26-02-2009 Relatório de operações Gaza: a luta para juntar os cacos Mais de um mês depois do fim da guerra, as pessoas na Faixa de Gata ainda lutam para reconstruir suas vidas. Dezenas de milhares de pessoas tiveram suas casas parcial ou totalmente destruídas, enquanto outras continuam sem acesso à água corrente.
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Cidade de Gaza. Moradores do bairro de Shijayia tiram os escombros de um prédio danificado.
"O que mais podemos fazer além de esperar que alguém venha nos ajudar?", pergunta uma mulher de Jabaliya do Leste. Em sua família de doze pessoas, todos os homens estão desempregados. A casa foi reduzida a escombros e todos as cabras que tinha, que gerariam um pouco de renda, foram mortas durante os ataques aéreos. "Não temos escolha, temos que esperar. Tudo que temos agora são as roupas que vestimos e colchões e cobertores que recebemos. Alguém vai nos ajudar a sair dessa situação", disse.
"Acordei muito cedo de manhã, preparei minha massa e acordei meu filho Hassan, que tem que recolher madeira e papel nas ruas para o fogo para assarmos pão no forno de barro de meu bairro. Não há eletricidade nem gás de cozinha para prepararmos nosso pão e nossa comida. Mas o que é ainda pior é que perdemos nossa casa. Nossa casa está totalmente destruída, assim como a pequena loja que nos dava a renda para viver com um pouco de dignidade".
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Souad Abd Rabou, leste de Jabaliya.
A assistência emergencial para as pessoas que sofreram as maiores perdas durante o conflito não será suficiente. Para ajudar os habitantes de Gaza a porem suas vida de volta nos trilhos, será extremamente necessário importar bens para reconstrução, bem como maquinário e peças de reposição. Ainda hoje os materiais de construção de Israel não foram autorizados para entrar em Gaza.
"Nossa associação estima que os danos ao setor industrial estejam acima dos 250 milhões de dólares, já que mais de 690 indústrias foram parcial ou totalmente destruídas. Por exemplo, a fábrica de cimento foi totalmente destruída apesar de estar trabalhando em parceria com a fábrica de cimento israelense Nesher. Somente se as passagens forem completamente abertas poderemos começar de novo e restabelecer nossa capacidade de produção. Nenhum material de assistência ou de socorro será suficiente para ajudar nosso povo. Matéria-prima, máquinas e ferramentas são o que necessitamos para substituir o que foi destruído e para trazer vida de volta a Gaza".
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Ali Al Hayek, delegado-chefe da Associação de Negociantes de Gaza
Itens como fraldas, sabão para lavar roupa, iogurte e queijo se tornaram impossíveis de encontrar. Os postos de gasolina começaram a fechar de novo devido à falta de combustível. A carne se tornou um luxo ainda maior, com o preço do frango que dobrou para 17 shekels (cerca de US$ 4) por quilo. O peixe é escasso e caro.
No dia 15 de janeiro, a FDI (Força de Defesa Israelense) lançou vários bombardeios na área próxima a minha casa, o que fez com que as casas do bairro pegassem fogo. Fui ao quarto onde as crianças estavam dormindo, os acordei e os trouxe para outro quarto. Depois voltei para pegar mais cobertores para mantê-los aquecidos. Quando entrava no quarto, uma bomba antitanque explodiu, cortando uma perna minha e causando graves ferimentos na outra. Um marido ligou para a ambulância e para a Cruz Vermelha, mas ninguém conseguia chegar até onde estávamos. Ele teve que arriscar a própria vida para me levar ao hospital no nosso carro particular. Agora estou esperando as outras operações que vão preparar meu coto para receber um membro artificial nos próximos meses. Nunca vou esquecer o que aconteceu comigo. Essa guerra estará comigo pelo resto da minha vida".
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Suhair Zemo, 47 anos, Tal Al-Hawa, Gaza.
Durante a última guerra, os estabelecimentos médicos e de saúde foram levados ao limite e só puderam suportar graças ao socorro emergencial. Muitos sofreram ferimentos graves, às vezes causados por ataques diretos durante a ofensiva israelense. Alguns medicamentos, por exemplo, para o tratamento de câncer e certos tipos de filmes para raios-X ainda estão em falta. O estoque de descartáveis também está diminuindo. Equipamentos vitais quase sempre estão ultrapassados e as peças de reposição levam meses para chegar à Faixa de Gaza, isso quando têm permissão de entrar. A energia elétrica fornecida através de redes continua instável e os geradores de reserva com frequência não têm a manutenção adequada. Isso teve um impacto direto e duradouro na saúde da população.
©ICRC /T. Domaniczky /il-e-01730
Rafah.
Rafah. Construção de um poço no Hospital Tal Al Sultan.
Fazer o download do mapa dos projetos de água e saneamento em Gaza, 2008-2009 - formato ZIP A infra-estrutura de água e saneamento continua em perigo já que o fechamento israelense em Gaza ainda torna quase impossível importar materiais básicos como tubos e peças de reposição. Milhares de pessoas ainda não têm acesso à água corrente e dependem de caminhões-pipa em suas casas. |