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Chile: evacuados pela fúria do mar conseguem retomar contato com familiares

10-03-2010 Reportagem

O medo da fúria do mar e das réplicas do sismo levou muitas famílias a abandonarem seus lares na zona costeira do centro-sul do Chile. Passados dez dias do terremoto e do maremoto que devastaram a região, as pessoas afetadas vivem agora em campos improvisados nos morros próximos.

     
    ©CICV/Daniel Rojas / V-P-CL-E-00018      
   
Internato destruído em Tirúa.
     
               
    ©CICV/Daniel Rojas/      
   
Delegados do CICV visitam um campo onde estão as pessoas afetadas pelo terremoto, em Quidico. Dezenas de famílias abandonaram suas casas devido ao terremoto e ao maremoto que atingiram o Chile em 27.02.2010.      
                 
    ©CICV/Daniel Rojas/ V-P-CL-E-00019      
   
Os índios mapuches Juana Millahual, 69 anos, e o marido em visita a Tirúa. A família mora em Lleu-Lleu, comuna próxima a Tirúa na 8ª Região de Bío-Bío.
     

         

Os serviços de telefonia fixa e celular estão se normalizando. Mas as dificuldades estão em que, nas casas “terremoteadas”, como dizem os chilenos, todos os objetos e móveis foram quebrados ou perdidos, entre eles celulares nos quais as pessoas guardavam sua agenda de contatos.

       

    ©CICV/Daniel Rojas/ V-P-CL-E-00020      
   
Juana Millahual, 69 anos, com sua vestimenta tradicional mapuche, e um delegado do CICV.      
         

Na segunda-feira passada, uma equipe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) conseguiu entrar em contato com famílias vulneráveis de agricultores e pescadores de Quidico, na 8ª Região de Bío-Bío, na província de Arauco. O tsunami destruiu seus quiosques na orla em La Puntilla, mas as casas se mantêm de pé, em um cenário de peixes mortos, escombros e lixo. “Está tudo revirado”, dizem os chilenos. 

Como a maioria dos vizinhos, Custodia Sáez, de 60 anos, tem medo. A experiência no Chile mostra que a Terra não se acalma rápido. E o temor é maior agora, já que o sismógrafo acusou um dos índices mais altos da história no dia 27 de fevereiro no Chile: 8,8 graus.

Desde a tragédia, as notícias de réplicas são diárias. “Sentiu os tremores?”, é uma pergunta comum e repetida todos os dias. Ao medo de futuros tremores, se soma a ansiedade de saber o que o frio e a chuva podem trazer nas próximas semanas.

“A viração do mar dá medo”, diz D. Custodia, angustiada. Os moradores da região esperam poder se instalar em terras mais distantes do litoral, apesar de terem passado a vida inteira ao lado d o Oceano Pacífico aproveitando cada amanhecer nas belíssimas paisagens marinhas da costa chilena. Depois do grande susto passado durante o terremoto, muitos perderam o sono e não querem mais voltar para casa.

A 20 km daí, a comuna de Tirúa também sofreu os efeitos do sismo e do tsunami posteriores. A prefeitura ficou devastada e muitas construções não resistiram à força da água.

A falta de luz nos locais distantes impossibilita que os telefones sejam carregados e a falta de crédito para celulares de sistema pré-pago é outro problema que os chilenos têm que enfrentar.

Graças aos celulares da Cruz Vermelha Chilena, D. Custodia conseguiu entrar em contato com familiares em Santiago e contar que está bem, apesar de passar frio à noite e de estar preocupada em conseguir mantimentos para os próximos dias.

     Procurando um familiar? www.icrc.org/familylinks.  

  Mais informações:  

Sandra Lefcovich, Brasília, CICV, atualmente no Chile, tel.: +562 783 180 17 ou +55 61 81 22 01 19
Silvia Santander Andrade, Cruz Vermelha Chilena, tel.: +56 2 777 14 48
Marçal Izard, Ginebra, CICV, tel.: +41 79 217 32 24

Para saber mais sobre a resposta global da Cruz Vermelha Chilena e do Crescente Vermelho à catástrofe no Chile: www.ifrc.org