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English title: Colombia: far too many civilians continue to be targeted in the armed conflict
colombia-news-150409
15-04-2009  Comunicado de imprensa  
Colômbia: muitos civis ainda são alvos do conflito armado
Bogotá / Genebra (CICV) – O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) alertou hoje que o conflito armado na Colômbia continua afetando dezenas de milhares de civis que suportam ameaças de morte, ataques diretos ou ameaças de recrutamento forçado.




Em 2008, o CICV forneceu alimentos e utensílios domésticos para 73 mil deslocados, um aumento de dez por cento com relação a 2007. Esse aumento em parte se deve ao fato de que o CICV e a Cruz Vermelha colombiana ampliaram sua capacidade de chegar às famílias deslocadas nas áreas afetadas pelo conflito no departamento de Nariño, no sudoeste do país. No entanto, o número de famílias também aumentou devido à presença de novos grupos armados em certas partes do país, gerando mais confrontos pelo controle de território.

"Infelizmente, muitos civis na Colômbia ainda são alvos dos portadores de armas", disse Christophe Beney, chefe da delegação do CICV na Colômbia. "Em 2008, o CICV registrou mais de 1.600 alegações de violações ao direito humanitário, incluindo 300 execuções sumarias, 205 ataques diretos contra civis, 289 desaparecimentos e 83 situações de deslocamentos forçados. Essas estatísticas demonstram que as partes em conflito não estão fazendo o suficiente para assegurar que seus combatentes poupem e protejam os civis e aqueles que não mais participam das hostilidades".

De acordo com seus procedimentos padrões de trabalho, o CICV tratou, confidencialmente, com as partes em conflito suas preocupações com relação a essas alegações de violação ao Direito Humanitário Internacional, visando a que cessassem e evitassem que acontecessem novamente.

Em 2008, para salvarem suas vidas, milhares de pessoas nas zonas rurais não tiveram outra opção senão deixar suas casas e seus pertences e tentar reconstruir suas vidas em outro lugar, quase sempre em favelas. Dois de cada três deslocados que receberam ajuda do CICV dizem que foram ameaçados de morte; um de cada dez foi ameaçado de recrutamento forçado nos grupos armados.

"Deixei meu campo há dois anos porque não quis cooperar com o grupo armado que controlava nossa aldeia", disse Abelardo Antonio no departamento de Putumayo. "Diferentes grupos armados passam por nossa aldeia; alguns decidem passar a noite e ficamos ansiosos e nervosos e não sabemos o que fazer com nossas filhas", disse Ignacia María, que vive em uma área afetada pelo conflito no departamento de Nariño.

É também preocupante que 50 por cento das pessoas que recebam auxilio do CICV sejam crianças e adolescentes e que 20 por cento das famílias tenham apenas a mãe como ganha-pão. As mulheres e as crianças são particularmente vulneráveis à exploração e ao abuso sexual quando obrigadas a se deslocar.

Como o combate entre as forças armadas e os grupos armados se mudou em direção às áreas remotas de montanhas e selva e para a costa do Pacífico, as comunidades indígenas e afro-descendentes foram severamente afetadas. Muitos delas estão mal-preparados para se restabelecer em áreas urbanas, nas quais as minorias étnicas enfrentam a estigmatização. Em 2008, 22 por cento das famílias assistidas pelo CICV pertenciam a essas minorias étnicas.

O CICV tem trabalhado na Colômbia desde 1969. Seu principal objetivo é aumentar o respeito ao Direito Humanitário Internacional, em particular, por parte de todos os grupos armados para os civis poderem estar mais bem protegidos. Atualmente, a delegação emprega 377 funcionários em 14 escritórios em todo o país.


Mais informações:
Christophe Beney, CICV Bogotá, tel: +57 1 313 86 30
Marçal Izard, CICV Genebra, tel: +41 22 730 2458 ou +41 79 217 32 24

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