Situação humanitária
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Pessoas carregam seus pertences escapando do conflito em N'Djamena
As pessoas levam seus pertences durante a fuga de Niamey
Durante o fim de semana dos dias 2 e 3 de fevereiro uma batalha feroz sacudiu a capital do Chade, Niamey, quando grupos armados invadiram a cidade. Por dois dias, os conflitos entre o Exército Nacional do Chade e os grupos armados de oposição forçaram os civis e os representantes humanitários a se esconderem em suas casas. A exceção foi a Cruz Vermelha do Chade. Apesar do perigo, os voluntários desta organização mostraram coragem e devoção ao trabalho, administrando ajudas de primeiros socorros e transportando os feridos, apesar da intensa luta. Grande parte da comunidade internacional foi evacuada de Niamey, incluindo a maioria das equipes humanitárias baseadas na capital. Lojas e casas foram saqueadas. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), juntamente com um pequeno grupo de ONGs internacionais, decidiram não sair para esperar pelo momento em que poderiam começar a ajudar àqueles afetados pelo conflito.
Na segunda-feira, dia 4 de fevereiro, a luta deu uma trégua. Desde então, o CICV e a Cruz Vermelha do Chade estão fazendo o que podem para ajudar as vítimas do conflito.
Apesar da relativa calma, o futuro continua incerto e dezenas de milhares de pessoas cruzaram o rio Chari em busca de refúgio em Camarões. Também há relatos de refugiados chadianos na Nigéria, no Níger e na República Centro Africana. Em todos estes países, a Sociedade Nacional da Cruz Vermelha agiu imediatamente para receber os refugiados e para organizar a ajuda inicial, até que a comunidade humanitária internacional se mobilizasse.
As atividades da Cruz Vermelha em Niamey
Médica
Uma vez que a luta acalmou, o CICV foi capaz de começar a trabalhar. A primeira prioridade foi tratar aqueles que foram feridos durante o fim de semana. O CICV estima que quase 1.000 combatentes e civis tenham sido feridos. As instalações médicas em Niamey foram sobrecarregadas devido ao número de pessoas necessitando de tratamento, um problema que foi agravado pelo fato de a equipe ter sido forçada a fugir do conflito. Na segunda-feira, o CICV pôde enviar uma equipe médica para o Hospital da Liberdade (Hôpital de la Liberté) e já forneceu kits de vestimenta e suprimentos médicos para seis instalações médicas que estão tratando os feridos. Uma segunda equipe cirúrgica do CICV chegou em Niamey no dia 7 de fevereiro.
O MSF France (Médicos Sem Fronteiras) também tem uma equipe cirúrgica no sul da cidade e outra equipe que chegou no dia 6 de fevereiro.
Com a ajuda financeira do CICV, a Cruz Vermelha do Chade já enviou 35 voluntários para dois hospitais, onde estão dando assistência médica básica aos feridos. A Cruz Vermelha do Chade também está transportando os feridos.
Lidando com os cadáveres
Muitas pessoas morreram durante o fim de semana. A Cruz Vermelha do Chade está recolhendo os corpos desde terça-feira, com a ajuda do CICV, e as autoridades locais identificaram áreas nas quais podem ser enterrados. O CICV e a Cruz Vermelha do Chade estão cientes da necessidade de tratar os cadáveres com dignidade e de assegurar que as famílias sejam informadas. As organizações estão fazendo o possível, embora seja quase impossível identificar os corpos e anotar o local onde foram enterrados. Por questões de saúde pública, o enterro imediato torna-se imperativo e tristemente é possível que muitos dos enterrados não sejam identificados.
Detenção
Certo número de membros da oposição foi detido. O CICV está em contato diário com as autoridades chadianas para registrar as pessoas que foram presas e monitorar suas condições de detenção e de tratamento. De acordo com o padrão de prática do CICV, todo o diálogo entre o CICV e as autoridades que outorgaram a detenção permanece bilateral e confidencial.
Restabelecendo laços familiares
Muitas famílias foram separadas na confusão de tentar fugir do conflito. Também, muitas pessoas que moram fora do Chade perderam o contato com suas famílias que vivem no interior do país. As telecomunicações ainda não voltaram a funcionar e o CICV e a Cruz Vermelha do Chade estão tentando instalar sistemas que permitam que as famílias se comuniquem.
Perspectivas imediatas
Parece que as partes envolvidas no conflito não miraram diretamente nos civis. Entretanto, a organização está preocupada pelo número de pessoas mortas e feridas em Niamey. O CICV relembra todas as partes do conflito que as pessoas que não participam dos combates não podem ser atacadas e que as pessoas que já não fazem parte do conflito (feridos ou capturados), tampouco. A Cruz Vermelha e os serviços médicos devem ser respeitados em todos os momentos.
O CICV permanece comprometido em ajudar as pessoas afetadas pelo conflito, tanto as que ficaram em Niamey quanto àquelas que se deslocaram e que, portanto, precisarão de ajuda da comunidade humanitária para voltar a casa.