A pesquisa foi encomendada pelo CICV para marcar o aniversário de 60 anos das Convenções de Genebra, que protegem as pessoas que não participam ou deixaram de participar das hostilidades. As Convenções de Genebra são a pedra fundamental do Direito Internacional Humanitário, também conhecido como Direito do Conflito Armado. Todos os Estados no mundo – inclusive Israel – são parte das Convenções de Genebra.
Foram entrevistadas quinhentas pessoas na pesquisa realizada pelo Grupo Geocartography Knowledge. O CICV também realizou uma pesquisa de opinião semelhante em oito países afetados por conflito armado ou outro tipo de violência para medir os pontos de vistas da população com relação aos princípios essenciais do Direito Internacional Humanitário.
“Parece que muitos israelenses acreditam as vítimas civis são inevitáveis. No entanto, quando são apresentados a cenários específicos, a maioria acredita que há limites para o que é permitido na guerra”, disse Pierre Wettach, chefe da delegação do CICV em Israel e Territórios Palestinos Ocupados.
Apenas pouco mais da metade dos entrevistados (52,6%) pensa que privar os civis de remédios, alimentos ou água é estritamente proibido. Mais de um terço (36,3%) diz que os ataques a instituições médicas, religiosas e educacionais são estritamente proibidos. As opiniões se dividem quanto a se é permitido evitar contato com parentes separados pelo combate como meio de enfraquecer o inimigo: 29,8% acreditam que é permitido, 28,1% acreditam que é estritamente proibido e 36,3% acreditam que é proibido, mas que à vezes não resta opção.
Quando perguntados por que os combatentes atacariam ou feririam de outra maneira os civis, embora isso seja proibido, quase metade dos entrevistados (49,1%) disse que os combatentes têm de proteger suas próprias vidas e as vidas de seus companheiros combatentes. Na mesma linha, mais de um quarto dos entrevistados (28,6%) acredita que, em uma situação de combate, um combatente deve atirar em uma pessoa que se aproxima dele, mesmo se não tiver certeza de que essa pessoa é um civil desarmado ou um combatente inimigo.
Foi pedido que os entrevistados que acreditam que certas ações estão estritamente proibidas em tempos de guerra se justificassem. Apenas pouco mais da metade disse que as ações eram contra os direitos humanos e 32% que elas eram contra seus valores e princípios pessoais. Apenas sete por cento citaram as Convenções de Genebra como a razão pela qual certas ações são proibidas.
A pesquisa também mostra que enquanto oito entre dez israelenses (82,1%) conhecem as Convenções de Genebra, quase metade (46,2%) acredita que os tratados não fazem diferença em termos que evitar que o pior aconteça.
“A lacuna que existe entre o conhecimento das regras e a percepção do impacto talvez seja uma indicação de que as pessoas querem ver mais respeito à implementação do Direito”, disse Wettach. “Continuaremos nossos esforços para promover a compreensão dos instrumentos do Direito Internacional Humanitário e o respeito aos mesmos, incluindo as Convenções de Genebra, mas é responsabilidade das autoridades políticas e das forças e dos grupos armados defenderem o Direito e garantir que até mesmo as guerras têm limites”.
Mais informações:
Yael Segev-Eytan, CICV Tel Aviv, tel: +972 0522757517 (hebraico)
Iris Meierhans, CICV Jerusalém, tel: +972 52 601 91 49 ou +972 259 17 900
Veja também:
Resultados da pesquisa sobre as Convenções de Genebra realizada em Israel.
Documentos em hebraico
Resultados da pesquisa do CICV realizado em oito países afetados pela guerra.