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Relatório de atividades Colômbia 2012 - situação humanitária

24-04-2013 Reportagem

O ano de 2012 na Colômbia caracterizou-se pela continuidade do conflito armado de quase meio século, pela esperança de que governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia- Exército do Povo (Farc-EP) encontrem uma solução para o conflito e pela intensificação de outras formas de violência. Enquanto os diálogos para se chegar a um acordo de paz são realizados em Cuba pelo governo e pelas Farc-EP, continuam existindo no país conflito armado e violência.

Introdução

Diversas formas de violência, a mesma dor para as vítimas

Durante o ano passado, o CICV registrou 880 supostas violações das normas do Direito Internacional Humanitário (DIH) por todas as partes em conflito, assim como transgressões das normas fundamentais de proteção da pessoa humana pelos distintos atores armados. 

Estas infrações, como mortes, ameaças, desaparecimentos, deslocamentos forçados, violência sexual e ataques contra a missão médica, afetaram tanto a população civil de zonas isoladas como os moradores das grandes cidades.

Em 2012, o Comitê constatou a deterioração das condições de vida da população civil devido ao recrudescimento das hostilidades nas províncias de Cauca, Norte de Santander, Caquetá, Arauca, Putumayo e Nariño. A essas consequências do conflito armado se somaram outras provocadas por novos grupos armados organizados ou por atores da violência armada em cidades como Medellin, Buenaventura e Tumaco.

A "outra Colômbia", sobre a qual fazemos referência no relatório anual de 2011, continua distante e esquecida; e as necessidades humanitárias mal são atendidas. Essas comunidades, sem acesso a serviços básicos como educação, saúde, transporte ou água potável, sofrem os efeitos diretos e indiretos da violência.

O CICV reconhece os avanços do Estado na atenção e reparação concedidas a uma grande quantidade de vítimas. No entanto, é preocupante que uma porcentagem significativa de vítimas fique excluída da ajuda estatal, particularmente as que são vítimas de uma violência que não se refere ao conflito armado.

 

 Resposta humanitária

 

Em 2012, o CICV assistiu e protegeu as vítimas que necessitavam de ajuda imediata para superar os danos causados pelos atores armados.

Mais de 200 mil foram beneficiários diretos da ajuda prestada pela organização.

Esta assistência consistiu, por exemplo, de entrega de alimentos, utensílios domésticos básicos e artigos de limpeza para as famílias deslocadas; pagamento de transporte para pessoas ameaçadas; cobertura de gastos funerários para as que perderam um ente querido e não podiam pagar o enterro; ajuda de custo para remédios e tratamento médico; evacuação de feridos e doentes das zonas de conflito; e entrega de material para a recuperação de infraestruturas.

Além disso, mediante o diálogo confidencial que mantém com todas as partes em conflito e outros atores armados, o CICV conferiu proteção à população ao transmitir aos prováveis perpetradores os casos de violações conhecidas e convencê-los que respeitem as normas humanitárias.

Todas as atividades são realizadas graças ao trabalho conjunto com a Cruz Vermelha Colombiana, sócia estratégica do Comitê no país.

Durante o ano de 2013, quando se celebra o aniversário de 150 anos da instituição, o CICV continuará trabalhando em zonas de conflito e violência, acompanhando as vítimas e buscando oferecer soluções às suas necessidades humanitárias mais prementes.

 

Entrevista com o chefe da delegação do CICV em Bogotá, Jordi Raich