Olivier Martin, vice-chefe de delegação do CICV na RDC
Qual é a situação humanitária em Kivu Norte e na cidade de Goma?
A situação humanitária é catastrófica para toda a população da região. Muitas pessoas tiveram de abandonar tudo o que tinham para fugir dos combates e até as mais básicas necessidades da população não estão sendo atendidas.
De acordo com nossas informações, as pessoas que estavam em Goma e nas imediações fugiram para Kivu Sul. Há informações de que outros fugiram da região de Rutshuru, indo para o norte em direção a Kanyabayonga, ao leste para Nyamilima e para o sul em direção aos campos de pessoas deslocadas em Kibati, nas redondezas de Goma. Outros fugiram ainda para os campos em Mugunga, a oeste de Goma, na estrada que vai para Sake.
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Pessoas fugindo do conflito em Kibuma, 27 de outubro de 2008
A situação em Goma estava mais calma na noite passada que nas outras. Há informações de que houve saques e tiros, mas parece que a situação está menos dramática que na noite de 29 de outubro, quando o hospital militar Katindo foi saqueado.
Esta calma relativa permitiu que a equipe do CICV no Congo retomasse o trabalho. Eles estão fazendo um trabalho notável, da mesma forma que os voluntários da Sociedade da Cruz Vermelha da República Democrática do Congo, que estão trabalhando em parceria com nossos funcionários, apesar de terem sido diretamente atingidos pela situação.
De que precisam as pessoas na região?
Nossa principal preocupação é com a segurança das pessoas que foram deslocadas, ou que ficaram presas em meio às zonas de conflito. Lembramos a todas as partes no conflito que, de acordo com o Direito Internacional Humanitário, as pessoas que não (ou que não mais) participam das hostilidades devem ser protegidas, e que os saques são proibidos.
Estamos particularmente preocupados com as pessoas que fazem parte dos grupos de alto risco, tais como as mulheres, os idosos e as crianças. Eles não têm nada; não têm atenção médica, água, comida e abrigo. Para piorar as coisas, todas essas pessoas espremidas em locais públicos sem nenhuma infra-estrutura ou água potável podem provocar doenças e epidemias.
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Pessoas deslocadas fazem fila para receber água em um campo improvisado perto de Kibati, 29 de outubro de 2008
Também temos de lembrar que essas pessoas são duas vezes vulneráveis.A maior parte já tinha ficado deslocada nos últimos meses, e agora perdeu tudo novamente.
O que o CICV está fazendo?
Nossa maior prioridade é a assistência emergencial para os feridos e os civis deslocados.
Ontem fornecemos material médico, remédios e outros suprimentos para os dois maiores hospitais de Goma, a fim de tratar dezenas de feridos que foram internados nos últimos dias.
Hoje, nossa equipe cirúrgica em Goma vai conduzir várias operações no hospital Katindo.
Uma prioridade é garantir que os deslocados tenham água potável. Hoje vamos instalar tanques de água potável para 10 mil deslocados em um campo em Kibati, perto de Goma.
Muitas pessoas fugiram da região de Rutshuru em direção a Kirumba, no norte. Elas também foram duramente atingidas pelos combates, e uma equipe do CICV vai para a cidade de Beni, na região de Lubero Sul, no norte da província de Kivu Norte. O CICV tem capacidade para distribuir comida para cerca de 20 mil pessoas nesta região, por duas semanas. Queremos distribuir o mais rápido possível – nos próximos dias, se a situação da segurança permitir.