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Acesso às vítimas mais vulneráveis dos conflitos continua vital

27-05-2009 Coletiva de imprensa

Durante o lançamento do Relatório Anual do CICV de 2008, o presidente do CICV Jakob Kellenberger destacou o acesso único da organização às zonas de conflito e os efeitos da economia sobre as pessoas mais vulneráveis que vivem aí.

 

Relatório Anual 2008

©ICRC/T. Gassmann/ch-e-00386 
   
 
     

Kellenberger chamou atenção para os efeitos do declínio econômico sobre as pessoas mais pobres que vivem nas zonas de conflito. Como destacou, “A maioria das pessoas muito pobres nessas áreas sobrevive e depende de envios de dinheiro de parentes que trabalham no exterior, mas o aumento nos índices de desemprego reduz essas remessas. Uma redução da renda disponível é um desastre para uma família que já está gastando sua renda disponível em comida”.

Os gastos dos CICV aumentaram de novo em 2008, por um lado porque a organização teve maior acesso às zonas de conflito onde poucas organizações puderam chegar e, por outro lado, também devido à piora na situação humanitária em países atingidos por uma combinação de guerra, desastre natural e aumento no preço dos alimentos, como na Somália.

  Sri Lanka  

Em resposta às questões sobre o papel do CICV no conflito do Sri Lanka, o presidente destacou que desde fevereiro até maio o Comitê tem sido a única organização humanitária operando na área mais afetada pelo combate, so b condições muito perigosas que ocasionaram a morte de três funcionários do CICV. O Comitê já evacuou 14 mil doentes e feridos (junto com seus parentes) por mar.

Kellenberger explicou que o CICV conversou com ambos os lados a respeito do cumprimento do Direito Internacional Humanitário. " Seguindo nossos procedimentos normais, discutiremos as questões relacionadas em particular com as autoridades pertinentes”, anunciou.

A seguinte tarefa do CICV no Sri Lanka será lidar com as consequências diretas do combate. “No momento, há mais de 250 mil deslocados internos. As necessidades são grandes, sobretudo no que se refere à assistência médica e essas necessidades não estão sendo completamente supridas. É fundamental termos acesso aos deslocados internos para prestar-lhes assistência médica e levar-lhes água e outros itens básicos, para verificar as condições e o tratamento e para permitir que as pessoas restabeleçam ou mantenham contato com seus familiares”, explicou Kellenberger. “O CICV está discutindo a questão do acesso aos deslocados internos com o governo cingalês”.

  Paquistão  

Ao descrever a situação humanitária do Paquistão como “extremamente grave”, Kellenberger alertou que ao mesmo tempo em que nenhuma agência humanitária estava em posição de dar números precisos, era possível afirmar que o combate havia deslocado entre um e dois milhões de pessoas, sobretudo de Swat, Lower Dir e Buner. O Presidente disse que o Comitê estava operando em Lower Dir e Buner, mas que atualmente é muito perigoso para a equipe do CICV trabalhar em Swat.

Ao mesmo tempo em que vê as atividades no Paquistão como “modestas se comparadas às enormes necessidades”, o Presidente do CICV destacou que a organização estava trabalhando com o Crescente Vermelho paquistanês para assistir cerca de 120 mil deslocados internos que vivem nos campos, escolas e com famílias que os acolhem.

  Somália  

Kellenberger conta que a Somália foi uma das maiores operações do CICV durante 2008, quando o intenso conflito fez com que centenas de milhares de pessoas fugissem de Mogadício. O Presidente do Comitê destacou que a situação foi agravada pelas enchentes em algumas partes do país, pela seca em outras e pelo aumento dos preços dos alimentos, e ressaltou que centenas de milhares de pessoas dependem de socorro.