30-11-2006 Conferência de imprensa Iraque: civis continuam pagando o alto preço do conflito Mais de 7.000 civis foram mortos no Iraque desde setembro de 2006, numa média de mais de cem mortes por dia. Em conferência de imprensa, em Genebra, o chefe das operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para o Oriente Médio e o Norte da África, Georges Comnios, descreveu a realidade diária dos civis iraquianos e os esforços do CICV para assistir e proteger as vítimas. "Carros bomba, explosões, abduções e assassinatos tornaram-se lugar comum. Claramente, os civis estão pagando o preço mais alto do conflito", disse Comnios. A insegurança torna difícil o acesso da população civil aos serviços essenciais como assistência médica, água e eletricidade. Comnios esteve recentemente no Iraque e pôde ver pessoalmente como a vida se tornou difícil. "Hoje é raro encontrar uma família iraquiana que tenha sido poupada. O medo de ser morto, raptado ou tornar-se um refugiado em seu próprio país está sempre presente. Mesmo estando em casa, a segurança nunca está garantida". De acordo com estimativas da Sociedade do Crescente Vermelho Iraquiano, mais de 42.000 famílias foram deslocadas desde fevereiro de 2006. Frente a este quadro, a maior prioridade do CICV tem sido a proteção da população civil. Comnios disse que o CICV continua fortemente comprometido em assegurar que as necessidades mais urgentes da população civil iraquiana sejam atendidas, apesar das sérias preocupações em termos de segurança, que limitam a presença da organização em terreno e seus movimentos pelo país. Comnios ressaltou algumas das poucas iniciativas da organização nos últimos três meses. O CICV forneceu suprimentos médicos e cirúrgicos para hospitais das maiores cidades iraquianas na tentativa de ajudá-los a lidar com o maior fluxo de feridos, além de auxiliar os institutos médicos legais através do país a aumentar suas capacidades em manejar os corpos. O CICV, em cooperação com a Sociedade do Crescente Vermelho Iraquiano, também entregou ajuda emergencial na forma de comida e itens essenciais para 14.000 famílias deslocadas, além de ajudar outras 15.000 famílias até o fim do ano. A assistência, entretanto, "não importa quão grande seja, é só uma pequena parte das imensas necessidades enfrentadas", disse Comnios. Ele concluiu lembrando as partes engajadas na violência que não importa a complexidade dos temas que envolvem o conflito iraquiano, "é inaceitável e contrário aos mais básicos princípios de humanidade e da lei fazer de alvo as pessoas que não participam das hostilidades. Tanto atores estatais quanto não-estatais estão sujeitos a estas normas". "O CICV, mais uma vez, chama as partes em conflito a respeitarem as normas do Direito Internacional Humanitário, poupando civis e bens civis. A organização também urge os beligerantes para que estes façam uso de sua influência política e moral chamando ao respeito à vida e à dignidade humanas". |