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Colômbia: terras roubadas, vidas roubadas

25-07-2011 Galeria de fotos

Na Colômbia, há mais de três milhões de pessoas deslocadas. O deslocamento significa uma ameaça principalmente para os indígenas que representam uma pequena fração da população do país. Vivem nas zonas mais remotas, onde os grupos armados e outras partes no conflito colombiano lutam para obter o controle.

  • Marta, voluntária da Cruz Vermelha Colombiana há 12 anos, distribui vales alimentação e produtos de higiene a uma família indígena que chegou há dez dias.
    • A Cruz Vermelha Colombiana e o CICV dirigem um programa conjunto que ajuda as pessoas recém-chegadas, em San José del Guaviare.
      © CICV / B. Heger

    Marta, voluntária da Cruz Vermelha Colombiana há 12 anos, distribui vales alimentação e produtos de higiene a uma família indígena que chegou há dez dias.

  • Os indígenas homens do assentamento El Barrancón, próximo a San José del Guaviare, voltaram da busca por comida.
    • Indígenas deslocados já não têm acesso à floresta facilmente. Agora, é quase impossível realizar atividades tradicionais como caça, pesca, colheita de frutos e cultivo da terra.
      © CICV / B. Heger

    Os agricultores são proprietários das terras vizinhas e acessá-las é difícil. A ajuda escasseia e os membros dos grupos indígenas recebem muito pouca assistência.

    Os homens indígenas do assentamento El Barrancón, próximo a San José del Guaviare, voltaram em busca de comida. Só encontraram este crocodilo, pequeno demais para alimentar os 48 membros do clã.

  • A pichação na parede diz:
    • Algumas pessoas deslocadas que fugiram da violência em suas terras ancestrais vivem agora nos arredores de Villavicencio, em zonas controladas por grupos armados. Mais uma vez, estão expostas à violência, dado que esta é uma zona afetada pela delinquência.
      © CICV / B. Heger

    Elas vivem em assentamentos provisórios e em moradias precárias cravadas nas encostas de colinas íngremes.

    A pichação na parede diz: "Morte ao sapo (traidor) Moirin". A mera suspeita de que alguém coopera com as forças armadas ou com qualquer dos grupos armados pode ocasionar ameaças anônimas, o que leva os deslocados a fugirem mais uma vez.

  • A história de Anna ilustra a difícil situação de muitas pessoas deslocadas na Colômbia.
    • A história de Anna ilustra a difícil situação de muitas pessoas deslocadas na Colômbia. Seu marido morreu em um tiroteio entre a guerrilha e o exército, enquanto tinha no colo sua filha mais nova.
      © CICV / B. Heger

    Milagrosamente, a criança sobreviveu. "A vida era tão linda antes", diz Anna. "Éramos uma família feliz. Vivíamos em nossa fazenda, no campo".

  • Depois que o marido morreu, Anna e seus quatro filhos se mudaram para Villavicencio, onde ela trabalha como empregada doméstica.
    • Depois que o marido morreu, Anna e seus quatro filhos se mudaram para Villavicencio, onde ela trabalha como empregada doméstica.
      © CICV / B. Heger

    Como não existe espaço suficiente para as crianças, os filhos de Ana moram com o cunhado dela em Granada, a poucas horas pela estrada. Anna os visita sempre que tem folga.

  • Uma família de 14 pessoas mora neste quarto.
    • "Tudo estava tranquilo até 1985", diz Jaime. "Minha vida mudou no dia em que vi um homem armado pela primeira vez".
      © CICV / B. Heger

    Quando um grupo armado os ameaçou, os familiares de Jaime fugiram para Villavicencio. A casa com apenas um cômodo que se vê na foto abriga 14 membros da família. "Do que mais sinto saudade é da comida", diz Jaime. "Às vezes, conseguimos fazer panquecas de mandioca, mas aqui, a farinha é cara".

  • Maria e seus filhos em um quarto que eles todos moram.
    • "Quando fico triste porque não tenho trabalho, minha filha mais velha me consola: "Não se preocupe, mãe", me diz, e me dá a comida que ganhou na escola.
      © CICV / B. Heger

    Quando eu pergunto a eles se gostariam de voltar para o lugar de onde viemos, só a pequena responde que gostaria de voltar a viver em nossa terra e pescar e tomar banho no rio. Mas os outros dizem: "Nunca mais. Se voltarmos, seremos obrigados a nos unirmos aos grupos armados e seus filhos deixarão de ser seus".

    • "Meus filhos e eu tivemos de nos mudar três vezes", diz Maria, mãe de três crianças.
      © CICV / B. Heger

    "Meu filho morreu em um enfrentamento depois de ter sido recrutado à força. Meu marido foi assassinado por um grupo armado. Abandonei tudo e fugimos em busca de segurança. Villavicencio, o primeiro lugar a que chegamos, não era bom para nós. Estávamos acostumados a viver no campo, e meus filhos não gostavam da cidade; o mais novo estava doente o tempo todo, então fomos embora. Um ano e meio depois de termos nos assentado em outra região, apareceu ali um grupo armado. Novamente, tivemos de fugir para salvar nossas vidas".

  • Maria liga para o celular dos filhos quando eles se atrasam quando estão voltando da escola.
    • Embora a zona em Maria vive não seja a mais perigosa de Bogotá, os membros da família se mantém em contato por meio de telefones celulares baratos, uma prática comum na Colômbia, inclusive entre os pobres. "Ligo para meus filhos cada vez que eles demoram para chegar em casa quando voltam da escola", diz Maria.
      © CICV / B. Heger
    • "Este homem nos aluga o cômodo em que moro com meus três filhos", diz Maria.
      © CICV / B. Heger

    "Muitas vezes, ele me devolve parte do dinheiro para que eu possa comprar coisas para minha família. Estou muito agradecida. Quando chegamos a Villavicencio, em 2004, um casal nos acolheu em sua casa. Eles nos levaram à Cruz Vermelha Colombiana, que nos ajudou durante três meses. Mas somente quando cheguei a Bogotá soube que tinha direito a solicitar uma moradia subvencionada pelo Estado. Apresentei a solicitação, mas ainda continuo esperando".

  • Carlos, o sobrinho de Maria, de 17 anos, está estudando para ser xamã; seu avô é seu mestre.
    • Carlos, o sobrinho de Maria, de 17 anos, está estudando para ser xamã; seu avô é seu mestre.
      © CICV / B. Heger

    "Estou bem integrado aqui, mas desejo manter nossas crenças vivas", diz. "Para nós, é muito importante respeitar a Pachamama, a Mãe Terra. A maioria de nossas tribos provém da terra; por exemplo, nossa família pertence à raça dos tigres".

    Carlos mostra o tradicional penteado dos xamãs: "Realmente quero começar a usar o penteado tradicional do xamã", diz, "mas tenho de esperar até aprender tudo o que necessito saber".

  • Em Bogotá, indígenas recém-chegados esperam que o escritório abra suas portas.
    • Ação Social é um organismo público que assiste pessoas deslocadas nas zonas urbanas da Colômbia.
      © ICRC / B. Heger

    Em Bogotá, indígenas recém-chegados esperam que o escritório abra suas portas.

  • Em Bogotá, é fácil ser esquecido; o difícil é ser encontrado.
    • Em Bogotá, é fácil ser esquecido; o difícil é ser encontrado.
      © CICV / B. Heger
  • Para um indígena, como esta mulher, o fato de estar em uma cidade como San José del Guaviare pode ser uma experiência traumática.
    • Para um indígena, como esta mulher, o fato de estar em uma cidade como San José del Guaviare pode ser uma experiência traumática.
      © CICV / B. Heger / v-p-co-e-02096

    Os indígenas enfrentam dificuldades graves especialmente em lugares como o departamento de Guaviare, na região amazônica, onde a presença das forças armadas e de grupos armados obrigou a fuga de famílias inteiras de suas terras ancestrais. Isso se deve ao fato de que suas vidas corriam perigo, porque suas terras estavam infestadas de minas antipessoais e armadilhas ou porque alguns de seus membros corriam o risco de serem recrutados para combater, às vezes à força.

    Os indígenas deslocados se estabelecem de maneira transitória ou permanente nas principais cidades da região, como San José del Guaviare, ou terminam em Bogotá, a capital do país.

  • Alguns indígenas deslocados se estabelecem nos campos situados nos arredores de San José del Guaviare.
    • Alguns indígenas deslocados se estabelecem nos campos situados nos arredores de San José del Guaviare.
      © CICV / B. Heger / v-p-co-e-02102

    Aqui convivem elementos de ambos mundos. Esta mulher tece folhas para cobrir sua moradia, junto a uma criança montada em um triciclo de plástico.

  • Até 1988, a tribo Nukak vivia imersa em sua própria cultura.
    • Até 1988, a tribo Nukak vivia imersa em sua própria cultura.
      © CICV / B. Heger / v-p-co-e-02118

    Inicialmente, essa tribo era nômade e constituía o único grupo deste tipo na Colômbia. As circunstâncias tornaram-nos um povo sedentário, afastado de suas atividades tradicionais como a caça, já que as minas e as armadilhas os obrigaram a abandonar suas terras ancestrais. Agora que vivem em estreito contato com a vida urbana, sua antiga cultura está desaparecendo com rapidez e já deixou de influenciar a maioria dos jovens Nukak, que começam a se sentir mais à vontade em seu novo mundo.

  • Maria é beneficiada pelos serviços oferecidos pelas autoridades municipais, como o refeitório na qual come todos os dias.
    • Maria é beneficiada pelos serviços oferecidos pelas autoridades municipais, como o refeitório na qual come todos os dias. Seus filhos têm refeições grátis, na escola.
      © CICV / B. Heger / v-p-co-e-02168

    "É muito difícil comer na cidade quando a gente não tem dinheiro", diz. "Lá, em nossa terra, costumávamos pescar, colher frutos e hortaliças e criar nossos próprios frangos. Nada disso é possível aqui. Mas estou tentando transmitir nossa cultura a meus filhos. Eu ensino nosso idioma a eles e conto-lhes histórias do passado".

  • Esta mãe e seu filho vagaram durante meses pelos labirintos administrativos de Bogotá.
    • Esta mãe e seu filho vagaram durante meses pelos labirintos administrativos de Bogotá.
      © CICV / B. Heger / v-p-co-e-02174

    Apesar de terem chegado finalmente a seu lugar de destino, ainda estão desorientados.

  • Os indígenas deslocados, como estes, tropeçam com procedimentos e normas que os desorientam.
    • Os indígenas deslocados, como estes, tropeçam com procedimentos e normas que os desorientam.
      © CICV / B. Heger / v-p-co-e-02175

    Eles seguem em frente com a esperança de que, no final do caminho, haja alguma ajuda para elas.

  • Estas pessoas deslocadas finalmente receberam um cheque que os ajudará a satisfazer suas necessidades básicas durante um breve período.
    • Estas pessoas deslocadas finalmente receberam um cheque que os ajudará a satisfazer suas necessidades básicas durante um breve período.
      © CICV / B. Heger / v-p-co-e-02177

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Última atualização: 25-09-11