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English title: Gaza: still no ICRC access to Gilad Shalit
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11-12-2008  Entrevista  
Gaza: CICV ainda não tem acesso a Gilad Shalit
Já se passaram quase 900 dias desde que o soldado israelense Gilad Shalit foi capturado por facções armadas palestinas em Gaza. Até o momento, os esforços do CICV para visitá-lo e estabelecer contato entre ele e sua família não tiveram sucesso. Pierre Wettach, chefe da delegação do CICV em Israel e territórios ocupados, explica.

Pierre Wettach
O que o CICV tem feito para conseguir acesso a Gilad Shalit e descobrir o que lhe aconteceu?

Primeiro, gostaria de expressar minha solidariedade para com a família de Gilad Shalit. Por estar em constante contato com famílias em situação semelhante em todo o mundo, esperando notícias de seus entes queridos, nós do CICV estamos cientes da angústia e raiva que sentem.

Desde que Gilad Shalit foi capturado por facções armadas palestinas em 25 de junho de 2006, trabalhamos duro para ter acesso a ele. Repetidamente, lembramos aos que o detém sobre suas obrigações legais, apelamos a eles tanto publicamente quanto através de nossos contatos diretos, para que o tratem com humanidade.

O CICV já pediu, repetidas vezes, permissão para visitar Gilad Shalit e transmitir-lhe notícias de sua família. No início de novembro, a organização solicitou ao Hamas que lhe enviasse milhares de cartas e cartões de várias organizações, pessoas e crianças de escolas. Infelizmente, todos os pedidos foram recusados.

Embora, até o momento, nossas tentativas não tenham sido bem sucedidas, continuaremos a fazer tudo que podemos para obter informações sobre as condições de Gilad Shalit, para conseguir contato direto com ele e estabelecer contato entre ele e sua família. Gostaríamos de encontrá-lo a sós para fazer uma avaliação independente das condições nas quais tem sido mantido e de seu estado de saúde.


Que ações concretas o CICV realizou até o momento?

O assunto continua sendo abordado nas reuniões de alto escalão com o Hamas. Estamos buscando um diálogo entre todos os envolvidos, já que acreditamos que é essencial para alcançar algum avanço. Temos que falar com quem detém o destino de uma pessoa nas mãos para poder ajudar essa pessoa.

Também temos mantido contato regular com a família de Gilad Shalit, informando a seus parentes e às autoridades pertinentes sobre o que temos feito. No verão passado, seus pais, Noam e Aviva Shalit, compartilharam seus pensamentos e emoções em uma entrevista que foi postada na nossa página na internet.

Que problemas o CICV enfrenta no trabalho em prol de Gilad Shalit e de outros detidos ou desaparecidos?

Há limites com relação ao que podemos fazer ou sobre quais são as leis humanitárias internacionais que nos apóiam quando se trata de visitar pessoas detidas ou para saber o que vai acontecer com as pessoas que desaparecem em conflitos armados.

No caso de Gilad Shalit, lamentamos o fato de as considerações políticas terem pesado mais que as preocupações humanitárias e o respeito aos princípios humanitários, tornando praticamente impossível ajudar a ele e a sua família.

Como uma organização humanitária, temos influência limitada nesses assuntos. Tudo que podemos fazer é lembrar a quem controla a situação quanto a sua obrigação de agir de acordo com o espírito e o Direito Humanitário Internacional (DIH). As partes envolvidas em um conflito armado - sejam elas grupos governamentais ou não - devem apoiar o DIH.

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11-12-2008