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5-02-2008  Entrevista  
Chade: ajudando os feridos em meio ao caos
Os violentos enfrentamentos entre rebeldes e tropas do governo em Niamey deixaram centenas de feridos e inúmeros mortos, além de obrigarem milhares de pessoas a fugir da capital. Simon Ashmore, vice-chefe do CICV para Operações no Leste Africano, diz que a organização está dando o máximo de suporte possível à Cruz Vermelha do Chade na assistência aos feridos e mortos, de forma especial com uma equipe cirúrgica que já atua no local, além de outra, que está a caminho.

©ICRC
Simon Ashmore

Como você descreveria a atual situação humanitária no Chade?

A situação no Chade está muito confusa neste momento. Atualmente, em Niamey, o principal foco de preocupação é que percebemos que há um grande movimento da população para fora da capital. Na capital, sabemos que muitos foram feridos e mortos depois dos conflitos durante o fim de semana. Sabemos que houve muitos saques e a questão é se haverá alimentos básicos no curto prazo.

O que o CICV e a Cruz Vermelha do Chade puderam fazer para ajudar as pessoas afetadas pela violência?

Primeiramente, eu gostaria de parabenizar o extraordinário trabalho feito pela Cruz Vermelha do Chade, que esteve ativa durante o conflito no sábado e domingo, levando os feridos para os hospitais e centros médicos. Eles estavam fazendo um trabalho fantástico enquanto todos os demais estavam atolados, esperando que os conflitos terminassem.

Desde segunda-feira, o CICV e a Cruz Vermelha do Chade puderam se locomover em Niamey. A Cruz Vermelha do Chade é respeitada, pelo que parece, por todas as partes em conflito. Temos uma equipe cirúrgica que está de prontidão no Hôpital de la Liberté, onde eles já começaram a operar os feridos. Também pudemos fornecer assistência material para outros hospitais.

Estamos trabalhando com a Cruz Vermelha do Chade e com as autoridades do Chade a fim de resgatar os restos mortais das ruas, para juntá-los e enterrá-los de uma forma digna, mas também para evitar um problema de saúde pública no futuro.

Estão planejando mais assistência?

Estamos tentando trazer uma segunda equipe de cirurgia para Niamey. Como disse antes, há centenas e centenas de feridos em vários hospitais que precisam de ajuda, já que estas unidades hospitalares estão na sua capacidade máxima. Então, a nossa prioridade no momento é conseguir uma segunda equipe de cirurgia para ajudar à que já está aqui presente.

Também daremos mais suporte à Cruz Vermelha do Chade para as atividades de evacuação, coleta, identificação e enterro dos mortos.

Estamos também em diálogo constante com as autoridades a fim de ter acesso àqueles que foram detidos pela oposição.

O que você pode dizer sobre o diálogo atual do CICV com as partes em conflito?

O CICV está conseguindo manter um diálogo com todas as partes em conflito. Nossa primeira impressão após o conflito foi que os civis não foram alvejados deliberadamente por ambos os lados. Dito isto, houve muito dano colateral – pessoas feridas, mortas e pessoas que perderam suas posses.

Nós encorajaríamos todas as partes em conflito a respeitar totalmente suas obrigações para com o Direito Internacional Humanitário na proteção da população civil e também, muito importante, na proteção do deslocamento da Cruz Vermelha nas atividades humanitárias como também de outros atores humanitários e hospitais, caso haja um novo conflito.

©Reuters
Pessoas lotam a ponte Ngueli, sobre o rio Logone-Chari, fugindo do conflito, de Niamey para Camarões.



©Reuters
Uma mulher, que cruza a ponte Ngueli para Camarões, mostra suas feridas.


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5-02-2008