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Gulmira Kalmambetova (de pé), chefe do programa contra a tuberculose do CICV em Bishkek com Elzat Turalieva, chefe do laboratório no presídio Colônia 27.
Muitas pessoas não sabem bem o que é a tuberculose (TB) e como se transmite. A senhora poderia fazer uma breve descrição dessa doença?
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Quiriguistão: TB atrás das grades(em inglês)
A tuberculose é uma infecção que afeta principalmente os pulmões. Os sintomas incluem tosse persistente, expectoração de sangue, perda de peso, suores noturnos e febre. A bactéria que causa essa doença é transmitida de pessoa para pessoa pelas gotículas quando uma pessoa infectada espirra ou tosse. Uma pessoa saudável só pode ser infectada por meio de contato muito próximo com um doente – por exemplo, ao viver com essa pessoa no mesmo ambiente por um longo período de tempo.
A maioria das pessoas vê a tuberculose como uma sentença de morte. Essa doença é realmente incurável?
Existem antibióticos que, se administrados adequadamente, são eficazes no tratamento e na cura dessa doença. A tuberculose normalmente progride devagar e pode levar semanas, meses e até anos para se desenvolver. Sem tratamento, na maioria dos casos, ela se torna fatal.
Em geral, a tuberculose é tratada com quatro remédios por um período de seis a nove meses. Em alguns casos, pode-se desenvolver a resistência a um remédio em particular devido ao tratamento que foi interrompido ou que era inadequado, ou devido à transmissão direta por uma pessoa que já havia desenvolvido uma resistência a essa doença. Nesse estagio, o tratamento convencional se torna ineficaz.
Dois remédios são considerados a "espinha dorsal" do tratamento, porque matam a bactéria. Quando existe a resistência a esses dois remédios, chamamos de tuberculose resistente a múltiplas drogas (em inglês, MDR-TB). Ao mesmo tempo em que a tuberculose MDR pode ser tratada, o tratamento é longo, complexo e caro.
Qual é a situação atual da TB no Quirguistão?
O Quirguistão está entre os países com os mais altos índices de incidência de TB. A situação é particularmente alarmante em centros de detenção, nos quais a tuberculose chega a ser 40 vezes mais comum do que fora dos muros da prisão. Em geral, isso se deve à superlotação, à ventilação inadequada, à falta de conhecimento de medidas preventivas e à não-adesão ao tratamento. A falta de alimentação enfraquece os detentos, fazendo com que se tornem mais vulneráveis à doença.
Como o problema da TB está sendo abordado e qual é o papel do CICV?
Várias organizações estão envolvidas nos esforços para combater a TB no Quirguistão. O país está incluído no Programa "Stop TB" da Organização Mundial de Saúde (OMS). Além disso, o Fundo Mundial de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária apóiam o programa nacional do Quirguistão contra a TB, oferecendo tratamento para todos que sofrem desta doença.
Uma das principais conquistas do CICV é o programa de tratamento da tuberculose resistente a múltiplas drogas no hospital penitenciário da Colônia 27 – um presídio com muitos internos que sofrem com essa doença. Como parte do programa, implementado em cooperação com os Ministérios da Saúde e da Justiça, os detentos que descobriram que sofriam da forma MDR da doença foram transferidos para o hospital, onde recebem um tratamento recomendado pela OMS conhecido como DOT-Plus. Ademais, o CICV coopera com a Médicos Sem Fronteiras, que também trabalha ativamente no tratamento da tuberculose.
Em colaboração com a OMS, o CICV fornece treinamento médico contínuo para a equipe médica que trabalha nas instalações para tuberculose dentro e fora dos presídios. O CICV, o Crescente Vermelho do Quirguistão e outras organizações, como Project Hope, trabalham juntas prestando assistência social, especialmente, aos detentos liberados.
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Um paciente toma o remédio na presença de Ryskul Cholusheva, diretor médico no terreno do CICV de Bishkek.
O que o CICV faz na Colônia 27 e por que nesta penitenciária em particular?
Em 2004, o CICV começou a melhorar as instalações médicas e sanitárias na Colônia 27 como parte da contribuição para a estratégia nacional contra a TB.
Em novembro de 2008, a organização começou a instalar um novo sistema de calefação na colônia. Em dezembro, o hospital dentro da colônia já estava equipado com o sistema de calefação e, em janeiro, o sistema havia sido estendido para o ambulatório e duas áreas de convivência. O novo sistema, composto por 200 radiadores e cerca de 1.500 metros de canos, funciona a carvão ou eletricidade. A organização também instalou uma área para a assistência aos detentos com a doença em estágio terminal ou que tenha recusado o tratamento.
Ao longo dos anos, o CICV doou uma quantidade importante de equipamentos médicos novos e remédios para a penitenciária.
Uma das razões pelas quais o CICV se concentra na Colônia 27 é que todos os 100 internos contraíram a tuberculose em sua forma resistente a múltiplas drogas. A menos que sejam tratados com eficácia, eles podem ser uma ameaça à saúde pública em uma comunidade maior, já que as pessoas disseminam o bacilo da TB ao entrar e sair constantemente da penitenciária.
Qual é o objetivo a longo prazo do CICV dentro do programa?
O CICV está ajudando a garantir que o sistema penitenciário tenha instalações médicas, remédios, equipamentos e conhecimento para diagnosticar e tratar todos os internos que sofrem de tuberculose de maneira adequada e sustentável. Isso está diretamente relacionado com a melhora nas condições de vida dos presidiários.
Para ajudar a controlar a crescente incidência de TB resistente a múltiplas drogas, é fundamental que as pessoas que sofram de tuberculose completem o tratamento. Por isso, o CICV enfatiza a melhoria na assistência social para os detentos que foram liberados para assegurar que eles continuem e completem o tratamento contra a TB nos estabelecimentos fora do sistema penitenciário.