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8-01-2008  Informe especial  
Quênia: deslocados encaram um futuro incerto
Milhares de pessoas deslocadas estão de mudança no Quênia, estão deixando a cidade de Nairobi e região, para centros mais ao sul e leste. A Cruz Vermelha do Quênia, com a ajuda do CICV, está fornecendo comida e ajuda material. Informa Bernard Barret

"Eu moro aqui há 27 anos,” diz David Kibaara. “Minha esposa veio há 15 anos e desde então fomos construindo uma vida e uma casa aqui. Agora, o único que nos resta são estas três sacolas.” David, sua esposa e duas de suas crianças estão esperando no aeroporto de Kisumu para tomar um avião que os leve para fora da região depois da violência resultante das eleições do dia 27 de dezembro no Quênia.

Três dias após o pior dos tumultos, o centro comercial de Kisumu está cheio de vidro quebrado, edifícios queimados e longas filas de pessoas em algumas poucas lojas que ainda continuam abertas. “Tudo foi destruído por um saqueio fanfarrão,” explica John da sucursal de Kisumu da Cruz Vermelha do Quênia. “As lojas foram atacadas devido às propagandas que elas tinham, e não somente devido às origens étnicas dos donos.”

A Cruz Vermelha do Quênia contou mais de 350 pessoas que se refugiaram nos três campos da cidade de Kisumu. Muitas das pessoas que deixaram suas casas em Kisumu são empresários, profissionais e outros que tinham se estabelecido na região por trabalho. Alguns sonham em voltar mais tarde, mas outros dizem que estão saindo para sempre.

Quando as forças de segurança desmancharam as barreiras colocadas pelas gangues locais, mais pessoas vindas de regiões mais afastadas chegaram aos campos, enquanto aqueles que possuíam meios de sair por ar ou terra, foram para outras regiões do país.

Na cidade de Kakamega, norte de Kisumu, mais de mil pessoas estão acampadas numa área ao redor da delegacia. Caminhões estacionados por perto contêm o que eles conseguiram salvar, já outras famílias estão morando nos Matutus, os mini-ônibus usados para o transporte público no Quênia. Um grande número de pessoas deixou Kakamega mais cedo e aqueles que ficaram estão hesitantes porque têm medo de viajar ou porque se recusam a abandonar o que resta de suas casas e propriedades.

“A maioria das pessoas deslocadas estão mudando para centros maiores mais ao sul e leste,” explica Pascal Cuttat, o chefe da Delegação Regional do CICV em Nairobi. “Com a Cruz Vermelha do Quênia, nossas pessoas em campo estão monitorando com atenção estas mudanças para determinar que tipo de assistência será necessária e onde deverá ser entregada.”

A Cruz Vermelha do Quênia com a ajuda do CICV já forneceu comida em algumas áreas tais como Eldoret, Nakuru e nos bairros pobres de Nairobi. E mais material está sendo entregue.

“Também devemos ajudar a unir novamente as famílias que foram separadas,” diz Cuttat, “e onde houver grande contingente de pessoas deslocadas, teremos que assegurar meios de fornecimento de água e saneamento adequados. Alguns precisarão de itens básicos de moradia, como cobertores, mosquiteiros e panelas. Nós também estamos assegurando que a ajuda médica seja fornecida adequadamente.”

Uma equipe cirúrgica do CICV foi colocada à disposição do Ministro da Saúde e está atualmente trabalhando no hospital de Eldoret, fazendo operações e ajudando os oficiais do hospital a se organizarem para melhor responder à crise.

“Mesmo se toda a tensão presente desaparecer, muitas pessoas precisarão de ajuda por meses, porque suas casas e possessões foram destruídas, ou porque eles decidiram reconstruir suas vidas em outras regiões,” conclui Cuttat.

©ICRC/B. Barrett/ke-e-00148
David e Connie Kibaara com dois de seus filhos e com o que resta de seus pertences, no aeroporto de Kisumu.
©ICRC/B. Barrett/ke-e-00149
Famílias que abandonaram suas casas juntam seus pertences em uma cozinha improvisada em um acampamento para deslocados na cidade de Kakamega.
©ICRC/B. Barrett/ke-e-00150
Pessoas deslocadas abandonam o acampamento de Kakamega em Matatu, no oeste do Quênia.

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