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English title: Gaza: 1.5 million people trapped in despair
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29-06-2009  Comunicado de imprensa 09/131 
Gaza: um milhão e meio de pessoas encurraladas em desespero
Genebra-Jerusalém (CICV) – O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) declarou hoje que seis meses depois de terminada a operação militar de Israel em Gaza, a população ainda não pode retomar a vida normal e se afunda cada vez mais no desespero. Segundo um relatório recente do CICV sobre a situação em Gaza, a população enfrenta cada vez mais dificuldades para conseguir viver de sua própria renda e os pacientes gravemente doentes não recebem tratamento que necessitam. Também informa que milhares de habitantes de Gaza, cujas moradias e pertences foram destruídos há meio ano, ainda carecem de alojamento adequado.

Nesse relatório, as estritas restrições de trânsito de pessoas e bens para entrar e sair de Gaza impostas durante os dois últimos anos são identificadas como uma das principais causas da crise no território; também se explica que enquanto não puderem importar materiais de construção e outros artigos essenciais de nada servirão os quase 4.5 bilhões de dólares prometidos pelos países doadores para sua reconstrução. Segundo o relatório, em grande parte a infraestrutura essencial de água e saneamento é insuficiente: a cada dia uma quantidade de águas residuais pouco ou nada tratadas equivalente a 28 piscinas olímpicas é bombeada diretamente no Mediterrâneo. Os hospitais tropeçam em dificuldades porque os longos e complexos procedimentos de importação impostos por Israel dificultam a entrega de material médico básico, como analgésicos e reveladores de placas de raios X.

O fechamento imposto em Gaza causou um aumento no desemprego e um colapso econômico. "Os moradores mais pobres já esgotaram seus mecanismos para superar as dificuldades e, quase sempre, tem que vender seus pertences para poderem comprar o suficiente para comer", indicou o chefe da subdelegação do CICV no território, Antoine Grand. "A longo prazo, a queda do nível de vida terá efeitos negativos na saúde e no bem-estar da população. As mais afetadas são as crianças, que representam mais da metade da população de Gaza".

O CICV pede nesse relatório que as restrições ao trânsito de pessoas e bens sejam levantadas. "Israel tem o direito de proteger sua população contra os ataques", diz Grand. "Mas isso significa que um milhão e meio de pessoas em Gaza não tenha o direito de levar uma vida normal?".

Entre as medidas urgentes mencionadas no relatório figuram: facilitar as importações de equipamento médico, permitir a entrada de materiais de construção, como cimento e aço, levantar as restrições às exportações de Gaza, reabrir os terminais para facilitar o trânsito de pessoas bens que entram e saem do território, permitir que os agricultores tenham acesso a suas terras na zona neutra e restabelecer o acesso seguro dos pescadores a águas mais profundas.

O relatório do CICV conclui que a ação humanitária não pode substituir as medidas políticas viáveis indispensáveis para realizar as mudanças necessárias para a população de Gaza. O Comitê faz um apelo aos Estados, às autoridades políticas e aos grupos armados pertinentes para que façam o necessário para reabrirem a Faixa de Gaza e garantir a vida e a dignidade da população civil.



Mais informações:
Anne-Sophie Bonefeld, CICV Jerusalém, tel: +972 52 601 91 50 ou +972 25 91 79 00
Nadia Dibsy, CICV Jerusalém, tel.: +972 52 601 91 48 ou +972 25 91 79 00 (em árabe)
Yael Segev-Eytan, CICV Tel Aviv, tel.: +972 05 22 75 75 17 (em hebraico)
Florian Westphal, CICV Genebra, tel.: +41 22 730 22 82 ou +41 79 217 32 80
Leia o informe
Um milhão e meio de pessoas encurraladas em desespero

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