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Síria: após dois anos de conflito, não há perspectiva para o fim do sofrimento dos civis

15-03-2013 Comunicado de imprensa

Genebra/Damasco (CICV) – Dois anos depois da deflagração da violência na Síria, as necessidades humanitárias são maiores do que nunca. Os civis continuam sofrendo as consequências do conflito armado e enfrentam dificuldades para sobreviver às adversidades diárias. Suportam os combates intensos e a deterioração constante das condições de vida e não há uma perspectiva para o fim do seu sofrimento.

“Centenas de pessoas morrem todos os dias na Síria. Milhões de pessoas foram deslocadas dentro do país, enquanto outras fugiram para países vizinhos e vivem em condições difíceis”, disse Robert Mardini, chefe de operações para o Oriente Próximo e Oriente Médio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). “Dezenas de milhares de pessoas estão desaparecidas ou foram detidas. As famílias estão desesperadas atrás dos seus entes queridos e não têm informações disponíveis sobre o seu paradeiro. Os padrões de saúde caíram drasticamente, os estabelecimentos médicos foram alvos de ataques e profissionais de saúde foram mortos, intimidados ou detidos enquanto tentavam salvar vidas. As propriedades e a infraestrutura foram afetadas duramente, deixando grandes áreas cobertas de escombros.”

O destino e a situação das pessoas detidas em conexão com o conflito armado continuam sendo motivo de extrema preocupação para o CICV. “Apesar das inúmeras tentativas de retomar as visitas aos detidos, muito pouco pôde ser feito até o momento. Hoje, não temos informações em primeira mão sobre a situação dos detidos e isso nos preocupa muito. Continuaremos buscando uma ação concreta por parte das autoridades sírias que nos permita visitar os detidos. Esta continua sendo uma das nossas principais prioridades”, acrescentou Mardini.

“É lamentável que o alto número de vítimas civis seja agora um acontecimento diário ao qual as pessoas, infelizmente, estão se acostumando”, disse Mardini. “Muitas atrocidades contra os civis foram relatadas ou presenciadas nos últimos dois anos e também vimos os ataques indiscriminados contra os civis e os profissionais de assistência à saude. Essas violações do Direito Internacional Humanitário e dos princípios humanitários básicos por partes dos beligerantes devem terminar.”

As partes envolvidas no conflito não chegaram a uma solução política, nem a comunidade internacional foi bem-sucedida na negociação de um fim para esse conflito armado. Ao mesmo tempo e apesar dos grandes esforços feitos por várias organizações humanitárias no terreno, o socorro prestado à população síria está longe de atender as necessidades cada vez maiores.

O CICV e o Crescente Vermelho Árabe Sírio estão fazendo mais do que jamais foi feito. Trabalhando em diferentes linhas de frente, as organizações prestam socorro a algumas das áreas mais duramente atingidas que estão sob o controle da oposição e do governo. Somente nas últimas três semanas, puderam chegar a três áreas controladas pela oposição e prestar assistência nas províncias de Homs, Hama e Idlib. “Nos últimos dois anos, milhões de pessoas receberam assistência, mas não é suficiente. As necessidades aumentam em um ritmo mais rápido do que a nossa habilidade de respondê-las. As limitações de segurança e a falta de acesso a algumas áreas nos impedem de responder como deveríamos.”

“Hoje, não podemos chegar a toda a população afetada. Acreditamos que os Estados devem representar um papel positivo ao exercer uma influência mais forte sobre todos os envolvidos para garantir um maior respeito ao Direito Internacional Humanitário. Com sorte, isso criaria um ambiente no qual a ação humanitária poderia acontecer em tempo real”, concluiu Mardini.

Mais informações:
Rima Kamal, CICV Damasco, tel: +963 930 33 67 18 ou +963 11 331 0476
Dibeh Fakhr, CICV Genebra, tel: +41 22 730 37 23 ou +41 79 447 37 26