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Afeganistão: chefe do CICV em fim de missão faz alerta para crise humanitária

08-10-2012 Comunicado de imprensa 12/197

Cabul/Genebra (CICV) – O chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Afeganistão, Reto Stocker, que está finalizando sua missão no país, declarou, hoje em Cabul, que a situação gerada pelo conflito armado, ao invés de melhorar, piorou para os afegãos comuns. Stocker deixa o país após sete anos no cargo.

“Estou muito preocupado ao deixar o país. Desde que cheguei aqui, em 2005, os grupos armados locais proliferaram e os civis estão encurralados entre mais de uma linha de frente, tornando-se cada vez mais difícil para os cidadãos comuns conseguir o acesso à saúde”, afirmou. “Aumentaram as privações advindas da situação econômica, do clima severo ou dos desastres naturais e a esperança de um futuro melhor diminui constantemente.”

Stocker enfatizou, em particular, a falta de acesso à assistência à saúde para a população em geral. “Existem coisas que são intocáveis, e a assistência à saúde é uma delas. Os ataques contra as equipes, veículos e instalações de saúde não podem constituir parte da conduta comum na guerra. A assistência à saúde deve estar disponível para todos que a necessitem. Deve ser fornecida de modo imparcial, somente com base em critérios médicos.”

Apesar dos desafios, tem havido certo progresso. “Comparado com as décadas anteriores, o sofrimento dos civis tem sido conhecido de maneira mais insistente graças à mídia e à sociedade civil,” declarou Stocker. “Durante os últimos anos, o CICV pôde apresentar suas preocupações de forma mais direta e aberta com as várias partes do conflito. Estas demonstraram uma maior disposição em escutar-nos e seguir certas recomendações que fizemos em relação à condução das hostilidades e questões relativas à detenção. O mesmo não pode ser dito de qualquer zona de guerra atualmente no mundo.”

Algumas coisas deveriam ser limitadas. A interferência na assistência à saúde é uma delas.(..) A assistência à saúde tem que continuar disponível para todas as essoas que precisam dela.

A organização continua visitando milhares de pessoas detidas em relação ao conflito armado em diferentes estabelecimentos, sob controle afegão e internacional, em todo o Afeganistão. “Estamos preocupados que, com a saída das forças internacionais e a redução do financiamento disponível ao governo afegão, poderia ficar mais difícil manter condições aceitáveis nas prisões”, acrescentou.
O CICV trabalha no Afeganistão desde 1979. O país abriga a maior operação da organização em termos de recursos comprometidos, com mais de 1800 funcionários em 15 sedes e um orçamento de 89 milhões de francos suíços para 2012. O novo chefe da delegação em Cabul, Gherardo Pontrandolfi, assumiu seu posto neste mês.
 

Mais informações:
Robin Waudo, CICV Cabul, tel.: +93 700 282 719
Abdul Hassib Rahimi CICV Cabul, tel.: +93 700 276 465
Bijan Farnoudi, CICV Genebra, tel.: +41 22 730 21 80 ou +41 79 536 92 59