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Ajude as vítimas da guerra: faça hoje uma doação ao CICV!
English title: Lebanon: the orthopaedist and his boy
lebanon-feature-290509
29-05-2009  Reportagem  
O ortopedista e seu menino
No sul do Líbano, um técnico em ortopedia ajuda as vítimas de bombas cluster a se recuperarem. Um de seus pacientes com maior sucesso tinha apenas 11 anos e perdeu as duas pernas.

©ICRC/VII/Franco Pagetti/v-p-lb-e-01099
Muhammad foi gravemente ferido por uma sub-bomba cluster quando tinha 12 anos.


Foi no momento mais terrível da curta existência de Muhammad Hajj Moussa que sua vida cruzou com a de Bassam Singer. “Comecei a visitar Muhammad logo depois de seu acidente. Tivemos que trabalhar seu ânimo antes de trabalhar seus membros, porque ele estava deprimido e muito triste", relembra com carinho o técnico em ortopedia. Muhammad se senta a seu lado em silêncio.

Para Muhammad, não é nada fácil falar do "dia" em que sua vida foi sua vida se mergulhou em desespero. Ele conta com frases muito curtas antes de terminar em lágrimas silenciosas. Foi no dia 11 de agosto de 2006, apenas 13 dias antes de seu aniversario de 12 anos. "Fui com meu pai levar comida para umas pessoas que estavam presas em Smaiya", diz resumidamente.

A guerra devastava o sul do Líbano. O homem na moto e seu filho tinham a impressão de que havia algum cessar-fogo e, portanto, se sentiam relativamente seguros. Foi antes de a moto se chocar contra um obstáculo na estrada.

"Algo explodiu"

“Meu pai se feriu e eu caí da moto em um buraco e lembro que algo explodiu". A detonação de uma bomba cluster fez com que o corpo de Muhammad se incendiasse. "Um cachorro me ajudou, me puxando pelo casaco até o rio. Os voluntários (da Cruz Vermelha) me tiraram do rio. Lembro que minhas pernas estavam se despedaçando". Ele lembra também que lhe implorava que cuidasse de seu pai, que estava caído perto dali e que já estava sendo tratado pela equipe de primeiros socorros.

O pai de Muhammad não estava gravemente ferido. Mas a criança perdeu as duas pernas e ainda carrega as terríveis marcas das queimaduras que suportou naquele dia. As queimaduras tornaram o treinamento com a prótese "muito doloroso", diz Bassam Singer. “Toda vez que tocávamos suas pernas, ele sentia uma dor horrível".

©ICRC/VII/Franco Pagetti/v-p-lb-e-01214
Tyre. Muhammad no centro de reabilitação do dr. Bassam M. Singer, em Saida.

Antes de Muhammad ir à oficina ortopédica de Bassam Singer, em Saida, ele já havia passado por várias cirurgias e longas sessões de fisioterapia. Mas o técnico já estava a seu lado, visitando-o no campo palestino de Rashidiyyeh, próximo à cidade de Tyre, mais ao sul. Os Moussas são uma das muitas famílias palestinas refugiadas no Líbano.

"O trabalho de formiga compensa "

Uma vez que as cirurgias haviam terminado, começou o trabalho no centro ortopédico. Com muito esforço: o menino tinha que treinar quatro horas por semana. Mas ele o fez, para satisfação de seu mentor. “Por natureza, Muhammad é uma pessoa que coopera com facilidade. Ele tinha muita força de vontade e melhorou rápido. Na última etapa, ele já conseguia subir escadas sozinho", acrescenta Singer.

Um caso como o de Muhammad não era novidade para o especialista libanês. "Em nossa clínica, quase 80% dos pacientes têm feridas causadas por bombardeios, minas terrestres ou bombas cluster de Israel".

Não era o que Singer, 34 anos, esperava quando abriu sua clínica, depois de um treinamento com o CICV no início da década de 90, após a guerra civil libanesa. Na verdade, ele pensava que poderia cuidar de pessoas amputadas por conta de acidentes na estrada ou diabetes grave.

Violência volta a irromper e as vítimas continuam chegando


Em vez disso, as repetidas vezes em que a violência irrompia no Líbano continuavam fazendo chegar novas vítimas do conflito. "Muitos de meus pacientes vêm do sul do Líbano e estão como Muhammad, às vezes, pior", diz Singer. Com frequência, as vítimas são pessoas que trabalham em campos minados, como por exemplo, agricultores ou pastores.

©ICRC/VII/Franco Pagetti/v-p-lb-e-01210
Muhammad indo para o centro de reabilitação do dr. Bassam M. Singer em Saida.

Por ora, Muhammad deve ficar em casa. A escola mantida pela agência ONU para assistência aos palestinos (em inglês, UNRWA) não tem instalações para crianças deficientes em seu campo. Seus pais são muito pobres - seu pai não pode trabalhar e a família depende do trabalho de limpeza que a mãe de Muhammad faz – e não podem pagar por uma estrutura privada. Mas Muhammad continua com esperança. "A coisa mais importante para mim é que eu possa receber educação e trabalhar", afirma ele, com um olhar ansioso no rosto.

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29-05-2009