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Somália. Aeroporto de Beletwein (região de Hiiran). Equipe descarrega material médico e para operações de água e habitat.
O avião que leva o prefixo "Red-444" aterrissa em uma pista quente e não asfaltada no centro da Somália, no meio de um árido sertão. Depois de meses de uma dura seca, o calor é sufocante. Miragens tremulam à distância à medida que os pilotos e equipe descarregam as grandes caixas do avião e a levam para um caminhão, que seguirá para uma clínica do Crescente Vermelho Somali.
Várias vezes por semana, o Beechcraft 1900c branco do CICV com o emblema da cruz vermelha sob cada asa decola do Aeroporto Internacional de Nairóbi. Sua carga preciosa: remédios, equipamento cirúrgico, material de construção, material de socorro e socorristas da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho a caminho vindos de várias partes da Somália.
Duas década de conflito armado, uma crise econômica e um problema crônico de falta de chuva exauriram os recursos da população somali e dificultam para que pais alimentem seus filhos. Como consequência, muitos dependem desse socorro. Asha Mahmud e seus filhos vivem em uma choupana improvisada próximo a Dusamareb, capital de Galgadud, na região central. O CICV entrega um milhão de litros de água para essa área todas as semanas. A seca na região central e a falta de segurança agravaram a já terrível situação humanitária. A falta de água tem um efeito mais duro sobre as famílias deslocadas, já que a maioria se refugiou em lugares remotos longe de pontos de água e tem que caminhar horas para chegar aos poços e poços artesianos que ainda têm água.
"Fugimos de Mogadíscio por causa do conflito", disse Asha. "Agora a seca é o problema. Com a falta de alimentos e de água meus filhos estão muito fracos. Dois deles estão doentes e tive que levá-los à clínica em Dusamareb".
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Quênia. Aeroporto Internacional de Nairóbi. Red 444 carregado com equipamentos para operações de água e habitat, Red 484.
Dusamareb é uma das 34 clínicas do Crescente Vermelho Somali que o CICV assiste e apoia. Hoje, o Red 444 chega carregado com remédios para a clínica. "Oitenta e cinco por cento da carga do avião do CICV leva à Somália consiste de material médico-cirúrgico para os centros médicos, incluindo dois importantes hospitais em Mogadício", disse Pierre Alain Racine, coordenador de logística do CICV para a Somália. "Às vezes temos que fretar outro avião para levar todo o material médico".
O CICV apoia dois hospitais cirúrgicos de referência em Mogadíscio: Medina e Keysaney, que juntos já atenderam mais de 3.900 vítimas desde janeiro de 2009.
"Sem o avião do CICV, seria impossível administrar os hospitais de maneira adequada e esses são os únicos hospitais de referência em Mogadíscio", disse Randi Jensen, responsável por materiais de hospitais. "Reabastecemos os dois hospitais regularmente e não consigo imaginar como estaríamos sem o Red 444. Os pacientes feridos não podem esperar o tratamento e os cirurgiões não podem operar sem o equipamento e o material adequado. Se quisermos salvar vidas, temos que agir rápido".
"O principal desafio é voar com segurança até a Somália", disse William Mwadime. Há seis anos ela gerencia os voos do CICV à Somália. "Pousamos em dez lugares diferentes nas partes central e sul da Somália, portando estamos sempre avaliando a situação de segurança no terreno. Este ano tivemos mais de cem rodízios, aterrissando 462 times na Somália".
Os pilotos e a delegação do CICV se reúnem regularmente. Os pilotos têm a opção de trabalhar para operadores comerciais, mas apesar do risco, preferem trabalhar para o CICV. "Corremos alguns riscos ao voar na Somália e estamos cientes disso, mas alguém tem que fazer esse trabalho e estou feliz de ser parte do esforço humanitário do CICV", diz Ramesh Peshavaria, piloto sênior. "Devo acrescentar que em 13 anos voando para a Somália pelo CICV, não tive nenhum incidente. Podemos confiar na rede e na equipe de terreno do CICV para fazerem uma avaliação confiável das condições de segurança. Em minha opinião, o CICV é bem-visto e respeitado na Somália".
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Somália. Red 444 decola de um aeroporto próximo a Mogadíscio.
Os delegados e os trabalhadores do terreno do CICV respeito esses humanitários voadores. Os rostos se iluminam quando a aeronave do CICV aparece no céu somali.
"O avião é um elemento vital para nossa ação humanitária na Somália", diz um funcionário do CICV da região de Lower Shabelle. "Houve um conflito em Kismayo e arredores nos últimos dias e o Hospital Kismayo teve que lidar com um grande fluxo de pacientes. Apesar da tensa situação de segurança, o avião do CICV pousou em segurança e levava material cirúrgico, dois cirurgiões de guerra e um enfermeiro do Crescente Vermelho Somali. O Red 444 fez uma grande diferença".