Anthony Dalziel, vice-chefe da delegação do CICV no Sri Lanka
O Sri Lanka tem apenas um posto de travessia entre as áreas controladas pelo governo e as que estão sob controle do TLTE. O CICV só tem o papel de ajudar a travessia tranqüila das pessoas através das linhas que demarcam as duas áreas.
Hoje o CICV é uma das poucas organizações internacionais que ainda trabalham nas áreas do norte do Sri Lanka controladas pelo TLTE. Por que o CICV decidiu ficar quando muitas outras organizações humanitárias foram embora?
O CICV trabalha para proteger e assistir as vítimas de conflitos armados em todo o mundo. Este mandato é reconhecido por ambas as partes no conflito cingalês, que está em curso há 25 anos. De comum acordo com o governo do Sri Lanka, o CICV resolveu permanecer em Vanni e continuar nosso trabalho humanitário dirigido às pessoas atingidas pelo conflito.
O CICV mantém seu papel de intermediário neutro. Vai continuar a estar presente no posto de entrada/saía de Omanthai para ajudar a travessia de civis, veículos civis e ambulâncias entre as áreas controladas pelo governo e as que estão sob controle do TLTE. Continuamos a transportar os corpos dos combatentes caídos entre as duas áreas, de forma que as famílias possam enterrar seus entes queridos. Quase 80 corpos foram entregues através do posto de travessia Omanthai, nas primeiras duas semanas de setembro. O CICV também vai continuar a monitorar a situação humanitária, especialmente as necessidades dos deslocados internos. Naturalmente, vai agir de acordo com as necessidades das pessoas atingidas pela violência.
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Omanthai. Posto de controle de Vanni. Força de Tarefa Especial Cingalesa controla a carga dos veículos que vão para Jaffna, durante o cessar fogo.
O senhor está preocupado com a segurança das equipes que trabalham em Vanni?
O CICV está basicamente preocupado com a situação humanitária e as necessidades das pessoas atingidas pela violência. No entanto, como houve uma escalada dos combates nas últimas semanas, cada vez mais a segurança tornou-se motivo de preocupação.O CICV mantém contatos diários com as Forças de Segurança do Sri Lanka e o TLTE. Isto nos permite obter as garantias de segurança que a organização precisa para estar presente e conduzir seu trabalho no terreno.
Tendo em vista a situação extremamente volátil, devemos constantemente adaptar nossas atividades e movimentos. Tentamos equilibrar a necessidade de estar perto dos civis atingidos pelo conflito, principalmente aqueles que foram deslocados, e a necessidade de manter os funcionários do CICV fora de perigo.
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Região de Vanni, Omanthai. Atravessando um posto de controle durante o cessar fogo.
Como o senhor descreveria a situação humanitária em Vanni?
Os combates entre as forças do governo e o TLTE escalaram em julho de 2008. Desde então, dezenas de milhares de pessoas tiveram de abandonar suas casas, muitas delas mais de uma vez. Essas pessoas abandonaram seus lares com o mínimo necessário, muitas vezes com pouquíssimos pertences.
As necessidades mais prementes dessas pessoas são segurança, saúde, água, abrigo, saneamento e comida. Os centros de atendimento médico locais saíram da região junto com a população civil e estão continuando a oferecer serviços médicos sob condições extremamente difíceis. O Hospital Geral do Distrito Kilinochi tem recebido mais pacientes que o normal. Ainda não há informações sobre problemas de saúde de grande escala, mas a proximidade das chuvas de monções são motivo de preocupação.
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Região de Vanni, Omanthai. Atravessando um posto de controle durante o cessar fogo.
Como o CICV está ajudando os deslocados em Vanni?
O CICV pediu a ambas partes no conflito para fazer o possível a fim de poupar todos os civis das conseqüências das hostilidades. O conflito armado no Sri Lanka continua a provocar vítimas entre os civis, mas o cumprimento do Direito Internacional Humanitário tem reduzido significativamente o perigo para a população civil.
Entre o início de julho e o final de agosto deste ano, oferecemos água, abrigo e suprimentos essenciais para mais de 84 mil deslocados. Eles receberam produtos de higiene e para bebês, redes contra mosquitos, material de abrigo e requisitos domésticos como lâmpadas e roupas de cama. Nós os ajudamos a conseguir água limpa mantendo, escavando e limpando poços, e fornecendo bombas manuais. Para todas essas atividades, o CICV trabalhou em parceria com os voluntários da Sociedade da Cruz Vermelha do Sri Lanka.