Armas nucleares: oportunidade histórica para garantir que não voltem a ser usadas
20-04-2010 Comunicado de imprensa
Genebra (CICV) – Os Estados têm uma oportunidade histórica de pôr fim à era de armas nucleares de uma vez por todas. Os últimos progressos positivos indicam uma oportunidade inédita para reduzir e, finalmente, eliminar a ameaça que essas armas representam. Em declaração ao corpo diplomático acreditado em Genebra, o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Jakob Kellenberger, apelou aos Estados para que garantam que as armas nucleares não voltem a ser usadas.
Kellenberger disse que os últimos progressos positivos como o endosso do Conselho de Segurança das Nações Unidas do objetivo " um mundo sem armas nucleares " e o reconhecimento por parte dos presidentes Obama e Medvedev da responsabilidade de seus países na redução dessas armas apontam para uma oportunidade inédita para reduzir e, finalmente, eliminar a ameaça que essas armas representam. Também ressaltou a importância da Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, que será realizada no próximo mês.
O presidente do CICV disse que apoia os esforços para a negociação de um acordo internacional para a eliminação de armas nucleares: " Impedir o uso de armas nucleares requer o cumprimento das obrigações existentes para buscar negociações que visam a proibir e eliminar por completo tais armas por meio de um tratado internacional legalmente vinculativo " , disse. " Também significa impedir a proliferação e combater a transferência de materiais e tecnologias que possam ser usadas para produzi-las. "
Sustentando que a posição do CICV era baseada em sua compreensão do sofrimento causado pela guerra, Kellenberger destacou o testemunho do delegado do CICV, Marcel Junod, que foi o primeiro médico estrangeiro a levar assistência às vítimas do bombardeio atômico de Hiroshima, em 1945. " O centro da cidade era uma espécie de mancha branca, achatada e lisa como a palma de uma mão. Não restou nada " , escreveu Junod depois de sua visita em 8 de setembro de 1945. Testemunhas contaram que poucos segundos depois da explosão " milhares de seres humanos nas ruas e nos jardins do centro da cidade, atingidos pela onda de calor intenso, morreram como moscas. Out ros, caídos, se contorciam como vermes, brutalmente queimados " .
O presidente do CICV ressaltou que o número de mortos em Hiroshima e Nagasaki dobrou ou triplicou nos cinco anos seguintes às explosões e alertou que 65 anos depois o mundo continua mal-preparado para assistir as possíveis vítimas de um ataque nuclear. " O CICV completou recentemente uma análise profunda de sua capacidade, e a de outras agências internacionais, de levar socorro às vítimas do uso de armas nucleares, radiológicas, químicas ou biológicas. Apesar da existência de alguma capacidade de resposta em determinados países, em nível internacional, tal capacidade é ínfima e não há um plano realista coordenado. Quase certamente, as imagens presenciadas em Hiroshima e Nagasaki voltarão a ser vistas no caso de um futuro uso de armas nucleares " .
Retomando o Direito Internacional Humanitário, Kellenberger disse que já 1950 o CICV manifestou sua preocupação aos Estados-Parte das Convenções de Genebra com relação à destruição associada às armas nucleares, que poderiam " tornar ilusória qualquer tentativa de proteger os não-combatentes segundo os textos legais " . Disse também que as armas nucleares são únicas quanto a seu poder de destruição, ao inexprimível sofrimento que causam aos seres humanos, à impossibilidade de controlar seus efeitos no tempo e no espaço, aos riscos de escalada que criam e à ameaça que representam a futuras gerações e, sem dúvidas, à sobrevivência da humanidade. Kellenberger concluiu que " o CICV considera difícil imaginar como qualquer uso de armas nucleares poderia ser compatível com as regras do Direito Internacional Humanitário " .
Mais informações:
Florian Westphal, CICV Genebra, tel: +41 22 730 2282 ou +41 79 217 3280

