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English title: Kyrgyzstan: managing tuberculosis
kyrgyzstan-interview-230309
23-03-2009  Entrevista  
Quirguistão: cuidando da tuberculose
A tuberculose é uma das principais causas de morte no Quirguistão, sobretudo nas penitenciárias, onde os índices de infecção são aproximadamente 40 vezes mais altos do que na população geral. Gulmira Kalmambetova, do CICV, explica como a organização está ajudando a conter a disseminação dessa doença.

©ICRC
Gulmira Kalmambetova (de pé), chefe do programa contra a tuberculose do CICV em Bishkek com Elzat Turalieva, chefe do laboratório no presídio Colônia 27.


Muitas pessoas não sabem bem o que é a tuberculose (TB) e como se transmite. A senhora poderia fazer uma breve descrição dessa doença?

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Quiriguistão: TB atrás das grades(em inglês)


A tuberculose é uma infecção que afeta principalmente os pulmões. Os sintomas incluem tosse persistente, expectoração de sangue, perda de peso, suores noturnos e febre. A bactéria que causa essa doença é transmitida de pessoa para pessoa pelas gotículas quando uma pessoa infectada espirra ou tosse. Uma pessoa saudável só pode ser infectada por meio de contato muito próximo com um doente – por exemplo, ao viver com essa pessoa no mesmo ambiente por um longo período de tempo.

A maioria das pessoas vê a tuberculose como uma sentença de morte. Essa doença é realmente incurável?

Existem antibióticos que, se administrados adequadamente, são eficazes no tratamento e na cura dessa doença. A tuberculose normalmente progride devagar e pode levar semanas, meses e até anos para se desenvolver. Sem tratamento, na maioria dos casos, ela se torna fatal.

Em geral, a tuberculose é tratada com quatro remédios por um período de seis a nove meses. Em alguns casos, pode-se desenvolver a resistência a um remédio em particular devido ao tratamento que foi interrompido ou que era inadequado, ou devido à transmissão direta por uma pessoa que já havia desenvolvido uma resistência a essa doença. Nesse estagio, o tratamento convencional se torna ineficaz.

Dois remédios são considerados a "espinha dorsal" do tratamento, porque matam a bactéria. Quando existe a resistência a esses dois remédios, chamamos de tuberculose resistente a múltiplas drogas (em inglês, MDR-TB). Ao mesmo tempo em que a tuberculose MDR pode ser tratada, o tratamento é longo, complexo e caro.

Qual é a situação atual da TB no Quirguistão?

O Quirguistão está entre os países com os mais altos índices de incidência de TB. A situação é particularmente alarmante em centros de detenção, nos quais a tuberculose chega a ser 40 vezes mais comum do que fora dos muros da prisão. Em geral, isso se deve à superlotação, à ventilação inadequada, à falta de conhecimento de medidas preventivas e à não-adesão ao tratamento. A falta de alimentação enfraquece os detentos, fazendo com que se tornem mais vulneráveis à doença.

Como o problema da TB está sendo abordado e qual é o papel do CICV?

Várias organizações estão envolvidas nos esforços para combater a TB no Quirguistão. O país está incluído no Programa "Stop TB" da Organização Mundial de Saúde (OMS). Além disso, o Fundo Mundial de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária apóiam o programa nacional do Quirguistão contra a TB, oferecendo tratamento para todos que sofrem desta doença.

Uma das principais conquistas do CICV é o programa de tratamento da tuberculose resistente a múltiplas drogas no hospital penitenciário da Colônia 27 – um presídio com muitos internos que sofrem com essa doença. Como parte do programa, implementado em cooperação com os Ministérios da Saúde e da Justiça, os detentos que descobriram que sofriam da forma MDR da doença foram transferidos para o hospital, onde recebem um tratamento recomendado pela OMS conhecido como DOT-Plus. Ademais, o CICV coopera com a Médicos Sem Fronteiras, que também trabalha ativamente no tratamento da tuberculose.

Em colaboração com a OMS, o CICV fornece treinamento médico contínuo para a equipe médica que trabalha nas instalações para tuberculose dentro e fora dos presídios. O CICV, o Crescente Vermelho do Quirguistão e outras organizações, como Project Hope, trabalham juntas prestando assistência social, especialmente, aos detentos liberados.

©ICRC
Um paciente toma o remédio na presença de Ryskul Cholusheva, diretor médico no terreno do CICV de Bishkek.


O que o CICV faz na Colônia 27 e por que nesta penitenciária em particular?

Em 2004, o CICV começou a melhorar as instalações médicas e sanitárias na Colônia 27 como parte da contribuição para a estratégia nacional contra a TB.

Em novembro de 2008, a organização começou a instalar um novo sistema de calefação na colônia. Em dezembro, o hospital dentro da colônia já estava equipado com o sistema de calefação e, em janeiro, o sistema havia sido estendido para o ambulatório e duas áreas de convivência. O novo sistema, composto por 200 radiadores e cerca de 1.500 metros de canos, funciona a carvão ou eletricidade. A organização também instalou uma área para a assistência aos detentos com a doença em estágio terminal ou que tenha recusado o tratamento.

Ao longo dos anos, o CICV doou uma quantidade importante de equipamentos médicos novos e remédios para a penitenciária.

Uma das razões pelas quais o CICV se concentra na Colônia 27 é que todos os 100 internos contraíram a tuberculose em sua forma resistente a múltiplas drogas. A menos que sejam tratados com eficácia, eles podem ser uma ameaça à saúde pública em uma comunidade maior, já que as pessoas disseminam o bacilo da TB ao entrar e sair constantemente da penitenciária.

Qual é o objetivo a longo prazo do CICV dentro do programa?

O CICV está ajudando a garantir que o sistema penitenciário tenha instalações médicas, remédios, equipamentos e conhecimento para diagnosticar e tratar todos os internos que sofrem de tuberculose de maneira adequada e sustentável. Isso está diretamente relacionado com a melhora nas condições de vida dos presidiários.

Para ajudar a controlar a crescente incidência de TB resistente a múltiplas drogas, é fundamental que as pessoas que sofram de tuberculose completem o tratamento. Por isso, o CICV enfatiza a melhoria na assistência social para os detentos que foram liberados para assegurar que eles continuem e completem o tratamento contra a TB nos estabelecimentos fora do sistema penitenciário.

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23-03-2009