Quarenta e seis médicos civis e militares participaram das sessões em Goma e em Bukavu, cujo objetivo era familiarizar o pessoal médico nas zonas de guerra com as técnicas de cirurgia de guerra. O treinamento também foi uma oportunidade para os especialistas discutirem dificuldades como as formas de se lidar com situações com numerosas vítimas.
"Os colegas com os quais temos trabalhado nos últimos dias têm que tratar de pacientes com tipos muito específicos de feridas. Não se ensina cirurgia de guerra nas faculdades de medicina – se aprende nas zonas de guerra", explicou Catherine Savoy, coordenadora de saúde do CICV na República Democrática do Congo. "É importante estarmos preparados para responder às emergências usando técnicas simples e comprovadas. Essas técnicas com frequência nos permitem salvar vidas e limitar o trauma e outras consequências de feridas de guerra".
O seminário foi uma oportunidade de o CICV compartilhar seus conhecimentos em cirurgia de guerra e discutir as regras do Direito Internacional Humanitário, que determina que todos devem ter acesso a cuidados médicos durante um conflito e que o pessoal médico deve poder trabalhar em segurança e sem impedimentos.
Cursos como esses são de particular relevância na parte oriental da República Democrática do Congo, que tem sofrido os efeitos de muitos anos de conflitos armados. Os centros médicos na região quase sempre trabalham sob condições muito difíceis. Apesar dos estragos que sofreram ao longo de mais de duas décadas de guerra, com frequência têm que lidar com repentino fluxo de vítimas.
O CICV apoia 14 centros médicos nas províncias de Kivu do Norte e do Sul, além de cinco centros de reabilitação física para vítimas de guerra.