Christophe Beney, chefe da delegação do CICV na Colômbia
Por que e desde quando o CICV está envolvido nas operações de liberação de reféns na Colômbia?
O CICV tem desempenhado um papel crucial na proteção e assistência das vítimas de conflitos armados na Colômbia, que dura mais de 40 anos. Nossos delegados no terreno têm mantido diálogos confidenciais com todas as partes envolvidas no conflito, incluindo os grupos armados organizados, para promover as regras humanitárias e para obter acessos às áreas mais afetadas. O CICV é reconhecido pelas FARC e pelo ELN, os maiores grupos armados, como intermediário neutro nas operações que resultaram na liberação de centenas de reféns. A primeira liberação de reféns foi em 1980, depois da tomada de reféns na Embaixada da República Dominicana.
Qual é o papel do CICV nas atuais operações para a liberação de dois civis e quatro membros das forças armadas colombianas mantidos como reféns pelas FARC?
Em dezembro, as FARC anunciaram que liberariam dois legisladores Alan Jara e Sigifredo Lopez e quatro membros das forças armadas da Colômbia, que têm sido mantidos presos há vários anos. Obviamente, são boas noticias, não só para eles, que estão privados de liberdade sob condições muito difíceis, mas também para suas famílias, que passaram por uma experiência dolorosa de esperar por anos para receber notícias de seus entes queridos.
Em seu primeiro comunicado, as FARC declaram que queriam devolver seis pessoas à senadora colombiana Piedad Córdoba e à recém-criada comissão colombiana de paz. Em um segundo comunicado de imprensa, declararam que o CICV também poderia participar dessa missão.
Desde o início, o CICV disse que estaria disposto a oferecer seus serviços como intermediário neutro e que trabalharia de perto com todas as partes envolvidas na coordenação dos aspectos logísticos da operação. As FARC, o governo colombiano e a senadora aceitaram nossos serviços.
Depois foi decidido que, por razões de segurança, seria melhor se os acertos para conseguirmos helicópteros e pilotos fossem feitos em cooperação com um país vizinho. O CICV, portanto, dialogou com vários países. Foi decidido que o Brasil participaria dos esforços devido à sua proximidade com a Colômbia e sua disposição para providenciar helicópteros e pilotos capazes de realizar essa missão complexa e sensível.
Qual é o status dos preparativos, quando e onde a operação será realizada?
O CICV se reuniu em diversas ocasiões com o alto comissariado colombiano de paz, o embaixador brasileiro, a senadora Piedad Córdoba e representantes da comissão colombiana de paz para discutir detalhes de logística e segurança. O governo colombiano afirmou repetidamente que oferecerá garantias de segurança.
O diálogo com o governo, as forças armadas, a senadora, o embaixador brasileiro e as FARC foi construtivo e as coisas estão se encaminhando. Faremos o melhor para garantir a liberação rápida e segura dos reféns e detidos. No entanto, dada a complexidade desta missão, os preparativos devem ser meticulosos e precisos e necessitamos evitar especulações sobre quando a entrega se concretizará.
Até o momento, foi decidido que três delegados do CICV, incluindo um médico, participarão da operação junto com a senadora Piedad Córdoba e membros da comissão de paz.
Uma vez que o CICV receba informações detalhadas das FARC quando ao local da entrega, pediremos ao Ministério de Defesa que dê as garantias de segurança necessárias para assegurar que os helicópteros possam pousar e transportar os reféns e detidos para as áreas onde serão entregues a seus familiares. É absolutamente crucial para a segurança da operação que esta informação continue confidencial.
Que outras atividades o CICV realiza na Colômbia?
O CICV continua presente nas áreas mais atingidas pelos conflitos armados. Temos 13 escritórios, 60 funcionários internacionais e 270 funcionários colombianos no país.
Os conflitos armados colombianos gerem graves conseqüências humanitárias e o CICV está atendendo às necessidades de uma grande variedade de vítimas. De acordo com os números oficiais e da sociedade civil, estima-se que entre 2.5 e 3.5 milhões de pessoas – mais da metade delas são crianças – foram deslocados pelo conflito armados. Ao longo de 10 anos, o CICV tem assistido a mais de um milhão de pessoas deslocadas no país.
O CICV continua profundamente preocupado com o deslocamento, os assassinatos relacionados com o conflito, as milhares de pessoas desaparecidas, o uso de minas terrestres e o recrutamento forçado de crianças que vêm acontecendo. O CICV desenvolveu uma série de programas para aliviar o sofrimento das vítimas. Em 2009, mantém seus esforços para assegurar mais respeito para as vítimas de minas terrestres, para prestar serviços de saúde e de reabilitação e para fazer o possível para determinar o paradeiro das pessoas desaparecidas devido ao conflito armado.