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Desafios humanitários contemporâneos

19-02-2013

Conheça os principais desafios que o trabalho humanitário deve superar na atualidade.

Chegar às pessoas necessitadas

Acreditamos que é essencial estar mais próximos das pessoas que ajudamos no terreno. Desta maneira, podemos entender melhor as suas necessidades e responder de forma adequada e eficaz. As nossas parcerias com as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho são cruciais para essa proximidade.

Estar perto das pessoas que atendemos ao mesmo tempo em que garantimos a segurança da nossa equipe é um desafio importante em muitas partes do mundo, como no Afeganistão, Mali, República Democrática do Congo, Síria ou Somália. O combate e a falta de segurança quase sempre impedem os profissionais de assistência de chegarem às pessoas que estão encurraladas em meio ao conflito armado.

Em alguns casos, as autoridades ou os grupos rebeldes dificultam a prestação de assistência ou simplesmente se recusam a dar acesso às comunidades vulneráveis. Em casos raros, porém angustiantes, tivemos de enfrentar a difícil escolha de suspender o trabalho humanitário vital devido à falta de segurança ou às barreiras políticas.

Para nós, assegurar que as partes em conflito entendam que não tomamos partido e estamos apenas interessados em ajudar de forma imparcial as pessoas que sofrem as consequências do conflito ou da violência é crucial para chegar às pessoas que necessitam tão desesperadamente de ajuda.

Fortalecer as pessoas e as comunidades

As pessoas afetadas pelo conflito e pela violência armada devem representar um papel central na decisão de que tipo de assistência receber. Elas conhecem o seu ambiente e as suas necessidades. Afinal, são elas as interessadas.

Hoje, as pessoas podem transmitir as suas necessidades e pedir ajuda graças às novas tecnologias. As mensagens de texto de celulares e as mídias sociais, por exemplo, permitem que os beneficiários em determinadas situações se comuniquem com organizações de assistência em qualquer lugar. A tecnologia pode apoiar a resposta humanitária, garantindo um diálogo entre as pessoas afetadas pelo conflito e aquelas que tentam ajudá-las. Mas essa tecnologia não pode substituir as vitais discussões cara a cara.

Com informações confiáveis, em primeira mão, desenvolvemos atividades sob medida segundo as necessidades e as vulnerabilidades das pessoas e buscamos fortalecer as suas vidas e as formas como lidam com futuras crises. Também buscamos saber delas se as suas necessidades foram atendidas ou não.

Mas fortalecer as pessoas e as comunidades não é tarefa fácil. Exige a capacidade de ouvir todos os envolvidos, entender a cultura e as convenções morais e considerar com cautela a dinâmica local. Se pudermos alcançar isso, então, podemos fazer verdadeiras parcerias com os beneficiários e saber que a nossa ajuda é o que proporcionará o maior e mais duradouro beneficio.

Garantir que o DIH faça o que deve: proteger

Se o Direito Internacional Humanitário (DIH) fosse mais respeitado, haveria menos sofrimento. As normas são abrangentes, mas quase sempre os portadores de armas não as cumprem, o que tem consequências desastrosas para a população civil. Chegar à raiz do problema é uma prioridade do CICV.

Realizamos um importante estudo sobre o DIH. Os resultados confirmaram a relevância desse conjunto de leis, mas também identificou alguns pontos fracos significativos na proteção legal concedida por ele. Estamos abordando esses pontos fracos na nossa iniciativa Fortalecendo o DIH, com o objetivo de aumentar a proteção dos detidos em conflitos armadas não internacionais e a eficácia dos mecanismos para assegurar o cumprimento do DIH.

Alguns dos conflitos armados de hoje se caracterizam pelo surgimento de novos meios e métodos de guerra. Armas avançadas, incluindo aviões não tripulados, robôs ou guerra cibernética, testam o marco jurídico especialmente projetado para proteger as vítimas. Além disso, o uso de determinadas armas explosivas em áreas densamente povoadas e a falta de regulamentação para o acesso a armas convencionais (como armas de pequeno porte) em muitos outros conflitos também causam preocupação.

Em resposta a isso, nos esforçamos para garantir que o DIH continue sendo relevante nos conflitos de hoje e que proteja as pessoas mais vulneráveis. O verdadeiro teste, no entanto, é se os combatentes e as pessoas que os comandam cumprem ou não essas normas. Portanto, buscamos ativamente um maior respeito ao DIH no mundo todo ao interagir com os combatentes e as pessoas que possam influenciar o seu comportamento.

Aproveitar ao máximo o cenário humanitário diverso

Um crescimento substancial caracteriza o mundo humanitário nos últimos 20 anos. O cenário humanitário está cada vez mais global e geograficamente diverso, com uma grande quantidade de ONGs, empresas privadas, governos e forças armadas representando um papel. Essas organizações às vezes, têm percepções diferentes quanto às necessidades e prioridades das comunidades às quais servem e têm abordagens diferentes.

Como consequência, em determinadas crises com grande visibilidade na mídia, a coordenação pode ser um desafio ainda maior, enquanto em outras, pouquíssimas organizações lutam sozinhas para atender as enormes necessidades longe dos holofotes.

Estabelecemos parcerias com as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e com outras organizações locais, e buscamos melhorar a nossa coordenação com todas as organizações que estão no terreno prestando assistência de forma imparcial.

Acreditamos que a diversidade de resposta humanitária faz com que seja possível atender as necessidades das pessoas vulneráveis. Devemos aproveitar ao máximo essa diversidade, partindo de valores e princípios essenciais em comum, ao mesmo tempo em que se respeitam os mandatos, as abordagens e os conhecimentos particulares de cada organização. Isso permitirá que tenhamos um impacto humanitário muito maior para as pessoas necessitadas.