Sri Lanka: ajudando famílias a manterem contato nos dois lados da linha de frente
30-01-2009 Entrevista
O conflito no norte do Sri Lanka afetou cerca de 200 mil civis em Vanni. A maioria fugiu e abandonou suas casas, enquanto outros correm o risco de serem deslocados nessa situação volátil. Muitos ainda não puderam falar com suas famílias nos últimos dias e semanas. Mônica Zanarelli, delegada do CICV chefe de operações para o sudeste asiático, explica os esforços da organização para restabelecer o contato familiar em uma situação extremamente volátil.
O combate forçou as pessoas a saírem de suas casas?
Mais de dois mil Deslocados Internos (DI) chegaram à região de Vavuniya. Aproximadamente o mesmo número de pessoas chegou à Península de Jaffna. Essas áreas são controladas pelo governo e os deslocados estão vivendo em locais permanentes sob o controle de autoridades civis e militares. Por questões de segurança, seus movimentos estão restritos e as visitas familiares estão limitadas. As autoridades governamentais esperam que o número de DIs vindo para a região de Vanni aumente para dez mil nas próximas semanas.
Quais são suas necessidades com relação ao restabelecimento de laços familiar (RLF)?
Desde que as pessoas começaram a se mudar dentro de Vanni e para fora desta região, o CICV tem assistido às suas necessidades quanto a isso. Até o momento, os serviços postais e de telecomunicações têm funcionado bem por todo Sri Lanka e a maioria das pessoas pôde se comunicar com suas famílias no exterior ou em outras regiões do país. No entanto, devido ao aumento das restrições de locomoção, o CICV espera que pessoas necessitem consideravelmente mais ajuda ou manutenção de contato com seus parentes nos próximos dias e semanas.
Hoje, a comunicação é extremamente limitada para as famílias que estão nas áreas controladas pelos LTTE em Vanni. O CICV, a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho estão recebendo mais e mais pedidos de familiares que moram no exterior. Muitos não têm notícias de seus entes queridos há semanas ou até mesmo meses e não conseguem contatá-los.
O CICV consegue localizar os deslocados em Vanni neste momento?
Os enormes deslocamentos em Vanni fazem com que seja impossível para o CICV localizar pessoas nesse estágio. O intenso combate torna muito perigoso que nossas equipes e as da Cruz Vermelha cingalesa circulem.
A Cruz Vermelha cingalesa e o CICV estão atualmente estabelecendo prioridades. As duas organizações tentarão primeiramente reunir as crianças desacompanhadas com suas famílias e trasladar os corpos para o outro lado da linha de frente, com o objetivo de entregá-los às suas famílias.
Como está a situação das áreas controladas pelo governo?
A situação é diferente para aqueles que deixaram as áreas c ontroladas pelos LTTE e se mudaram para o lado controlado pelo governo. A Cruz Vermelha cingalesa e o CICV avaliaram os locais nesta zona e esperam estabelecer uma presença permanente nesses campos de modo a ajudar a restabelecer contato entre pessoas nos campos e seu parentes em outros lugares no Sri Lanka ou no exterior. Estamos usando as Mensagens " São e Salvo " para isso, junto com telefonemas.
Dada a atual situação, existem limites quanto ao que o CICV e a Cruz Vermelha cingalesa podem fazer para manter as famílias em contato?
Neste momento, a Rede de Laços não consegue recolher a Mensagens Cruz Vermelha, nem pedidos de rastreamento de pessoas que moram em Vanni.
No entanto, a Cruz Vermelha cingalesa e o CICV estão atualmente estão em condições de aceitar Mensagens Cruz Vermelha e pedidos de rastreamento de pessoas que se mudaram para outras áreas controladas pelo governo do Sri Lanka.
FOTO: Monica Zanarelli, delegada do CICV chefe de operações para o sudeste asiático

