29-05-2009 Reportagem O ortopedista e seu menino No sul do Líbano, um técnico em ortopedia ajuda as vítimas de bombas cluster a se recuperarem. Um de seus pacientes com maior sucesso tinha apenas 11 anos e perdeu as duas pernas.
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Muhammad foi gravemente ferido por uma sub-bomba cluster quando tinha 12 anos.
“Meu pai se feriu e eu caí da moto em um buraco e lembro que algo explodiu". A detonação de uma bomba cluster fez com que o corpo de Muhammad se incendiasse. "Um cachorro me ajudou, me puxando pelo casaco até o rio. Os voluntários (da Cruz Vermelha) me tiraram do rio. Lembro que minhas pernas estavam se despedaçando". Ele lembra também que lhe implorava que cuidasse de seu pai, que estava caído perto dali e que já estava sendo tratado pela equipe de primeiros socorros.
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Tyre. Muhammad no centro de reabilitação do dr. Bassam M. Singer, em Saida.
Antes de Muhammad ir à oficina ortopédica de Bassam Singer, em Saida, ele já havia passado por várias cirurgias e longas sessões de fisioterapia. Mas o técnico já estava a seu lado, visitando-o no campo palestino de Rashidiyyeh, próximo à cidade de Tyre, mais ao sul. Os Moussas são uma das muitas famílias palestinas refugiadas no Líbano. Uma vez que as cirurgias haviam terminado, começou o trabalho no centro ortopédico. Com muito esforço: o menino tinha que treinar quatro horas por semana. Mas ele o fez, para satisfação de seu mentor. “Por natureza, Muhammad é uma pessoa que coopera com facilidade. Ele tinha muita força de vontade e melhorou rápido. Na última etapa, ele já conseguia subir escadas sozinho", acrescenta Singer.
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Muhammad indo para o centro de reabilitação do dr. Bassam M. Singer em Saida.
Por ora, Muhammad deve ficar em casa. A escola mantida pela agência ONU para assistência aos palestinos (em inglês, UNRWA) não tem instalações para crianças deficientes em seu campo. Seus pais são muito pobres - seu pai não pode trabalhar e a família depende do trabalho de limpeza que a mãe de Muhammad faz – e não podem pagar por uma estrutura privada. Mas Muhammad continua com esperança. "A coisa mais importante para mim é que eu possa receber educação e trabalhar", afirma ele, com um olhar ansioso no rosto. |