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Tunísia: incerteza quanto à situação humanitária

18-01-2011 Entrevista

Embora um governo transitório tenha sido nomeado recentemente, a situação de segurança e as condições humanitárias na Tunísia continuam incertas. Chefe de operações do CICV para a África do Norte, Boris Michel está preocupado com a violência e discute a necessidade de socorro humanitário, principalmente para os detidos.

     
 
   
Boris Michel 

         

Como o senhor vê a situação na Tunísia?  

Embora a situação viesse se deteriorando há um mês, deve-se reconhecer que os últimos acontecimentos nos pegaram de surpresa. A queda do antigo presidente deu margem a uma situação que envolve importantes atos de violência e que nos causa muita preocupação. Dada a atual falta de claridade, é importante ver se as forças de segurança recuperarão o controle ou não. Todas as precauções possíveis devem ser tomadas para o restabelecimento da lei e da ordem de f orma a evitar o uso excessivo da força. A escala da necessidade de socorro humanitário ainda está por ser determinada.

     

Quais são as prioridades do Cicv nesse contexto conturbado?  

Estamos preocupados com as prisões ocorridas em conexão com os acontecimentos que vêm sacudindo o país desde 17 de dezembro. Uma importante prioridade é ter acesso às pessoas presas pelas forças de segurança, em especial nos últimos dias, para verificarmos como estão sendo tratadas e darmos notícias a seus familiares, em conformidade com o acordo assinado pelas autoridades tunisianas em 2005.

Outra prioridade é obter acesso aos centros de detenção onde os distúrbios aconteceram no último fim de semana. Fomos informados de que dezenas de detidos morreram em um presídio em Monastir, e é urgente que possamos providenciar qualquer tipo de socorro humanitário que venha a ser necessário. A situação em outro centro de detenção – de onde inúmeros detidos escaparam – é incerta, portanto é importante verificar as condições de detenção lá. Para conseguir isso, estão sendo realizadas reuniões com o Ministério de Justiça e a administração do presídio.

Também entraremos em contato com os membros do novo governo para nos certificarmos de que o exército e a polícia estejam usando a força de maneira proporcional e cumprindo com as regras aplicáveis a esse tipo de situação. Pode levar mais alguns dias até que as novas pessoas de contato sejam indicadas. As novas autoridades terão um fardo muito pesado, mas é importante fazer o melhor que podemos o mais rápido possível.

     

Como o Cicv coordena suas atividades com o Crescente Vermelho Tunisiano?  

Na condição de auxiliar das autoridades públicas no âmbito humanitário, e uma vez que está no terreno em praticamente todo o país, o Crescente Vermelho Tunisiano representa um papel importante. O CICV quer apoiar seus esforços. Até o momento, o Crescente Vermelho coletou sangue para abastecer vários hospitais no país. Também pôde evacuar vítimas, prestar assistência aos hospitais, dentre outras atividades. Estamos em contato diário com o Crescente Vermelho Tunisiano para coordenar as atividades.

     

Quais têm sido as principais atividades do Cicv na Tunísia até o momento?  

Desde 2005, nossos delegados têm visitado os centros de detenção para levar melhorias às condições dos detidos – em particular, para ajudar a resolver os problemas relacionados com a superpopulação. Nossa delegação em Túnis também representa um papel em toda a região, pois cobre não só a Tunísia, como também a Líbia, o Marrocos e a Mauritânia, onde visitamos os detidos, e o Saara Ocidental, onde lidamos com questões humanitárias decorrentes do conflito na região. A delegação cobre um vasto território com uma equipe limitada.