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Ajude as vítimas da guerra: faça hoje uma doação ao CICV!
English title: Pakistan: more war always means more victims
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15-05-2009  Entrevista  
Paquistão: mais guerra sempre implica mais vítimas
O último combate na Província da Fronteira Noroeste no Paquistão causou vítimas civis e deslocamentos em massa. Centenas de milhares de pessoas já fugiram nos últimos dias. Dezenas de milhares que ainda estão nas áreas de conflito correm perigo, não somente pelo combate, mas porque estão praticamente sem assistência médica básica, alimentos, água e saneamento. O chefe da delegação, Pascal Cuttat, explica a resposta da organização à crise.

Pascal Cuttat, chefe da delegação do CICV no Paquistão

Esta crise é diferente das últimas que aconteceram no Paquistão?

O conflito entre o governo e o Talibã cresceu muito rápido nas últimas duas semanas e gerou uma crise humanitária. Mais de 500 mil deslocados internos dos distritos de Swat, Dir e Buner se somaram aos outros 500 mil que já haviam deixado suas casas em Bajaur e Swat nos últimos meses, elevando o número de deslocados para mais de um milhão de pessoas. A extensão geográfica da zona de conflito agora é mais ampla. O número de tropas estrategicamente posicionadas é maior. Como consequência, o impacto sobre a população civil é ainda maior. O CICV nunca viu tantas pessoas afetadas em um período de tempo tão curto na história do Paquistão. Mais guerra implica mais vítimas.

O que diferencia o CICV de outras organizações humanitárias que atualmente respondem à crise?

Um dos pontos importantes é que, de acordo com nosso mandado e nossos princípios de neutralidade e independência, falamos com todas as partes e advogamos a todas as partes sempre que necessário. No último ano, o CICV estabeleceu um sólido canal de comunicação tanto com as forças armadas quanto com os grupos insurgentes. Hoje, em meio a uma crise, isso nos garante acesso exclusivo às pessoas encarregadas pelas operações no terreno – de ambos os lados. Esse acesso privilegiado nos permite estar presente na zona de conflito – entramos em Buner no dia 13 de maio, fomos a primeira organização humanitária a fazê-lo – e ajudar as pessoas nas áreas às quais poucas organizações chegam. Esse é nosso verdadeiro ponto forte. Outra importante diferença é o valor agregado do Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, neste caso, em parceria com o Crescente Vermelho paquistanês, uma organização local altamente competente que mobilizou rápido sua equipe e seus voluntários em muitas áreas afetadas.

Qual é o papel do Direito Internacional Humanitário neste conflito?

A proteção dos civis e o direito à assistência em tempos difíceis, como estipulado no Direito Internacional Humanitário (DIH), são a essência do mandato do CICV. Como sempre acontece em situações em que um conflito irrompe, temos que relembrar a todas partes envolvidas no conflito de suas obrigações de acordo com o DIH. Sobretudo, temos que relembrá-las de sua obrigação de respeitar e proteger os civis e as pessoas que não mais participam do combate e que, ao realizarem suas operações, poupem os civis dos efeitos do enfrentamento. Continuaremos relembrando as forças paquistanesas e a oposição armada dessas obrigações e advogando com o objetivo de aumentar a proteção dos civis sempre que necessário.

Tendo em vista seu mandato, a garantia de sua ação humanitária neutra e independente e sua rede de contatos na região, como o CICV ajuda as pessoas afetadas por esta crise?

Grandes esforços – de parte do governo paquistanês e da comunidade internacional, entre outros – estão sendo realizados para assistir os deslocados internos na Província da Fronteira Noroeste. Estamos realizando uma boa parte desse trabalho ao fornecer água, saneamento e assistência médica nos campos administrados pelo Crescente Vermelho paquistanês. Conversamos com todos os envolvidos. Além disso, tentaremos ajudar as pessoas que no momento não estão nas manchetes simplesmente porque é mais difícil para os socorristas e os jornalistas chegarem até elas. Falo dos fracos, feridos e doentes que continuam nas áreas de conflito. Dentre eles estão pessoas que perderam contato com seus familiares porque tiveram que fugir da guerra de repente.

Quais são os objetivos operacionais do CICV para as semanas e meses futuros?

Nosso objetivo é responder rápido e com eficiência, de modo a levar assistência médica, alimentos, água e saneamento para os mais necessitados e preservar a dignidade de todos os civis afetados pelo conflito.

Qual será o papel do Crescente Vermelho paquistanês?

O Crescente Vermelho é o parceiro fundamental do CICV. Por exemplo, o Crescente Vermelho acaba de entregar alimentos e prestar outros tipos de assistência essencial para mais de 13 mil pessoas nas áreas atingidas pelo conflito em Malakand e Lower Dir, distribuindo socorro em vários campos de deslocados internos que administra com o apoio do CICV.

O CICV trabalha em parceria com o Crescente Vermelho paquistanês em todos os estagio, desde o planejamento de operações à implementação. Somos parte do mesmo Movimento e estamos juntos nisso.

© REUTERS
Uma jovem vítima enfaixada em um hospital de Peshawar, na Província da Fronteira Noroeste

© REUTERS/Faisal Mahmood
Um casal fugindo das operações militares em Buner chega com seu filho à barreira policial próximo a Takht Bai

© REUTERS/Mian Kursheed
Civis amontoados em um veículo fogem de uma ofensiva militar na Província da Fronteira Noroeste

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15-05-2009