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English title: Lebanon: after years in jail, Mahmoud returns home and finds love
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1-05-2009  Reportagem  
Líbano: depois de anos na prisão, Mahmoud volta para casa e encontra o amor
Depois de 15 anos em uma prisão indiana, Mahmoud volta para sua família palestina no Líbano. Ele pôde começar uma vida nova e se lembra com carinhos dos delegados do CICV que lhe abriram uma "janela para a esperança".

©ICRC/VII/ F. Pagetti/v-p-lb-e-01126
Mahmoud, que passou 15 anos em uma prisão indiana, está de volta agora a um campo de refugiados no Líbano.


A história de Mahmoud é inusitada – mesmo para os padrões de uma pessoa que nasceu em uma família de refugiados palestinos no Líbano. A guerra civil originou um exílio duplo, seguido de um longo período na prisão. Hoje, aos 51 anos, Mahmoud está de volta ao campo de refugiados no sul do Líbano e relembra sua movimentada vida.

“Eu estava indo ao dentista, perto de Srinagar, quando o exército indiano me prendeu", diz Mahmoud. Essa não era a ideia que tinha quando entrou no território da Caxemira administrada pela Índia em 1986. “Eu era apenas um imigrante tentando conseguir um trabalho para sobreviver”, lembra.

Como todo jovem no início dos anos 80, ele já havia buscado uma vida nova na Alemanha, quando o Líbano foi tragado pela guerra civil. A Caxemira seria sua próxima parada. “Por ser estrangeiro, eu me destacava”, diz, explicando porque foi recrutado por um grupo armado que combatia as autoridades indianas.

Sua consequente prisão o levou a passar 15 anos atrás das grades, suspeito de ser um "combatente estrangeiro". E foi assim que Mahmoud conheceu o CICV, na prisão de Nova Déli. “Já é bastante difícil ser um estrangeiro. Imagine então como é difícil ser um prisioneiro estrangeiro, milhares de quilômetros longe da família”, acrescenta. Enquanto ele fala, sua esposa Atidal, com seu rosto jovem e alegre emoldurado por um hijab azul, serve café e muitos doces caseiros para as visitas.

Uma janela para a esperança

©ICRC/VII/ F. Pagetti/v-p-lb-e-01116
Campo palestino de Maachouk, Tyre. Mahmoud e sua esposa.


Neste terrível vazio, esses delegados do CICV “que vinham de muitos países” lhe davam mais do que apoio moral – eles se tornaram “verdadeiros amigos”. “Sentia como se alguém se preocupasse comigo e cuidasse de mim quando todos pareciam ter me esquecido”, lembra.

Quando uma visita era anunciada, “eu limpava minha cela para recebê-los como receberia meus amigos. Eles sabiam como era a vida na prisão e por isso me entendia e me faziam sentir como se eu existisse. Essas visitas eram minha esperança”.

E foi o CICV que tomou as providências necessárias para Mahmoud voltar para o Líbano depois que ele tinha sido liberado. Isso aconteceu finalmente em maio de 2007, mais de 25 anos depois de ele ter saído do país pela primeira vez.

No campo de refugiados de Maachouk, perto de Tyre, ele encontrou um pai que “tinha perdido o juízo” e que morreu poucos meses depois. A mãe de Mahmoud já havia morrido, apesar de seu maior desejo. “Sempre que eu a visitava, ela me dizia que rezava para ainda estar viva quando seu filho voltasse”, diz Riad Dbouk, encarregado de terreno do CICV que regularmente mantinha a família informada sobre Mahmoud durante o período em que ele esteve preso.

Apoio da família

Diante de tais circunstâncias, poderia se esperar que Mahmoud fosse um homem amargo e infeliz. Mas, ao contrário, ele é muito otimista quanto a sua nova vida, o que ele atribui ao constante apoio da família. “Al Hamdullilah (graças a Deus) quando voltei para casa encontrei toda a minha família”, diz em um inglês com sotaque indiano, pontuado por uma risada tímida, mas calorosa. “Tenho a sensação de que todos me amam, meu irmão, minha irmã. Eles faziam coisas comigo, saíam comigo, para me fazer esquecer o tempo que passei preso e meus problemas”.

Apesar de sua saúde frágil, enfraquecida pelos 15 anos que passou preso, Mahmoud consegue sustentar-se como um trabalhador diarista. Mas o ponto principal de sua nova vida é, sem dúvida, Atidal, sua sorridente esposa, que atende os visitantes na diminuta sala de estar do casal.

Pão e azeitonas

©ICRC/VII/ F. Pagetti/v-p-lb-e-01125
Aldeia de Terharfa. Mahmoud teve a sorte de encontrar um emprego e agora trabalha em um bosque de azeitonas.


Outras mulheres, diz seu marido, teriam pedido um dote ou um presente tradicional, como uma joia. “Ela não me pede nada. Ela diz: 'Viveremos de pão e azeitonas, não quero nada'".

Atidal era uma pobre órfã, diz Mahmoud com carinho. Até que “me conheceu. Agora, sou o pai e a mãe dela, sou tudo para ela”. E ela, por sua vez, “me ajudou muito na vida, a ser feliz, a esquecer as coisas ruins, a seguir com a vida”.

O casal trouxe o pouco que tinham para a casa que agora dividem com os irmãos de Mahmoud – o mesmo lugar onde ele nasceu. Eles esperam ter filhos. Para Mahmoud, não existe motivo para viver em um passado amargo. “É muito melhor começar do presente", diz. Ele ri, timidamente, e uma calorosa luz surge em seus olhos.

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