CICV pede mais ação para ajudar os deslocados internos fora dos campos
12-11-2009 Comunicado de imprensa 223/09
Genebra (CICV) – O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) disse hoje que é necessário agir mais para assistir e proteger as pessoas que são deslocadas dentro de seus próprios países pelos conflitos armados. Ao apresentar um relatório especial sobre deslocados internos, o CICV chamou a atenção para o fato de que a maioria dos deslocados não chega aos campos, senão que são acolhidos por comunidades e familiares que os albergam.
Durante o lançamento do relatório, o presidente do CICV, Jakob Kellenberger, descreveu o deslocamento interno como uma das consequências humanitárias mais sérias dos conflitos armados e de outros tipos de violência no mundo todo. O número estimado de deslocados é de 26 milhões *, dos quais a maioria, segundo o presidente, suportou dificuldades extremas, incluindo ataques diretos, maus tratos, violência sexual e a perda de seus bens e de seus meios de subsistência, e muitos foram obrigados a deixar suas casas devido às violações do Direito Internacional cometidas pelas partes em conflito.
" Quando as pessoas pensam em deslocados internos, automaticamente pensam em barracas e campos. No entanto, o relatório mostra que grandes campos, como o de Gereida na região de Darfur, Sudão, que abriga cerca de 148 mil pessoas, são apenas uma parte do problema " , disse Kellenberger.
" O foco no campo significa que o que acontece com a maioria dos deslocados – os que buscam refúgio em comunidades acolhedoras – quase sempre é ignorado " , acrescentou o presidente do CICV. " No Paquistão, por exemplo, a grande maioria dos dois milhões de deslocados pelo conflito deste ano não foi para os campos. O relatório afirma que essas pessoas com frequência são as mais vulneráveis, uma vez que contam com o apoio de comunidades acolhedoras que, por sua vez, já são extremamente pobres. O desafio, portanto, é ajudar não só os deslocados, mas também as pessoas que os acolhem " .
Kellenberger disse que o CICV era a favor de que se armassem campos como medidas temporárias para atender às necessidades urgentes. No entanto, acrescentou que a experiência do CICV mostrou que os campos q uase sempre criam novos problemas que se somam às vulnerabilidades e aos riscos que os deslocados enfrentam. De acordo com o presidente do CICV, os campos podem promover a dependência e desestimular os deslocados a retornarem para suas casas quando as condições assim o permitirem. Além disso, podem surgir tensões entre os residentes dos campos e as pessoas nas comunidades próximas que não gozam dos serviços proporcionados nos campos.
O CICV considera importante ajudar os deslocados a retomarem suas vidas normais e preservar sua independência e seus meios de subsistência. O objetivo de permitir que eles possam viver o mais próximo possível de onde viviam antes do deslocamento é mais viável de ser alcançado nas comunidades acolhedoras.
" O objetivo deste relatório é pedir às autoridades governamentais e partes em conflito e às organizações humanitárias e aos doadores que vejam além dos campos. Eles devem prestar mais atenção às necessidades da maioria dos deslocados e das comunidades que os acolhem fora das instalações dos campos " , disse Kellenberger. " Também apelamos para um maior respeito pelo Direito Internacional Humanitário e maior proteção para aqueles que tiveram que abandonar suas casas " .
Os resultados de uma pesquisa de opinião realizada pelo CICV em oito países, publicada em um relatório intitulado Nosso mundo. Perspectivas do terreno., mostram que mais da metade das pessoas afetadas diretamente pelo conflito armado foi deslocada. A pesquisa revela que o deslocamento, a separação de familiares e as dificuldades econômicas estão entre as experiências mais comuns e os maiores medos dos sobreviventes.
Em 2008, cerca de 3.77 milhões de deslocados internos se beneficiaram com as atividades humanitárias realizadas pelo CICV, quase sempre em parceria com as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha ou do Crescente, em 36 países, incluindo Afeganis tão, Colômbia, República Democrática do Congo, Geórgia, Paquistão, Filipinas e Sudão. De janeiro a maio de 2009, 1.4 milhões se beneficiaram. O CICV oferece alimentos e utensílios domésticos básicos aos deslocados, além de apoio aos meios de subsistência e a atividades agrícolas, e serviços emergenciais de água, saneamento e atendimento médico.
*Número de pessoas deslocadas internamente por conflitos ou violência desde dezembro de 2008, de acordo com as estimativas do Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno.
Mais informações:
Michelle Rockwell, CICV Genebra, tel: +41 79 251 9311 (inglês)
Anna Schaaf, CICV Genebra, tel: +41 79 217 3217 (francês, alemão)
Marçal Izard, CICV Genebra, tel: +41 79 217 3224 (espanhol)
Hicham Hassan, CICV Cairo, tel: +201 87 42 43 44 (árabe)

