Dia Internacional de Pessoas com Deficiência: uma oportunidade ao sucesso
02-12-2011 Entrevista
Najmuddin Helal administra o centro de reabilitação física do CICV em Cabul. Ele proferiu um dos discursos de abertura da 31ª Conferência Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, em Genebra, e nos responde algumas perguntas nos dias que antecedem o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, 3 de dezembro.
Que mensagem o senhor gostaria de transmitir a este fórum global com seu discurso?
Minha principal mensagem era “Vamos evitar as deficiências, juntos”. E me refiro não só às deficiências causadas diretamente por ferimentos de guerra, mas também aquelas que resultam de assistência inadequada à saúde devido ao conflito.
Uma maneira de prevenir a deficiência seria que os Estados assinassem os tratados que proíbem o uso de minas terrestres e munições cluster, porque ambos os tipos de armas continuam matando e mutilando inúmeras pessoas no mundo todo.
Mas assinar os tratados apenas não é suficiente. Temos que nos assegurar de que os mesmos serão implementados de forma adequada. Um passo essencial para alcançar esse objetivo é mobilizar a comunidade internacional para garantir o acesso à assistência à saúde e a proteção dos profissionais de saúde e dos pacientes. Esses são os objetivos da nova campanha do CICV, “Assistência à Saúde em Perigo”.
Para as pessoas com deficiência, o acesso é muito importante. Quando uma pessoa com deficiência é convidada para sair, eles se perguntam “Poderei me virar?”. Se as instalações para as pessoas com deficiências fossem incluídas na construção das escolas, por exemplo, seria muito mais fácil para as crianças com deficiência terem acesso à educação.
O Afeganistão é particularmente afetado por minas terrestres. Quais são os principais desafios para as pessoas com deficiência em seu país?
No Afeganistão, assim como no resto do mundo, as pessoas com deficiência devem poder viver suas vidas e ser incluídas à sociedade. Isso se aplica não somente aos amputados, mas a todas as pessoas com deficiência; bebês com deformidade nos pés, crianças com paralisia cerebral, adultos com lesões na medula, entre outros. As pessoas com deficiência devem ter a oportunidade de aprender um ofício e levar uma vida útil. Devem poder encontrar seu papel na sociedade, com dignidade, e a sociedade deve permitir que cumpram seu potencial.
Quando os pacientes chegam aos centros de reabilitação sem pernas, em macas, e veem outros amputados circulando, eles recuperam a esperança. Essas pessoas chegam engatinhando e voltam para suas casas de pé. E isso dá às famílias esperança também, porque em vez de ser um fardo, a pessoa com deficiência pode levar uma vida normal.
Qual seria sua mensagem para as pessoas com deficiência no mundo todo?
Com base na experiência que tenho no Afeganistão, minha mensagem seria que as pessoas com deficiência devem acreditar que podem ser bem-sucedidas. As pessoas em meu país sentem pena das pessoas com deficiência, mas pensam que devemos ficar em um canto. Elas não percebem o muito que podemos fazer. No entanto, os dois maiores pré-requisitos para as pessoas com deficiência perceberem seu potencial são treinamento e um ambiente acessível.
Como Najmuddin Helal, quase toda a equipe dos sete centros de reabilitação física do CICV no Afeganistão são ex-pacientes. Eles foram treinados como técnicos ou fisioterapeutas e aprenderam outras habilidades. Quando uma pessoa com deficiência vê outras fazem algo útil e vivendo uma vida com realizações, mais uma vez ousam ter esperanças de que eles também podem ter uma vida novamente.




