Dia Mundial da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho 2010: urbanização
06-05-2010 Reportagem
Os moradores de zonas urbanas constituem metade da população mundial, e esse número deverá crescer rápido nas próximas décadas. Para muitas pessoas, mudar-se para a cidade significa melhores empregos e serviços. Mas para milhões de outras, a vida na cidade significa violência, pobreza, poluição e vulnerabilidade. Estima-se que 1 bilhão de pessoas vivem em favelas ou outras moradias precárias.
Índice
Panorama
Os centros urbanos são o lar de metade a população mundial. Esses centros são máquinas de prosperidade, expressão cultural, diversidade e crescimento econômico, mas também estão sujeitos a poluição, violência, crime, ambientes superlotados e más condições de higiene, pobreza, exclusão social e vulnerabilidade cada vez maior.
Estima-se que 4,9 bilhões de pessoas estarão vivendo em ambientes urbanos até 2030 – mais de 60% da população mundial (Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos - UN-Habitat).
A maior parte das principais cidades do mundo está em nações de renda média ou baixa.
Dois terços dos 10,55 milhões de refugiados do mundo estão em povoados e cidades. (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados - Acnur)
- Desastres
- Saúde e serviços sociais
- Violência urbana
- Migração e deslocamento
Populações urbanas em risco
1 bilhão de pessoas vivem em moradias de má qua lidade e superlotadas, em favelas ou assentamentos informais. Essas pessoas correm maior risco de contraírem doenças como Aids ou tuberculose. A população que vive em favelas pode aumentar para 1,5 bilhão até 2020. (UN-Habitat)
680 milhões de moradores de zonas urbanas não têm acesso ao fornecimento adequado de água. (UN-Habitat)
850 milhões de moradores de zonas urbanas não têm acesso a banheiros ou latrinas de qualidade que reduziriam os riscos à saúde. (UN-Habitat)
A Ásia tem o maior índice de exposição a enchentes causadas pela ressaca do mar. Em 2005, das 20 cidades com maior população e maior exposição à elevação do nível do mar e à ressaca, metade estava em nações asiáticas de renda média ou baixa. (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE)
As comunidades de favelas quase sempre se desenvolvem em áreas de risco, ou seja, áreas onde desastres naturais como enchentes são mais propensos. Com frequência, as pessoas que vivem aí não são donas das terras sobre as quais ergueram suas moradias.
O crime organizado representa um dos maiores desafios para reduzir a vulnerabilidade urbana. A maioria dos criminosos e vítimas da violência urbana são homens jovens com idades entre 15 e 25 anos. (UN-Habitat / OMS)
O conflito armado tem um efeito direto sobre muitas cidades e áreas densamente urbanizadas como Mogadíscio, Bagdá, Gaza e Goma (República Democrática do Congo).
Desastre
Redução de riscos
Tornar as cidades mais seguras é responsabilidade das autoridades e dos governos locais. As Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, como auxiliares oficiais de seus governos para questões humanitárias, podem representar um papel vital para exigir medidas sustentáveis com o objetivo de reduzir riscos.
As medidas de preparação para desastres salvam vidas. Elas incluem posicionamento antecipado dos artigos de socorro, coordenação do socorro, busca e resgate, primeiros socorros, procedimentos de evacuação, avaliações, treinamento de alertas e exercícios de simulação.
A ação eficaz e antecipada depende de que os alertas antecipados cheguem às pessoas de maneira oportuna e compreensível, e a resposta eficaz depende muito de que todos estejam preparados.
Moradia
Esse tipo de assistência inclui um bom planejamento urbano, que envolva a comunidade, e leve em consideração o meio ambiente, aspectos sociais, econômicos e técnicos para a reconstrução de assentamento.
As prioridades vão além de salvar vidas e oferecer proteção contra intempéries – também incluem garantir privacidade, dignidade, segurança pessoas e abastecimento de água e sistemas de saneamento.
Em geral, a moradia é o principal bem de uma família. Por meio da ação anterior ao desastre o Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho garantem que esse bem seja preservado em emergências.
Mudanças climáticas
O número de pessoas afetadas por desastres naturais relacionados com o clima aumentará para 375 milhões até o ano de 2015. O Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho encoraja as autoridades e os governos locais a se lembrarem das necessidades da maioria dos membros vulneráveis da sociedade na hora de responder essas condições em mudança.
Indonésia: cinco anos 'contruindo novamente e melhor' (em inglês)
Saúde
Saúde pública
Os pobres das zonas urbanas sofrem de doenças de maneira desproporcional. Mais de 1 bilhão de pessoas – um terço da população urbana – vivem em favelas. As pessoas que vivem nessas comunidades correm maior risco de contrair doenças crônicas e transmissíveis, como tuberculose e Aids.
O Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho advoga pelo acesso igualitário ao atendimento médicos para todas as pessoas vulneráveis, em particular para as que vivem em comunidades densamente povoadas e insalubres.
Os voluntários da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho representam um papel vital para chegar a essas comunidades. No entanto, é necessária mais ajuda para abordar desafios globais de saúde, como a Aids, a tuberculose e a malária, e chegar a populações marginalizadas em contextos urbanos como desabrigados, prostitutas, usuários de drogas injetáveis e migrantes.
À medida que as cida des crescem, cresce também a ameaça da tuberculose – uma doença letal que se espalha pelo ar e se desenvolve em comunidades carentes e densamente povoadas.
Água e saneamento
Hoje, quase um bilhão de pessoas não tem acesso ao fornecimento de água potável e mais de 2 bilhões não têm acesso ao saneamento adequado. Embora a maior parte das necessidades esteja em contextos rurais, o crescimento das populações urbanas está levando os serviços públicos ao limite, causando tensões dentro das comunidades e, em alguns casos, violência armada. Essa tendência contínua torna ainda mais difícil alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para água e saneamento da Organização das Nações Unidas (ONU).
Apesar do sucesso na facilitação de acesso à água potável em contextos urbanos, o saneamento continua sendo um grande problema. Um em cada cinco moradores urbanos não tem acesso ao saneamento decente – mais de 600 milhões de pessoas.
O Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho está entre as principais organizações humanitárias prestadoras de serviços de água, habitat e saneamento. Quase sempre em trabalho conjunto com as Sociedades Nacionais, os serviços de água e habitat do CICV beneficiaram no ano passado cerca de 13,6 milhões de pessoas em 35 países afetados por conflitos armados e outras situações de violência. Muitos dos beneficiados vivem em cidades como Herat (Afeganistão); Bagdá (Iraque); Rafah e Khan Younis (Faixa de Gaza), Porto Príncipe (Haiti) e Goma (República Democrática do Congo).
Primeiros socorros
O Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho advoga pelo treinamento em primeiros socorros acessível a todos. Em povoados e cidades, sobretudo em comunidades carentes, devemos assegurar que as pesso as vulneráveis possam receber treinamento para evitar ferimentos e salvar vidas, independentemente de sua condição de pagar.
Segurança nas vias
As mortes e os ferimentos causados por acidentes de trânsito podem ser prevenidos – maior segurança no trânsito salva vidas e ajuda a construir comunidade mais seguras. O Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho apoia a ação global e urgente para tratar esse grande problema de saúde pública.
O trabalho de água e habitat do CICV em 2009
Haiti: melhorar o acesso à água e restabelecer a dignidade dos anciãos (em espanhol)
Sri Lanka: estudantes tomam a iniciativa dos hábitos saudáveis (em inglés)
Violência
A violência urbana representa um grande desafio para as pessoas vulneráveis. Os problemas quase sempre são agravados por fatores como pobreza, desigualdade econômica, desemprego, exclusão social e marginalização.
À medida que o mundo se torna cada vez mais urbano, a violência em muitas cidades atinge proporções sem precedentes. Em alguns lugares, a violência crônica faz com que a vida cotidiana seja quase o mesmo que viver em uma zona de guerra. Com a rápida urbanização, o contexto para a violência está se modificando, criando novos desafios para aqueles que prestam socorro e trabalham para evitar o conflito.
O Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho advoga por uma maior ação por parte dos governos e autoridades locais com o objetivo de tratar os desafios impostos pela violência urbana, em particular, a disponibilidade de pequenas armas e outros tipos de instrumentos.
Por meio de seu papel auxiliar, as Sociedades Nacionais podem ajudar os governos locais a evitarem e reduzirem a violência por meio da educação e da geração de oportunidades de trabalho, oferecendo alternativas à violência armada.
A promoção da inclusão social e de uma cultura de não violência e paz é uma das prioridades estratégicas do Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Os povoados e as cidades são particularmente importantes nesse contexto. Através do trabalho das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho promove o diálogo intercultural e a harmonia dentro e entre as comunidades.
Enquanto o CICV age, sobretudo, em conflitos armados, a organização também tem um mandato para agir em situações definidas como “outras situações de violência”, situações estas que também podem surgir em cidades. Quase sempre trabalhando junto com as Sociedades Nacionais, o CICV também responde quando e onde seu perfil internacional, experiência, independência e neutralidade são um valor especial para as pessoas vulneráveis em decorrência da violência nas cidades. Não são as razões para essa violência, mas seu impacto humanitário que justifica o envolvimento o CICV.
Violência armada e ação humanitária nas zonas urbanas
"Juntos contra a dengue": a Cruz Vermelha e a população do Rio se unem para prevenir a doença
Migração e deslocamento
Os migrantes vulneráveis devem receber ajuda, independente de quem sejam, de onde quer que estejam e de seu status legal. A vulnerabilidade é o critério básico para as Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho aplicarem a decisão de a quem ajudar, e a missão das Sociedades Nacionais é aliviar o inaceitável número de vítimas de migração.
A Organização Internacional de Migração estima que existam 214 milhões de migrantes internacionais no mundo todo. De acordo com o Acnur, dois terços dos 10,5 milhões de refugiados de todo o mundo vivem em povoados e cidades.
Em busca de uma vida melhor, dezenas de milhares de pessoas se tornam vítimas de abuso, extorsão ou tráfico, com frequência em contextos urbanos. O Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho advoga por uma melhor proteção para migrantes, independentemente de seu status legal.
Em dezembro de 2008, estimava-se que 26 milhões de pessoas estivessem vivendo como “deslocados internos” em decorrência de conflitos armados ou outras situações de violência. Muitos deles vivem em cidades, quase sempre abandonados à própria sorte, pois estão longe de suas comunidades e das redes de apoio com as quais tradicionalmente contam. A política do Movimento com relação ao deslocamento interno, adotada no Conselho de Delegados de 2009, compromete o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho a tomar medidas para evitar o deslocamento e apoiar os deslocados internos e as comunidades que os acolhem.

