Página arquivada:pode conter informações antigas
  • Enviar esta página
  • Imprimir esta página

Pessoas desaparecidas: parentes angustiados precisam de mais ajuda

26-08-2011 Comunicado de imprensa

Genebra (CICV) – Parentes de pessoas que desapareceram em conexão com conflitos armados ou outras situações de violência sofrem imensamente enquanto lutam para descobrir o que aconteceu com aqueles que desapareceram. O forte impacto que os desaparecimentos têm sobre o dia a dia e as perspectivas a longo prazo para as famílias e, de fato, sobre comunidades inteiras, ainda é amplamente ignorado. É preciso fazer mais para atender as necessidades econômicas, psicológicas, sociais e legais de centenas de milhares de famílias de pessoas desaparecidas, disse o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) durante os preparativos para o Dia Internacional dos Desaparecidos, no dia 30 de agosto.

" Cada pessoa desaparecida deixa para trás inúmeros parentes angustiados. Não só vivem no limbo durante anos ou mesmo décadas, o que os impede de encerrar o assunto, mas quase sempre também são confrontados com uma burocracia administrativa complexa e intimidante " , disse o chefe-adjunto da Agência Central de Busca e Divisão de Proteção do CICV, Olivier Dubois. " Mesmo que suspeitem que um familiar está morto, os parentes não podem enlutar-se apropriadamente. Sem a prova da morte, os familiares não têm condições de seguir adiante, vender propriedades ou simplesmente realizar os tiros funerais. "

Pessoas envolvidas em todos os lados do conflito são afetadas. Civis, militares ou membros de grupos armados podem ser mortos em combate e fazem com que desapareçam como parte de uma ação para espalhar o medo em uma comunidade. Por exemplo, na Colômbia, há cerca que 50 mil pessoas cadastradas no Registro Nacional de Pessoas Desaparecidas cujo paradeiro é desconhecido há década. Nos últimos anos, muitos cemitérios clandestinos foram encontrados, levando a uma lista cada vez maior de pessoas mortas desconhecidas, não identificadas e não reclamadas, cada uma delas tem uma família que está sem respostas.

" Para a família, é como atravessar um labirinto. Eles precisam receber informações que possam entender. Precisam de apoio e devem ser tratados com respeito " , disse Guilhem Ravier, um membro da equipe do CICV que trabalha a questão das pessoas desaparecidas na Colômbia.

Apoiar as famílias de pessoas desaparecidas é uma prioridade para o CICV, que se esforça para garantir que suas necessidades sejam atendidas. Quando as famílias fazem essa solicitação, o CICV se encarrega de reunir informações, quase sempre por meio de um processo longo e complexo que pode envolver visitar centros de detenção, hospitais ou necrotérios e pedir às autoridades que investiguem e deem respostas. Em vários países, esse processo envolve a participação das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

" Raramente há uma resolução rápida para esses casos, mas uma vontade política forte e um alto nível de responsabilidade para com as famílias das pessoas desaparecidas podem ajudar a acelerar o processo " , disse Dubois. " Os Estados têm uma obrigação segundo o Direito Internacional Humanitário de tomar todas as medidas factíveis para informar o paradeiro das pessoas desaparecidas e dar às famílias todas as informações que têm. O CICV pede aos Estados que ainda não assinaram, ratificaram ou implementaram a Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado que o façam " .

  Mais informações:  

  Dorothea Krimitsas, CICV Genebra, tel: +41 22 730 25 90 ou +41 79 251 93 18