©ICRC/P. Yazdi
Campo Bibia para pessoas deslocadas internas, distrito Amuru. Margret Achieng com sua filha de quatro anos, Grace Apio. Margret Achieng é beneficiária do centro de saúde local, que tem apoio do CICV.
Margret Achieng * lembra-se muito bem do dia em que a enfermeira lhe contou que ela é soropositiva. Aos 23 anos, ela tinha acabado de fazer o teste para mulheres grávidas, recentemente incluído no centro de saúde Bibia, nas redondezas – uma das clínicas médicas que recebem apoio do CICV no norte de Uganda. "Estava tão triste quando ouvi o resultado", afirma, brincando nervosamente com um pedaço de barbante azul.
Na entrada de uma cabana próxima, sua sogra está cozinhando cassava, enquanto um casal de patos caminha perto. A filha de Margret, Grace Apio *, que tem quatro anos, corre alegremente pela cabana.
Margret cresceu aqui, no extenso campo Bibia, destinado a deslocados internos, que fica a apenas sete quilômetros da fronteira sudanesa. No auge do conflito entre o Exército de Resistência do Lorde e o governo ugandense, o centro de saúde tinha até fechado suas portas. Apesar disso, este é o lugar onde as pessoas da família de Irene que sobreviveram se refugiaram depois que o pai, o tio e a tia dela foram mortos. Irene era tão jovem na época que, afirma, "não tenho nenhuma lembrança com a qual possa comparar a minha vida de hoje. Não me lembro de nada mais que o campo."
Tratamento simples deixa o bebê livre do HIV
Já em estágio avançado da gravidez, ela foi ao centro de saúde para ser examinada, vacinada e receber "as redes de mosquito que eles dão para as grávidas e também para os maridos que concordam em vir". Também fez o teste de HIV oferecido e que é feito somente em caráter voluntário, segundo a política nacional. Depois de saber o resultado, pediu a seu marido para também fazer. Ele se recusou.
Apesar disso, seu bebê tem boas chances de não ser infectado, graças a um tratamento relativamente simples. "Essas mães precisam tomar niverapine algumas horas antes do parto", explica Florence Aneko Ogwang, responsável pela área de saúde reprodutiva no centro do CICV em Gulu. "E o bebê deve receber xarope de niverapine dentro de 72 horas após o nascimento."
A equipe médica está "lutando", segundo as palavras de muitas parteiras, para convencer o maior número possível de mulheres, qualquer que seja seu status em relação ao HIV, para terem seus partos nos centros de saúde. Se isto não for possível – por causa do trabalho de parto à noite, quando as pessoas não se arriscam a sair de casa, ou por qualquer outra razão – as mães soropositivas recebem um suprimento de niverapina para manter em casa. Também lhes explica porque devem trazer o bebê à clinica, até 72 horas depois do nascimento.
Há mais um detalhe. Na teoria, as mães infectadas não devem amamentar, porque o leite delas pode transmitir o vírus. No entanto, explica Florence Ogwang, "tendo em vista o nível de pobreza nesta região dificilmente existem outras opções". E o risco de uma diarréia mortal por causa do uso de água contaminada nas fórmulas ministradas ao bebê é na verdade mais elevado que o risco de transmitir o vírus pelo leite materno.
Medindo os riscos
"Aconselhamos as mulheres a amamentar durante quatro meses, depois mudamos completamente para comidas sólidas", acrescenta Florence Ogwang. Não deve haver mistura na alimentação: no caso de diarréia induzida por alimentos sólidos, a inflamação nos intestinos facilita a transmissão do vírus HIV presente no leite da mãe."
O teste e o tratamento – chamados Prevenção da Transmissão Materno-infantil, ou PTMI – foi recentemente introduzido em três centros de saúde que o CICV apóia no norte de Uganda, e dois outros devem ser incluídos em breve.
Margret Achieng espera dar à luz "a qualquer momento. Disseram-me para dar à luz no centro de saúde, e assim será feito." Como ela se sente agora? "Não tão triste quanto no começo, porque a enfermeira explicou que vou tomar este remédio antes e depois do parto, e meu bebê não terá o vírus HIV." Ela espera ter um menino, depois de Grace Apio? Um leve sorriso vem-lhe em seu lindo rosto: "Vou aceitar o que Deus me der."
* Não são seus nomes verdadeiros
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©ICRC/P. Yazdi
Grace Akot with her three-hour-old son at Arum maternity clinic, which is supported by the ICRC.
 Grace Akot with her three-hour-old son at Arum maternity clinic, which is supported by the ICRC.
©ICRC/P. Yazdi
Os "Kits para a mamãe" são sucesso
Uma lâmina limpa, algodão, desinfetante, um bom tecido para envolver o corpo da mãe após o parto, um lençol de plástico para proteger a cama e, mais importante de tudo, uma toalha de boa qualidade: este é o conteúdo dos "kits para mamãe" que o CICV está distribuindo para os centros de saúde que ajuda. "O objetivo é garantir um parto seguro e em boas condições de higiene", explica Florence Aneko Ogwang, do CICV. Nesse sentido, a lâmina limpa para cortar o cordão umbilical é muito importante: em casa, o cordão umbilical é freqüentemente cortado com uma faca ou uma gilete sujas, aumentando o risco de infecção pós-natal.
Mas o que as mães mais gostam são as toalhas espessas e as barras de sabonete. "Um sabonete como este custa 2.500 shillings ugandenses – 1,60 dólares – uma quantia que a maioria das mães nesta região não pode se dar ao luxo. E permite lavar o bebê durante dois meses", afirma Florence Ogwang. Em um país que, com uma média de 6,7 filhos por mulher, tem uma das mais altas taxas de nascimento em todo o mundo, garantir partos seguros é muito importante.
Embora a maioria das mulheres no norte de Uganda ainda realize partos em casa, a proporção de nascimentos em centros de saúde está aumentando aos poucos. Melhores instalações, como as maternidades que o CICV está construindo ou reformando, são um dos fatores determinantes. Os kits para as mães são outro. No centro de saúde Arum, o funcionário da clínica, Samson Ocaya, lembra que "começamos em condições muito precárias. Mas aos poucos o número de partos aumentou, e no mês passado tivemos 67. Nossas parteiras não dormem mais à noite!"
Na maternidade Arum, Grace Akot está descansando em uma cama com um lençol de plástico amarelo fornecido pelo CICV, com seu filho de três anos nos braços. Aos 24 anos, este é seu terceiro filho, "mas é a primeira vez que dou à luz em uma clínica. Sei que é mais seguro. Foi realmente muito bom receber o kit para as mães".
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