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Brasil: CICV restabelece laços familiares de moradores isolados na serra fluminense

19-01-2011 Reportagem

Depois das enchentes e dos deslizamentos que atingiram o Brasil no dia 12 de janeiro, muitas pessoas ainda estão isoladas, sem meios de se comunicarem com o mundo. A Cruz Vermelha Brasileira e o CICV disponibilizaram telefones via satélite para que as pessoas nas áreas afetadas pudessem tranquilizar seus parentes e dizer que estão sãs e salvas.

"Estou viva!", era tudo o que Sandra Knipfer queria dizer à filha, que mora no outro lado do estado do Rio de Janeiro. A dona de casa está entre os moradores da Região Serrana fluminense que ficaram isolados, sem qualquer comunicação, depois dos deslizamentos que são considerados uma das maiores catástrofes naturais que já atingiu o Brasil. Ela e outras pessoas puderam falar com seus familiares por meio de telefones via satélite fornecidos pelo CICV no início da semana, a pedido da Cruz Vermelha Brasileira.

Ao devolver o telefone, as lágrimas escorriam pelo rosto de Sandra. "Que ação maravilhosa! Nossas famílias estão loucas sem saber o que aconteceu com a gente". Assim que terminou a ligação, secou as lágrimas e seguiu caminhando pela lama que cobre a principal rua de Vieira, um distrito de Teresópolis, para ajudar outras pessoas afetadas pelo desastre.

Vieira é uma das várias regiões isoladas no estado do Rio, onde a enchente e os deslizamentos de terra já deixaram mais de 700 mortos, centenas de desaparecidos e cerca de 15 mil desabrigados. Ainda não há eletricidade, nem telefone e mais corpos são encontrados à medida que as equipes de resgate removem a lama e os destroços das casas. O desastre também afetou os estados de São Paulo e Minas Gerais.

O restabelecimento de contatos familiares é parte da resposta conjunta liderada pela Cruz Vermelha Brasileira, com o apoio do CICV. No momento, equipes conjuntas estão nos municípios de Teresópolis e Nova Friburgo para oferecer ligações via satélite de até dois minutos à população que não pôde entrar em contato com seus parentes, preocupados, que vivem em outras áreas.

"Essa tecnologia é uma maneira espetacular de encontrar as pessoas. O telefone permite sentir melhor a pessoa do outro lado da linha e tranquilizá-la", conta Osvaldo Amarante, chefe do Departamento Nacional de Busca de Paradeiro da CVB, que acompanhou um dos grupos.

O estudante de medicina Daniel Tignola, 22 anos, integra a equipe de saúde que atende de maneira improvisada dentro de uma mercearia em Vieira, depois que o posto de saúde oficial foi destruído. "As pessoas simplesmente não têm noção do que aconteceu aqui. Esse trabalho da Cruz Vermelha é fundamental para apoiar a população local", disse.

Stephan Sakalian está à frente do projeto do CICV na cidade do Rio de Janeiro, que visa a reduzir as consequências humanitárias da violência armada em sete comunidades na capital fluminense. "O CICV está profundamente solidário à dor da população", declarou. "Esperamos que nossa experiência em atuar em emergências humanitárias possa contribuir para aliviar o sofrimento que as enchentes e os deslizamentos causaram a tantas pessoas".
Para saber mais sobre a resposta do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho ao desastre no Brasil, visite as páginas da Cruz Vermelha Brasileira (www.cruzvermelha.org.br) e da Federação Internacional das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (http://www.ifrc.org/docs/news/11/11011802/index.asp).


Foto

Teresópolis, Brasil. Pessoas isoladas na região serrana agora podem falar com suas famílias novamente, graças ao telefone satelital. 

Teresópolis, Brasil. Pessoas isoladas na região serrana agora podem falar com suas famílias novamente, graças ao telefone satelital.
© ICRC / M. Moraes / br-e-00156