No dia 19 de agosto, as famílias receberão os atestados de óbitos oficiais de seus entes queridos. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) doou os caixões, providenciou o transporte para as famílias e contribuiu para que essas recebessem o apoio psicológico necessário nessas circunstâncias.
Dezenas de parentes, juntamente com autoridades da comunidade de Putis, chegaram na semana passada a Huamanga, capital do departamento de Ayacucho, para receber do gabinete supraprovincial de Direitos Humanos os certificados de óbito e arquivos especificando as circunstâncias da morte de seus entes queridos.
"Por fim, posso enterrar minha Rita e assim sua alma pode descansar em paz", disse Marina Quispe Saavedra, sua mãe de família que perdeu sua filha de apenas dez anos de idade. Há quinze meses, ela esteve presente durante as exumações e exposições de roupas, na qual reconheceu a vestimenta da filha, cuja identidade confirmada por análise de DNA.
"A expectativa e a esperança de encontrar um familiar aumentavam à medida que as investigações avançavam. A exumação dos restos mortais, as exposições de roupas, a identificação dos parentes e, finalmente, a restituição dos restos mortais ajudam a trazer um fim ao luto dessas famílias, que vem sofrendo há 25 anos", disse Valeria Gamboni, chefe da delegação do CICV para a Bolívia, Equador e Peru. "No entanto, é preciso ainda dar uma solução imediata para questões como a compensação ou a melhora substancial das condições de vida dessas famílias".
Dos 92 corpos exumados, 28 puderam ser identificados pelos antropologistas forenses. As tentativas de identificar os outros foram infrutíferas. Um obstáculo importante para a identificação é o fato de que famílias completas já morreram ou já não existem mais familiares com os quais comparar as provas genéticas (DNA). Dos corpos encontrados, 20 são de mulheres e 48 são menores de idade. Desses, 38 são crianças com menos de dez anos de idade.
Para o CICV, a questão dos desaparecidos representa um desafio importante, sobretudo porque mais de 15 mil pessoas ainda desconhecem o que aconteceu com seus entes queridos desaparecidos durante o conflito interno no Peru entre 1980 a 2000.
"Ainda que o processo de busca e identificação de pessoas desaparecido esteja bem encaminhado, ele é muito lento. Segundo fontes oficiais, em cinco anos só se avançou em 1,8% dos casos. É necessário estimular mecanismos que acelerem a busca, assim como aumentar os meios que permitam dar respostas aos familiares das pessoas desaparecidas em um prazo mais curto. A dor está se tornando eterna", declara Gamboni.
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Dafne Martos, CICV Lima, tel: +511 997 56 02 40