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Ajude as vítimas da guerra: faça hoje uma doação ao CICV!
English title: Sri Lanka: over 250,000 displaced persons in urgent need of assistance
sri-lanka-interview-200509
20-05-2009  Entrevista  
Sri Lanka: mais de 250 mil deslocados necessitam assistência urgente
Agora que foi declarado o fim das hostilidades, todo o possível deve ser feito para facilitar o acesso das agências de socorro humanitário de modo que elas possam ajudar centenas de milhares de deslocados. Monica Zanarelli, delegada-chefe de operações do CICV para o Sul da Ásia, explica os atuais desafios.


Monica Zanarelli, delegada-chefe de operações do CICV para o sul da Ásia.

A senhora pode descrever a situação humanitária na zona de conflito nos últimos dias?

Dezenas de milhares de pessoas encurraladas na zona de combate têm tido que suportar um sofrimento inimaginável nas últimas semanas, porque quase não havia mais lugares seguros e o acesso a assistência médica, alimentos e água era totalmente inadequado. No último domingo, perdemos contato com nossa equipe composta de 20 funcionários locais, que ainda estão na zona. Portanto, não temos informações de primeira mão sobre o que esta acontecendo na área desde então. Ontem, uns poucos funcionários de terreno puderam mandar uma mensagem contando que estão vivos e fora da área onde o combate ocorre. Ainda não temos notícias sobre os outros e seus familiares.

Todos os civis e vítimas já foram evacuados da área?

A última vez que o CICV pôde evacuar pessoas – um grupo de 516 feridos e doentes e seus familiares – foi no dia 9 de maio. Desde então, temos tentado sem sucesso retornar à área para lhes prestar a assistência necessária. O CICV está em contato com as autoridades e aproveitará qualquer oportunidade que surgir para voltar.

O que aconteceu com os detidos?

Até o momento, o CICV se reuniu com mais de 1.800 combatentes do LTTE que se renderam às forças armadas e fizemos uma lista com seus nomes. O CICV tem tido acesso regular a prisões e centros de detenção temporários no Sri Lanka há muitos anos.

É verdade que alguns líderes do LTTE pediram ao CICV para agir como intermediários nas negociações de rendição?

O CICV tem mantido contato tanto com os representantes do LTTE quanto com os do governo cingalês por muitos anos e transmite as mensagens de uma parte para a outra sempre que solicitado. Como organização humanitária independente, o CICV não revela o conteúdo de conversas confidenciais mantidas bilateralmente com qualquer um dos lados em um conflito.

Quantas pessoas foram feridas? Todas elas estão recebendo assistência médica?

O CICV não tem condições de fornecer números ou mesmo de saber se todas as vítimas estão recebendo a assistência que necessitam. De acordo com o Direito Internacional Humanitário, as vidas de todas que não participam ou não mais participam do combate devem ser poupadas. Os feridos e doentes devem ser imediatamente recolhidos e cuidados e os detidos devem ser tratados com humanidade. Entre meados de fevereiro e o dia 9 de maio, o CICV evacuou quase 14 mil pacientes feridos ou doentes e seus acompanhantes. Uma equipe cirúrgica do CICV está no momento no Hospital Mannar. Em resposta ao fluxo de centenas de pacientes nos últimos dias e semanas, o CICV ajudou as autoridades de saúde a ampliar a capacidade dos hospitais Mannar e Vavuniya, acrescentando cerca de 500 leitos no total.

Que tipo de ajuda a Cruz Vermelha pôde prestar aos deslocados até o momento?

De acordo com os números do governo, há mais de 250 mil deslocados em cerca de 20 campos. O CICV, junto com seus parceiros no Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, tem distribuído água potável, pacotes de alimentos, kits de higiene pessoal, kits para cuidados do bebê e utensílios domésticos de emergência para cerca de 40 mil pessoas no maior campo, Menik Farm, próximo a Vavuniya. Além disso, foram distribuídos lençóis plásticos e tendas para servirem de abrigo temporário para cerca de 17 mil pessoas.

É verdade que o CICV atualmente não tem acesso ao maior campo, próximo a Vavuniya?

Desde o último fim de semana, as autoridades restringiram a entrada de veículos a Menik Farm, o maior campo, que abriga mais de 130 mil deslocados. As restrições levaram a uma interrupção temporária da distribuição de socorro para o campo. O CICV e outras agências de socorro humanitário condenam essa situação inaceitável, em particular porque está causando graves efeitos sobre milhares de deslocados recém-chegados, que até pouco tempo atrás tiveram que lidar com um sofrimento inimaginável simplesmente para sobreviver na zona de conflito no nordeste do país. Junto com as autoridades, o CICV e outras agências de socorro estão tentando encontrar uma solução que possibilitará a retomada das distribuições o quanto antes.

©Reuters
Civis fugindo da "zona sem conflito" atravessam uma lagoa com dificuldade.
©CICV/Z. Burduli / lk-e-00432
Março de 2009. Equipe do CICV prepara uma mulher e seus filhos para evacuarem a bordo da barca de Puttumatalan para Trincomalee.
©CICV / Z. Burduli / lk-e-00448
Equipe do CICV se prepara para evacuar uma mulher ferida no combate para um hospital.
©CICV / Z. Burduli / lk-e-00419
Um dos muitos civis doentes e idosos evacuados da zona de guerra.

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20-05-2009