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Chade: CICV presta ajuda a deslocados, presos e feridos, incluindo região leste

19-11-2010 Relatório de operações

A situação humanitária no Chade continua muito preocupante, pois as condições de segurança são precárias em todo o país, especialmente na região leste. O CICV continua trabalhando para ajudar as pessoas expulsas de suas casas, e também os feridos e os detidos. Esta é uma atualização das atividades do CICV no Chade, de janeiro a setembro de 2010.

     
©CICV/C. Kazé  
   
Abeche, leste do Chade. Distribuição de ferramentas e sementes. Eche, leste do Chade. Distribuição de ferramentas e sementes. 
               
©CICV/M. I. Saleh 
   
Adé, em Dar Sila, sudeste do Chade. Distribuição de ferramentas agrícolas e sementes. 
               
©CICV/M. I. Saleh 
   
Sessão de reabilitação física no hospital regional em Abéché. 
               
©CICV/M. I. Saleh 
   
Biltine, leste do Chade. Reunião do CICV com líderes comunitários das regiões de Kobé e Dar Tama. 
           

O Chade ainda é um país instável que tem sido fortemente afetado pelo conflito em Darfur. Há 300 mil sudaneses e centro-africanos vivendo como refugiados no Chade, enquanto milhares de cidadãos não podem regressar às casas que deixaram.

O conflito no Chade diminuiu bastante. No entanto, a situação de segurança continua precária, especialmente no leste, onde o banditismo prevalece e armas ligeiras proliferam. O ambiente com tendência à violência impede milhares de pessoas de voltarem para suas aldeias e a crise agrava as tensões entre comunidades, em particular as que detêm maior controle sobre os recursos hídricos e terrestres, e também entre os deslocados e as comunidades que os acolhem. O risco de confrontos está sempre eminente.

Após o sequestro de um de seus funcionários em Kawa, no leste do Chade, em novembro de 2009, o CICV suspendeu temporariamente suas atividades nessa região. Quando o delegado foi liberado, em março de 2010, a organização retomou o trabalho nessa região.

" Ainda estamos ajudando as pessoas " , disse a chefe da delegação, Judith Greenwood. " Mas agora vamos quando há uma necessidade específica, para ajudar os deslocados, os feridos de guerra, os detidos e os mais vulneráveis. "

     

  Pessoas privadas de liberdade  

No período em análise, o CICV visitou mais de 2,6 mil detidos, 430 dos quais foram monitorados individualmente. Ao todo, os delegados fizeram 52 visitas a 17 centros de detenção em todo o país.

O objetivo da visita aos detidos é verificar se suas condições são satisfatórias, se sua integridade física e mental é respeitada, e que gozem de garantias judiciais adequadas. O CICV mantém um diálogo confidencial regular com as autoridades penitenciárias e faz as observações e recomendações que considera adequadas.

A organização continua fazendo propostas às entidades e às autoridades competentes para transferir para os centros de orientação os menores capturados e, conexão com grupos armados e, assim, ajudá-los a se reintegrarem à sociedade.

Em abril, o CICV organizou um seminário para 80 advogados e outros funcionários do Ministério da Justiça sobre as condições mínimas aceitáveis de detenção. Os participantes compartilharam suas experiências com os delegados do CICV.

     

  Restabelecimento de laços familiares  

O CICV anunciou seu trabalho para restabelecer os laços entre os membros das famílias separadas nos campos de refugiados do leste do Chade. No processo, o CICV:

  • Recolheu 1.912 mensagens Cruz Vermelha (53 delas de crianças separadas de suas famílias) e entregou outras 1.817 mensagens (27 delas para crianças separadas de suas famílias);

  • Buscou 25 pessoas a pedido dos familiares;

  • Reintegrou oito crianças a suas famílias.

     

  Ajuda aos deslocados, aos que retornaram a seus vilarejos e aos residentes  

Em dezembro de 2009, os combates entre as forças armadas do Chade e a força rebelde no sul, perto de Korbol, obrigaram muitas famílias a abandonarem suas casas. Depois de uma distribuição inicial realizada pelas autoridades, o CICV forneceu itens essenciais, como lonas, recipientes para água, baldes, sabão, cobertores, mosquiteiros e utensílios de cozinha para cerca de uma centena de famílias.

  • O CICV também distribuiu 40 mil doses de vacina para o gado na região de Assoungha e 20 mil doses para a área de Diourf al Ahmar.

  • No início de outubro, o CICV distribuiu sementes e ferramentas agrícolas para 200 horticultores particularmente vulneráveis que vivem próximos a Abéché. Esta operação foi realizada em conjunto com a Cruz Vermelha Chadiana e a autoridade de desenvolvimento rural do país (seção de Ouaddaï).

  • Com o apoio do CICV, a Cruz Vermelha Chadiana levou alívio para as vítimas das recentes inundações. Em Abéché, 240 famílias receberam itens básicos (lonas, cobertores, recipientes para água, baldes, material para roupas, sabão, colchões e mosquiteiros). Ajudas semelhantes foram feitas em Goz Baida e, no sul, em Bongo e Lere. Vinte voluntários da Cruz Vermelha em Abéché também tiveram um breve curso do CICV para fazer uma avaliação das condições de vida da população.

     

  Cuidar dos feridos  

O hospital em Abéché é a única unidade de referência no leste do país para feridos de guerra e para os que necessitam cirurgia de emergência. Por isso, atende uma população de cerca de dois milhões, incluindo 260 mil refugiados e mais de 170 mil desl ocados.

O CICV fornece ajuda em grande escala para o hospital com uma equipe de sete cirurgiões. Estes especialistas em cirurgia de guerra dividem seu tempo entre a sala de operação e a enfermaria de cuidados pós-operatórios. No período em análise, trataram 45 vítimas de ferimentos de guerra e realizaram 733 outras operações de emergência. O CICV também apoia ativamente o atendimento fisioterapêutico.

     

  Apoio aos centros de reabilitação física  

Ao todo, o centro de próteses e reabilitação Kabalaye, em N'Djamena, e o centro Notre Dame de la Paix, no sul da cidade de Moundou, confeccionaram e instalaram 260 membros artificiais (232 deles para amputados de guerra), bem como 402 órteses.

O CICV encaminhou 60 amputados do norte e do leste do Chade para o centro de N'Djamena para receberem membros artificiais. A organização cobriu os gastos do alojamento, enquanto os pacientes estiveram lá.

     

  Melhor acesso à água  

Em Abéché, o CICV reparou e higienizou 12 poços. Este trabalho proporcionou um melhor acesso à água potável a cerca de 3 mil pessoas de várias comunidades e as ajudou a aproveitarem a época das chuvas, ao melhorarem as técnicas de recolhimento e armazenamento de água.

     

  Prevenção contra as violações ao Direito Internacional Humanitário (DIH)  

O CICV manteve seus esforços pa ra tornar conhecidas e respeitadas as regras do direito humanitário, seu mandato e suas atividades. O principal objetivo foi enfatizar a mensagem de que os civis e os funcionários das organizações humanitárias devem ser poupados e respeitados.

Foram organizados regularmente eventos promocionais em todo o país e contaram com a presença de mais de mil pessoas: soldados, cadetes, membros de contingentes internacionais, policiais, líderes comunitários e religiosos, estudantes, líderes políticos e representantes de vários grupos da sociedade civil.

Finalmente, o CICV continuou apoiando os esforços das autoridades chadianas para incorporar o DIH à legislação nacional e no treinamento, doutrina e procedimentos operacionais das forças armadas do país e dos serviços de segurança.