Jacques de Maio, chefe de operações do CICV para o sul da Ásia.
O senhor poderia descrever a situação humanitária no norte do Sri Lanka, devastado pelo conflito?
Com relação à população civil presa pelo contínuo combate na região de Vanni, definitivamente é uma das situações mais desastrosas que já vi. Ainda assim, seria possível evitar mais sofrimento e mortes desnecessários ao permitir que os civis que querem sair possam abandonar a área. É urgente que seja levada a Vanni mais do que assistência humanitária agora.
Com o apoio das partes envolvidas no conflito, estamos usando uma barca que regularmente evacua civis feridos e outras pessoas da área próxima a Putumattalan, no nordeste, onde milhares de pessoas estão nas margens da área costeira. As pessoas estão morrendo. Não há hospitais, nem postos médicos funcionando na área. As instalações que existiam foram bombardeada e, recentemente, destruídas.
Como o senhor decide quem pode ser evacuado pela barca?
A decisão de quem pode ser evacuado pela barca é tomada em concordância com todas as autoridades envolvidas, com base nas prioridades estabelecidas pelos profissionais médicos locais. Infelizmente, temos que deixar muitas pessoas para trás que também queriam ir embora. É muito difícil para nossa equipe no terreno ter que lidar com isso. Portanto, embora seja positivo que tenhamos conseguido salvar cerca de 2.400 pessoas nas últimas três semanas, não podemos deixar de pensar nas pessoas que deixamos para trás, principalmente os feridos e doentes.
Qual é seu temor quanto aos civis em Vanni?
Os civis estão literalmente presos na zona de combate. No atual confronto militar, civis e não-combatentes estão morrendo na linha de fogo e não conseguem receber assistência para salvar suas vidas. A obrigação de distinguir combatentes de civis e o bom senso obrigam que a população civil seja evacuada com urgência. Enquanto isso, por uma questão de absoluta urgência, o socorro tão necessitado, sobretudo material médico, deve ser trazido.
O senhor consegue receber material médico?
O que posso lhe dizer é que até o momento ainda não pudemos trazer os materiais médicos adequados para a área. Gostaríamos de poder fazer mais para apoiar as autoridades do governo local, que está tratando dos feridos. Além de remédios, as pessoas de lá precisam de alimentos com urgência.
Atualmente, quantos civis há em Vanni?
Devido à confusão do combate e constantes movimentos da população é muito difícil chegarmos a um número preciso. A margem de erro é muito alta, mas acreditamos que cerca de 150 mil pessoas podem estar presas em Vanni.