O maior objetivo do CICV continuou sendo a proteção de civis do deslocamento arbitrário. Mesmo assim, as pessoas continuaram a ser deslocadas. Nesses casos, particularmente durante as crises graves, quando as necessidades essenciais não estavam mais sendo atendidas, o CICV trabalhou para reduzir o sofrimento dos mais gravemente atingidos, independente da duração da situação de deslocamento. Em situações como crises crônicas, onde os serviços e a infra-estrutura existentes não podiam atender às necessidades básicas de forma adequada, o objetivo do CICV foi apoiar os esforços para encontrar uma solução duradoura. Durante o ano de 2008, as parcerias do CICV com as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho demonstraram ser cruciais em vários países. As Sociedades Nacionais tiveram com frequência um papel importante para que se pudesse responder rapidamente às necessidades ou chegar aos moradores de regiões remotas.
Qualquer estratégia de proteção e assistência precisou ser flexível, de forma a levar em conta a grande diversidade de situações em que ocorre o deslocamento. Todas as escolhas e prioridades de ação foram, portanto, determinadas pelas necessidades, e refletem os Princípios Fundamentais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, de humanidade e imparcialidade em todas as situações:
- Grandes e repentinas crise humanitárias provocadas por conflito armado e outras situações de violência – tais como as que aconteceram em 2008 no Afeganistão, no leste da República Democrática do Congo, Geórgia, Quênia, Paquistão, Filipinas, Somália ou Sri Lanka; as crises precisavam de uma resposta urgente e maior coordenação entre os atores importantes para que as pessoas que já estavam deslocadas, frequentemente em comunidades hospedeiras, pudessem ser apoiadas, e outras pudessem ser poupadas do mesmo destino;
- As escaladas nos combates também atingiram os civis e provocaram deslocamento populacional em países como Burundi, República Centro Africana, Níger (região norte), Mali, Nigéria, África do Sul, Iêmen e Zimbábue;
- Conflitos ou situações de violência de longa duração – tais como os que atingem certas regiões do Chade, Colômbia, Guiné Bissau, Iraque, Senegal ou Sudão – nas quais populações já frágeis foram deixadas totalmente destituídas, ou em que os deslocados se estabeleceram de forma permanente ao invés de voltarem para casa;
- Necessidades humanitárias nos chamados conflitos “congelados” e nas situações de pós-conflito – tais como Azerbaijão, Chechênia, Costa do Marfim, Eritréia, Etiópia, Indonésia, Libéria, Nepal e Uganda – em que o apoio das agências humanitárias ainda se faz necessário muito depois que o auge da violência passou, e os deslocados e retornados precisam de proteção e assistência;
- Tragédias naturais que atingem populações já vulneráveis – tais como Mianmar, Nepal, Paquistão e Somália.
No mundo todo, cerca de 3,77 milhões de deslocados internos se beneficiaram das atividades humanitárias do CICV [1] em 36 países [2]. De janeiro a maio de 2009, o CICV conduziu atividades humanitárias em benefício de cerca 1,4 milhão de deslocados internos em todo o mundo.
Mais informações:
2008 Annual Report e War and Displacement.
Notas
1. Esses números não incluem todos os países nos quais o CICV conduziu atividades destinadas a restabelecer contatos familiares e, portanto, não abrangem todos os casos individuais que foram tratados.
2. África: Burundi, República Centro Africana, Chade, República Democrática do Congo, Eritréia, Etiópia, Costa do Marfim, Quênia, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Somália, África do Sul, Sudão, Uganda, Zimbábue. Ásia e Pacífico: Afeganistão, Índia, Indonésia, Mianmar, Nepal, Paquistão, Filipinas, Sri Lanka. Europa e Américas: Azerbaijão, Colômbia, Geórgia, Panamá, Peru, Federação Russa (Chechênia), Sérvia/Montenegro-Kosovo. Oriente Médio e norte da África: Iraque, Líbano, Iêmen.
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©ICRC / A. Majeed / PK-E-00635
Província da Fronteira Noroeste, Mardan, Norte de Peshawar (Paquistão).
Campo para deslocados da Agência de Bajaur.
©ICRC / A. Gutman / PH-E-00154
Mindanao, província de Maguindanao, Filipinas. CICV distribui alimentos
para deslocados.
©ICRC / S. Brack / CD-E-00854
Bweremana, Goma, República Democrática do Congo. CICV distribui alimentos
para cerca de 7 mil deslocados.
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