“Perdi a conta de quantas pessoas conheci em Solferino!”, exclamou James Ogiehor. Ele trabalha como administrador na Cruz Vermelha nigeriana em Abuja e essa foi sua primeira visita à Europa. “Estou realmente impressionado com a organização do campo. A recepção está sendo maravilhosa.”
Alexandre Fernandes tem 23 anos e é de Eure, norte da França. Ele veio a Solferino com um grupo de 300 jovens da Cruz Vermelha francesa e viu Solferino como uma oportunidade única para “conhecer a extraordinária experiência humana” concentrada no campo. As tendas brancas da “Aldeia Humanitária” de Solferino foram o lar temporário de mais de três mil participantes de todo o planeta que vieram celebrar os 150 anos do que agora é a maior organização humanitária laica do mundo.
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Alexandre Fernandes, enfermeiros da Cruz Vermelha francesa, sendo cuidado por suas companheiras de viagem.
Caminhando por entre as tendas, ônibus e caminhões com o emblema da Cruz Vermelha ou do Crescente Vermelho, é difícil imaginar que foi aqui que os exércitos Sardo-franceses e Austríacos passaram 15 horas massacrando uns aos outros no dia 24 de junho de 1859. “O incrível é que no dia anterior ao da batalha, nenhum dos dois exércitos sabia que o outro estava ali, ainda que somassem 300 mil homens”, comentou François Bugnion, ex-diretor para Direito Internacional no CICV. Ele trouxe um grupo de membros do CICV de Genebra para explorar os lugares históricos e percorrer os passos de Henry Dunant.
A Cruz Vermelha italiana montou a Aldeia Humanitária em um milharal cedido pelos agricultores de Solferino. A força por trás dessa obra-prima da organização era Roberto Antonino, que também é o chefe de logística da Sociedade Nacional. “Planejamos esse evento há um ano. Nos bastidores, um grupo de cerca de dez pessoas tem trabalhado duro com inúmeros voluntários para realizar a recepção, a cantina, a segurança, a logística e o transporte. Nas últimas semanas temos trabalhado uma media de 14 horas por dia. Os maiores desafios foram a comida e a parte elétrica. Mas agora está tudo resolvido!”
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Roberto Antonini, chefe de logística da Cruz Vermelha italiana e organizador das cerimônias de Solferino.
Cerca de 50 grandes tendas estavam disponíveis para os participantes das Sociedades Nacionais. Entes eles, Leusel Meyer, um entusiasmado colecionador de souvenirs da Cruz Vermelha e chefe de primeiros socorros na filial de Püttlingen da Cruz Vermelha alemã. “Você vê coisas maravilhosas aqui... Como gente do Crescente Vermelho palestino e do Magen David Adom de Israel dividindo a mesma mesa!”
Solenn Crepaux (26) participa de um intercâmbio regular entre voluntários das Sociedades da Cruz Vermelha francesa e alemã. Ela concorda com Leusel. “O que mais amo daqui é a ausência de fronteiras. Isso mostra o respeito mútuo que existe!”. Jean-Marie Henckaerts é um especialista legal do CICV em Genebra. Ele também vivenciou esse respeito quando chegou ao campo na tarde de sexta-feira e recebeu milhares de aplausos junto com outros corredores que deixaram o local de nascimento de Dunant cinco dias antes. Uma viagem de 500 km, durante a qual cada corredor percorria 20 km por dia. Eles correram o último trecho com um grupo da Cruz Vermelha francesa que havia deixado Paris no início da semana. “Não esquecerei nossa recepção!”
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Um rio de luz – o Movimento em marcha!
As ruas de Solferino estão mais acostumadas com os pés dos caminhantes que, uma vez por ano, realizam a “Fiaccolata”, uma procissão noturna com tochas que comemora o nascimento da ideia da Cruz Vermelha depois da terrível batalha de 24 de junho de 1859. Este ano, o trecho a ser percorrido era 10 km mais longo. A procissão saiu ao entardecer da Piazza Castello depois dos discursos de pessoas notáveis como o comissário especial da Cruz Vermelha italiana, o presidente do CICV e o prefeito de Solferino. Liderados por voluntários da Cruz Vermelha italiana, os participantes de todas as idades e nacionalidade se espalhavam por mais de um quilômetro na estrada, cumprimentados pelos locais, que haviam decorado suas casas com as cores da Cruz Vermelha e da Itália. Ao cair da noite, 13 mil participantes com suas tochas formavam um surpreendente rio de luz.
A marcha levou mais de duas horas, com as estrelas saindo de trás das nuvens. Foi tempo suficiente para reconhecer o longo caminho percorrido pelo Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho nos últimos 150 anos.