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Ajude as vítimas da guerra: faça hoje uma doação ao CICV!
English title: Democratic Republic of the Congo: 'protection is what these people need'
congo-kinshasa-interview-090709
10-07-2009  Entrevista  
República Democrática do Congo: ‘é de proteção que essas pessoas precisam’
Um número crescente de ataques a civis, perpetrados por portadores de armas, está obrigando dezenas de milhares de pessoas a fugir de suas casas em Kivu Norte e Sul. O chefe da delegação que está para deixar o cargo, Max Hadorn, descreve uma ‘situação humanitária em deterioração crônica’ e a resposta do CICV à crise.

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Como é a atual situação humanitária nas províncias de Kivu Norte e Sul?

A sobrevivência de centenas de milhares de civis está seriamente em risco. A situação em Kivu Norte vem se deteriorando nos últimos meses, em áreas como Lubero Sul, Walikale, Rutshuru e Masisi.

Desde o começo do ano, estima-se que cerca de 300 mil pessoas ficaram deslocadas em Kivu Norte, fugindo da violência e ataques dos portadores de armas. A situação em Kivu Sul também piorou consideravelmente. O aumento recente da violência sexual naquela província indica que aumentaram os ataques aos civis por parte de portadores de armas.

Todos os dias acontecem violações muito graves do Direito Internacional Humanitário, e todas as partes no conflito estão envolvidas. As violações incluem mortes, abuso sexual, recrutamento de crianças-soldado e saques.

De acordo com uma pesquisa independente realizada recentemente para o CICV, o conflito armado atingiu 76% da população, enquanto 58% das pessoas foram deslocadas, 47% perderam um parente próximo e 28% conhecem alguém que foi vítima de violência sexual. Os números de pessoas deslocadas e de moradores atingidos pelo conflito são os mais elevados dos oito países objeto do estudo.

O conflito na República Democrática do Congo é responsável pelo maior número de vítimas de qualquer conflito desde a Segunda Guerra Mundial. A Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que mais de 1,5 milhão de pessoas foram deslocadas em todo o país, o que indica uma situação humanitária alarmante e em crônica deterioração. Muitas pessoas tiveram de abandonar suas casas mais de uma vez. Elas perderam tudo e não têm ideia do que será o dia de amanhã. A situação é insuportável.

O que o CICV está fazendo?

As necessidades básicas da população são comida, água, abrigo, tratamento médico e, acima de tudo, proteção e segurança.

Ao lado da Sociedade da Cruz Vermelha da República Democrática do Congo, o CICV está acelerando a assistência emergencial para as populações atingidas. Esta semana, por exemplo, o CICV está distribuindo comida e gêneros essenciais para os moradores e os deslocados em Miriki (Kivu Norte), um povoado localizado a cerca de 150 quilômetros ao norte de Goma. As casas em Miriki foram totalmente queimadas no final de junho, deixando os moradores com pouco ou sem nenhum abrigo. Para os moradores, é demasiado perigoso trabalhar nos campos, o que significa que a comunidade não tem meios para cultivar comida. A situação em Miriki revela a tendência, em ascensão, de os civis serem alvo de grupos armados, ao invés de simplesmente sofrerem os efeitos colaterais durante as hostilidades.

A assistência emergencial do CICV para as pessoas diretamente atingidas pelo conflito inclui comida, abrigo, apoio a centros médicos e ajuda psicológica para as vítimas de violência sexual. Em maio e junho, por exemplo, o CICV e a Sociedade da Cruz Vermelha da RDC distribuíram comida para mais de 61 mil civis.

Como o senhor imagina que a situação na RDC será nos próximos meses?

Como mencionei, estamos lidando com uma situação humanitária em crônica deterioração. Todas as provas indicam que há um aumento nos ataques diretos contra civis. A necessidade de assistência humanitária continuará a ser muito significativa e pode até aumentar. Também temos cada vez mais necessidade de obter acesso a populações em zonas mais remotas, que estão cada vez mais atingidas pela violência. Mas o que a população nas províncias de Kivu mais precisa neste momento é segurança. Nada é mais importante que isto.

Que tipo de apoio de longo prazo o CICV está oferecendo?

O CICV ajuda as comunidades e autoridades a lidar com as consequências do conflito armado através do restabelecimento dos laços familiares, projetos agrícolas e atividades de água e saneamento.

Estamos apoiando as pessoas deslocadas que querem voltar para suas casas e as comunidades que abrigam os deslocados, fornecendo sementes, instrumentos e abrigo. Em maio e junho, cerca de 42 mil pessoas em Kivu Norte receberam sementes e implementos agrícolas do CICV.

A organização está se esforçando particularmente para visitar as pessoas detidas em função do conflito armado no leste da RDC, e durante 2008 visitamos mais de 9 mil detidos em 32 locais de detenção em todo o país.

O diálogo que o CICV mantém com todas as partes no conflito é de extrema importância. Usamos este diálogo para sensibilizar as partes em relação às violações do DIH observadas pelas equipes do CICV no terreno e para garantir o acesso das pessoas com necessidade de assistência. Acredito que o nosso diálogo com todos os portadores de armas tenha um impacto, e é isto o que nos motiva seguir adiante.

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10-07-2009