Brasil: Cruz Vermelha leva ajuda aos que não aparecem nos cartões postais do Rio de Janeiro
10-09-2008 Reportagem
A Cruz Vermelha Brasileira concluiu no dia 2 de agosto o primeiro treinamento em primeiros-socorros para 49 moradores dos complexos do Alemão e da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. De acordo com os planos, o programa será estendido para outras comunidades do Rio de Janeiro consideradas "zonas de vulnerabilidade social", onde altos índices de violência e carência de serviços se misturam.
A Zona Sul do Rio de Janeiro é um dos mais belos cartões-postais do mundo. A cena idílica de praias, areia branca e mar azul não resume, entretanto, essa cidade do litoral sudeste do Brasil que mistura riqueza e pobreza, abundância e carência no mesmo espaço.
Fora das praias, crescem enormes bairros periféricos densamente povoados, chamados de favelas. Quando essas favelas incham e unem-se geograficamente nos seus limites, ganham o nome de Complexos. São extensas zonas territoriais muitas vezes carentes de acesso a serviços públicos e onde os níveis de violência são mais altos em comparação com o resto da cidade.
Para amenizar o sofrimento dos moradores destas comunidades, a Cruz Vermelha Brasileira concluiu no dia 2 de agosto o primeiro treinamento em primeiros-socorros para 49 moradores dos complexos do Alemão e da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. De acordo com os planos, o programa será estendido para outras comunidades do Rio de Janeiro consideradas " zonas de vulnerabilidade social " , onde altos índices de violência e carência de serviços se misturam.
Com esse projeto, a organização espera que os alunos tenham condições de atender os feridos por situações de violência ou acidentes domésticos, além de disseminar os conhecimentos de saúde entre seus vizinhos.
" Queremos que essas pessoas saibam salvar vidas, sem distinção de nenhum tipo " , diz o representante do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para os países do Cone Sul e Brasil, o suíço Michel Minnig.
Há 200 mil moradores só nas duas comunidades onde o projeto se desenvolve, muitos deles com dificuldade de acesso a estruturas de saúde e expostos às conseqüências humanitárias dos enfrentamentos entre forças policiais e grupos portadores de armas. Estima-se que 1 milhão de pessoas vivam hoje nas 513 favelas do Rio de Janeiro, o que corresponde a 20% da população da cidade.
Ana Corina, moradora da Maré há 20 anos, participou dos seis sábados de treinamento dado pelos voluntários da Cruz Vermelha Brasileira. " Eu já vi gente ferida perto da minha casa e eu não sabia o que fazer. Agora, pelo menos, sei como ajudar " , diz. " Na hora do perigo até eu me surpreendo comigo mesma. Fico calma " .
Esta é a primeira vez que o CICV coopera com a Cruz Vermelha Brasileira em favelas do Rio de Janeiro. O projeto também teve apoio de duas associações locais, a Luta Pela Paz e o Educap (Espaço Democrático de União, Convivência, Aprendizado e Prevenção).
A oficial de programa do CICV no Rio de Janeiro, Ana Cristina Monteiro, reconhece que o número de alunos é pequeno se comparado com a população destas comunidades, mas ela conta que " todos os participantes nos disseram que nós fomos os primeiros a trazer um projeto como esse para cá " .
Além disso, a Cruz Vermelha Brasileira ofereceu para moradores destas duas comunidades 10% de todas as vagas permanentes nos cursos regulares de primeiros-socorros, realizados na sua sede, na Praça da Cruz Vermelha, Centro do Rio, o que deve contribuir para um aumento no número de alunos ao longo dos próximos meses.

