Página inicial
  English
  Arabic
  Russian
  Chinese
Ajude as vítimas da guerra: faça hoje uma doação ao CICV!
  NO ENGLISH TITLE
nigeria-ihl-310308
31-03-2008  Reportagem  
Nigéria: instrução para instrutores em DIH
Livinus Jatto é um militar da reserva que agora trabalha para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) ensinando oficiais do exército nigeriano sobre a importância do Direito Internacional Humanitário.

Os soldados nos postos de controle freqüentemente nos pedem remédios, faixas e outros suprimentos médicos quando estamos a caminho do nosso curso sobre Direito Internacional Humanitário. Escutar isto é menos surpreendente do que escutar os comentários dos participantes do curso de Instrução para Instrutores do CICV.
 
Dos três cursos que participei, o padrão é bem familiar. No primeiro dia, o treinador avalia o conhecimento e as opiniões dos participantes. Com freqüência, os oficiais têm algum conhecimento sobre o Direito Internacional dos Conflitos Armados (DICA), mas têm pouca idéia sobre o papel do CICV na promoção deste ramo do Direito.
 
As perguntas que geralmente escutamos são “Qual é a relação entre a Cruz Vermelha e o DICA", “Porque o DICA é assunto de interesse da Cruz Vermelha” ou “O DICA é uma restrição na condução de uma guerra". Aí está o desafio para o treinador e eu faço o aquecimento para dez outros dias “capturando outro objetivo.”

Capturando o objetivo

 
Reorientar as tendências dos oficiais é como desalojar um inimigo numa posição particularmente entrincheirada. O agressor precisa muito mais do que capacidade de fogo e tem que planejar o ataque em fases se não quiser falhar.
 
Fase 1 de captura do objetivo, é dirigir-se à questão “quem a lei protege na guerra?”. A resposta é sempre; “a lei protege VOCÊ”. Quando você não está mais em combate por doença ou ferimento, a lei te dá a oportunidade de uma segunda chance na vida. Requer que o inimigo te leve para uma instalação médica ao invés de te exterminar. A lei diz que você é um prisioneiro de guerra (POW, em inglês) quando você poderia ser “morto em ação” (KIA, em inglês). À medida que vou expandindo sobre as vantagens na sala de aula, a convicção começa a dar lugar para a dúvida.
 
Fase 2, mais testes para os oficiais. Algumas vezes peço para ver a carteira deles e geralmente levam fotos das esposas e dos filhos. Continuo “atacando-os” com minha artilharia de perguntas. Pergunto se eles já estiveram em alguma operação na Península de Bakassi, ou com a ECOMOG ou com a ONU e a resposta é em grande parte afirmativa. Juntos, tratamos de lembrar como passávamos o nosso tempo (quando não estávamos patrulhando ou enfrentando o inimigo). Eles lembram que usavam os momentos tranqüilos para olhar as fotos dos entes queridos e relembrar os velhos tempos (bons e ruins) que passamos com eles. Relembramos como rezávamos para o sucesso da missão, pois então poderíamos voltar para eles e recompor desavenças que não tinham lógica. Pergunto, então, como eles se sentiriam se a família deles fosse morta ou estuprada e que a casa deles fosse saqueada pelos adversários antes deles retornarem. Naturalmente, eles acham que isso seria ridículo por parte do adversário. Eu explico que a prevenção deste tipo de situação está no centro do DICA.

Fase 3 é o ataque final – o Exercício de Batalha (BATEX). O cenário é o ataque iminente em uma posição do inimigo perto de uma zona civil que tem dois templos religiosos, um hospital, etc. A lei diz que devemos deixar o inimigo em paz? A resposta é logicamente, NÃO. Somente significa que o comandante tem que planejar com mais cuidado a fim de usar os melhores meios e métodos para cumprir sua missão.
 
Recentemente, um oficial sênior perguntou, durante uma sessão de disseminação, se eu pensava que o DICA era viável. Minha resposta foi que agora eu estava aposentado e um dia ele também se aposentaria e a definição do que é ser um civil lhe ficaria clara. No caso de hostilidades, como você se sentiria se o adversário pudesse tratar você e sua família do jeito que ele quisesse?

Além disso, os membros das forças armadas que declaram estar aplicando as instruções do Estado, mas que vão em contramão das Convenções de Genebra falharam com suas responsabilidades. Ao ratificar a Convenções de Genebra e outras leis do DIH, os Estados já estabeleceram claramente como querem defender a si mesmos.

Limpeza

 
No final de cada instrução, o instrutor experimenta ver a opinião da classe outra vez. Os comentários deles, geralmente, revelam uma mudança positiva na opinião e mostra que os membros das forças armadas são como qualquer outra pessoa. Eles desejam viver pacificamente, mas se são forçados a lutar, desejariam lutar sob regras se estiverem certos de que seus adversários fariam o mesmo. A maioria dos participantes promete espalhar a idéia dentre os colegas. E aqui está a recompensa do instrutor. “Objetivo capturado, senhor”.

Outros documentos nesta secção
No mundo > África > Nigéria 

Voltar ao princípio da página
Página inicial | Mapa do site | Pesquisa | Novidades | Contactos | Copyright
© 2009 Comité Internacional da Cruz Vermelha
31-03-2008