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4-04-2008  Reportagem  
Ingushetia: uma vencedora em Nazran
Recentemente, o CICV deixou de fornecer ajuda alimentar para as pessoas deslocadas da Tchetchênia na sua República do Cáucaso Norte. Em lugar da ajuda alimentar, a organização está apoiando micro- projetos econômicos. Luba Rosdoieva recebeu uma pipoqueira; ela vende pipocas no mercado em Nazran, a antiga capital da República da Ingushetia.

©ICRC/M.S. Desjonquères
Luba Rosdoieva


Durante os dois conflitos que irromperam na República da Tchetchênia, dezenas de milhares de pessoas como Luba cruzaram a fronteira. Marem, funcionário do CICV encarregado dos programas de ajuda, relembra que não havia um edifício privado ou público em Nazran que não estivesse ocupado por famílias deslocadas.

Muitos, agora, saíram outra vez para tentar a sorte na Tchetchênia ou em algum outro lugar. Luba teve que ficar em Nasran. Ela não tem o dinheiro suficiente para voltar e morar em Grozny, e está em uma lista de espera por uma nova casa aqui. Ela é divorciada, tem dois filhos, incluindo uma filha que mora em Grozny com o marido.

©ICRC/M.S. Desjonquères
Luba with her popcorn machine.


Ela nos recebe na entrada da sua pequena e ensolarada loja. Há um agradável aroma de pipoca e panquecas de queijo, a deliciosa especialidade regional conhecida como khichini. A pipoqueira ocupa lugar especial na loja, bem no meio. Graças aos mais de 30 pacotes de pipoca que ela vende por dia, Luba compra óleo, açúcar, sal e milho. Seu lucro serve para cobrir as despesas básicas da casa. Ela ajuda o filho e a neta de cinco anos, Elita, que sofre de má-formação do cérebro.

Originária de Ingushetia, mas residente em Grozny desde os 17 anos, Luba já se deslocou durante a primeira guerra; e quando as hostilidades terminaram em 1996, ela voltou para a Tchetchênia. Em outubro de 1999, ela se deslocou outra vez devido aos horrores do segundo conflito. Ela diz que nunca tinha pensado que era possível haver tanta crueldade. Ela mora com o filho e Elita numa antiga fábrica que virou um centro de acomodação coletivo. Uma ONG construiu para eles uma pequena casa de madeira no pátio.

Luba não é a única avó a ajudar os netos. A sogra do irmão falecido cuida dos três filhos dele. Quando foi para a Tchetchênia para arrumar o apartamento, ele pisou sobre uma mina para pegar tijolos de uma casa destruída e morreu quatro anos atrás durante uma cirurgia.

Escolhida pelo CICV devido às circunstâncias de sua família e pela habilidade de gerenciar uma pequena loja, Luba recebeu a sua pipoqueira no fim de 2007. Estas delícias doces e salgadas, que são muito populares entre as crianças e comerciantes do mercado, lhe deram mais esperança de aumentar sua renda. A lojinha pertence a um de seus parentes e por isso ela não tem que pagar o aluguel, portanto ela pode economizar um dinheiro extra para Elita, para a qual ela dedica a maior parte de sua energia e de seu tempo.

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4-04-2008