26-02-2009 Entrevista Sri Lanka: organização de evacuações médicas por mar As pessoas que fogem das hostilidades em Vanni continuam chegando a Putumattalan, na costa nordeste do Sri Lanka. Desde o dia 10 de fevereiro, o CICV evacuou por mar quase dois mil pacientes e respectivos parentes para receberem tratamentos médicos. As evacuações continuam com o apoio de ambas as partes envolvidas no conflito. Morven Murchison coordena as atividades sanitárias do CICV no Sri Lanka e participou das recentes evacuações. Nesta entrevista, ela fala das necessidades da população deslocada em Vanni. * * * As evacuações de doentes e feridos e de suas respectivas famílias por mar conduzidas pelo CICV desde o dia 10 de fevereiro foram realizadas sob difíceis condições. Foram possíveis apenas devido ao status neutro e independente do CICV e ao suporte ativo de ambas as partes envolvidas no conflito. Linh Schroeder coordena todas as operações de terreno do CICV no Sri Lanka e tem desempenhado um papel fundamental na organização das evacuações. Ela explica o que o CICV pôde conseguir devido ao seu status neutro e independente. Como uma evacuação por mar é organizada pelo CICV? O CICV realiza seu trabalho em Vanni, agora e sempre, como um intermediário neutro e independente com total apoio das partes envolvidas no conflito. Temos um longo histórico de facilitação de movimentos seguros de civis e socorro humanitário via estradas entre áreas controladas pelo governo e as mantidas pelo LTTE (Tigres de Libertação da Pátria Tâmil, em português). Só foi possível realizarmos essa tarefa com o apoio ativo das partes. As situações militares e humanitárias em Vanni obviamente se modificaram nas últimas semanas, mas nossos procedimentos de trabalho continuaram os mesmos. Para evacuar os doentes e os feridos por barca, primeiro tivemos que conseguir que as partes estivessem de acordo. Trazer um barco para uma área em conflito é uma promessa delicada, com a qual nos envolveremos apenas se ambas as partes nos derem as garantias de segurança necessárias. Eles fazem isso por causa de natureza neutra e independente de nosso trabalho humanitário. Apenas quando a segurança de nossa equipe, da embarcação e dos passageiros tiver sido garantida uma evacuação por mar pode ser realizada. Em termos práticos, isso significa que deve haver respeito pelo papel independente e humanitário do CICV bem como um acordo com relação ao momento certo e à rota de operação. Com quem o CICV negocia? Além de obter as garantias de passagem segura de ambas as partes, o CICV mantém contato com todas as autoridades militares e civis, incluindo as do LTTE, que podem estar envolvidas ou que possam ser afetadas pelas evacuações. Estamos, portanto, em constante discussão com as Forças de Segurança do Sri Lanka, que controla a área pela qual nossa barca navegará, a Marinha do Sri Lanka em Trincomalee, que desembarca os pacientes e a equipe do Ministério da Saúde, que cuida dos pacientes que chegam ao Hospital Trincomalee. Os aspectos práticos também são levados em conta. Primeiro de tudo, temos que encontrar uma embarcação adequada para transportar pacientes, alguns dos quais em condições críticas. Em particular, necessitamos uma embarcação grande que possa receber os pacientes que chegam em pequenos barcos pesqueiros. A Green Ocean, uma embarcação que normalmente opera entre Trincomalee e Jaffna, é a melhor opção disponível no momento. As evacuações médicas do CICV são agendadas com cuidado e são discutidas com as autoridades civis, de modo a diminuir o impacto da desestruturação do serviço de barcas para a população de Jaffna. |