios, sabão e redes de proteção contra mosquitos) e instrumentos agrícolas. Até agora, o programa ajudou 742 famílias – quase 3 mil pessoas. Para o presidente da Sociedade da Cruz Vermelha Centro-Africana, "este programa de socorro é o ápice de um processo que restabeleceu nosso orgulho como voluntários".

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