Página inicial
  English
  Arabic
  Russian
  Chinese
Ajude as vítimas da guerra: faça hoje uma doação ao CICV!
  NO ENGLISH TITLE
26-03-2007  Entrevista  
Mulheres deslocadas pela guerra
Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, 8 de março, Florence Tercier, assessora do CICV para Mulheres e a Guerra, fala do sofrimento provocado pelos deslocamentos em situações de conflito armado, um fenômeno particularmente preocupante no caso das mulheres.

Mulheres deslocadas pela guerra
  • Mulheres no Iraque: "É como estar numa grande prisão".
  • Serra Leoa: um refugio de viúvas de guerra devolve a esperança para uma mulher.
    (em espanhol e inglês)
  • Mulheres em deslocamento: arcando com um pesado fardo - coleção de fotografias
  • © CICV
    Florence Tercier, assessora do CICV sobre "As mulheres e a guerra".

    Por que os deslocamentos são ainda mais duros para as mulheres na guerra?
    Para todas as vítimas da guerra, o deslocamento traz conseqüências trágicas, como a perda do ambiente familiar, dos pontos de referência e das fontes de renda, e uma possível separação familiar. Além disso, as causas dos deslocamentos e as circunstâncias nas quais isso acontece são muitas vezes traumáticas, seja por um abandono do lar sob uso da força, seja por uma fuga para salvar a vida.

    As mulheres são ainda mais afetadas pelos deslocamentos, não somente porque elas se encontram numa situação onde, sem a companhia do homem, elas não gozam mais de mecanismos tradicionais de proteção, estando mais expostas a riscos de violência e exploração, mas também porque elas passam a ter que desempenhar tanto sua função doméstica tradicional, quanto outras novas funções, acumuladas pela ausência de seus maridos ou outros membros masculinos de suas comunidades. Além disso, as mulheres têm que atender as necessidades das crianças e cuidar de sua educação.

    Eu tenho encontrado mulheres em diversos contextos que têm que assumir riscos, muitas vezes enormes, diariamente, para sobreviver e garantir a sobrevivência de suas famílias. Sair para procurar trabalho, buscar alimentos nas florestas ou nos campos, conseguir lenha e água são atividades que podem expor essas mulheres a grandes riscos. Todos os dias, elas enfrentam o mesmo dilema entre o risco e a necessidade de prover as carências imediatas de suas famílias.

    As mulheres têm mostrado uma impressionante capacidade de enfrentar situações adversas em contextos de deslocamentos. A senhora poderia dar alguns exemplos de como elas manejam essas situações?

    Eu tenho tido a oportunidade de observar com freqüência que, em situações de deslocamento, as mulheres se tornam a base de sustentação da família e da comunidade. Elas sabem como manter a organização, tanto no âmbito doméstico, quanto na colaboração com outras mulheres das quais elas podem esperar apoio. Elas devem manejar diversas responsabilidades e inúmeras tarefas ao mesmo tempo, sem poder escolher outra forma de fazer isso.

    Por exemplo, as mulheres podem ser vistas realizando atividades que normalmente são atribuídas aos homens de uma comunidade, como a construção, o comércio, o transporte ou o carregamento de caminhões. As mulheres muitas vezes criam cooperativas ou associações onde podem trabalhar juntas e compartir materiais, dinheiro e apoio moral.

    Obviamente, a guerra muda o status das mulheres, seja dentro das famílias, seja em suas comunidades, precisamente porque as obriga a assumirem diferentes funções e desempenhar diversos papéis. Estas mudanças podem vir a ter um efeito positivo, aumentando e mantendo a independência feminina, mas, ao mesmo tempo, também pode trazer sérias conseqüências para as próprias mulheres e para os seus filhos. De um lado, elas podem ser sobrecarregadas com o peso de suas tarefas e responsabilidades, de outro, elas até podem ser recriminadas justamente por assumirem papéis importantes em suas comunidades, que vão além do ambiente social e cultural no qual elas estão geralmente confinadas.

    O que o CICV faz para ajuda essas mulheres?

    A primeira preocupação do CICV é estabelecer contato com as mulheres deslocadas para entender suas circunstâncias, experiências, preocupações e necessidades. Com a intenção de responder a estas necessidades da melhor maneira possível, o CICV trabalha, na verdade, para beneficio de todos os que tenham sido deslocados pelo conflito armado, por exemplo, provendo abrigos, alimentos ou outros suprimentos.

    Alguns programas são desenvolvidos para ajudar as mulheres a restabelecerem seus meios de produção, dando a elas vários tipos de apoio, desde a distribuição de sementes, ferramentas e materiais agrícolas até projetos mais específicos como os relacionados aos rebanhos de animais, venda de vegetais ou administração de moinhos, juntamente com o treinamento adequado para que os empreendimentos prosperem no ambiente econômico.

    Para reduzir o risco de ataques contra as mulheres quando elas vão ao trabalho, o CICV constrói ou melhora os pontos de suprimento de água próximos aos locais onde se encontram as mulheres deslocadas.

    As atividades do CICV na área da saúde são voltadas mais especificamente às mulheres grávidas, que devem receber os cuidados adequados antes, durante e depois do nascimento da criança. Para as vítimas de violência sexual, é dado tratamento e apoio psicológico e social adequados.

    Como parte de seus esforços de promover o Direito Internacional Humanitário, o CICV aproxima-se dos portadores de armas com mensagens fortes, enfatizando a proteção que deve ser dada às mulheres.

    Finalmente, os riscos enfrentados pelas mulheres deslocadas, assim como suas necessidades, variam conforme os diferentes estágios de deslocamento, antes e durante a fuga, durante o período de deslocamento e no seu retorno para casa. Estes riscos e necessidades são muitos e muito sérios e é através da discussão com essas mulheres que se encontram formas de evitar riscos e atender às necessidades provocadas pelos deslocamentos.

    Outros documentos nesta secção
    Em foco > As mulheres e a guerra 

    Voltar ao princípio da página
    Página inicial | Mapa do site | Pesquisa | Novidades | Contactos | Copyright
    © 2008 Comité Internacional da Cruz Vermelha
    26-03-2007